A GRANDE ILUSÃO (1937)
Eric von Stroheim em "A Grande ilusão" — vivendo o fim de uma época

DVD Memória  

A GRANDE ILUSÃO (1937)

Na lista de títulos sobre a Primeira Guerra Mundial, "A Grande Ilusão", de Jean Renoir, ocupa um lugar fundamental — em cena está o fim de uma maneira de conceber a vida e a morte.

Crítica recomendada:
A GRANDE ILUSÃO (1937)
Estreias
O espectáculo e o seu humanismo Subitamente, o grande espectáculo sabe utilizar a máxima sofisticação técnica para contar uma história marcada por uma contagiante vibração ...

Com a estreia de “1917”, o brilhante filme de Sam Mendes sobre a Primeira Guerra Mundial, somos subitamente confrontados com um inesperado desvio na tradição do chamado filme de guerra. De facto, há muitos anos que o género é, no essencial, preenchido com histórias da Segunda Guerra Mundial. Agora, revisitamos um conflito bem diferente — diferente nos protagonistas, na logística, nas consequências. Por isso mesmo, faz sentido recordarmos uma das grandes referências clássicas sobre a Guerra de 1914-1918.

“A Grande Ilusão” é um título lendário, não apenas na história do cinema francês, mas em boa verdade na história de todo o cinema europeu. Realizado em 1937 por Jean Renoir, nele encontramos uma situação de paradoxal dramatismo: por um lado, trata-se de retratar um grupo de franceses, prisioneiros de guerra dos alemães; por outro lado, as personagens parecem viver numa fortaleza fechada, separada da própria história — a ponto de ser possível ter um gira-discos, ouvir música e trautear as canções...


“Frou Frou”, cantado por Jean Gabin, pode ilustrar as ambiguidades morais que Renoir coloca em cena. De facto, tudo se passa como se, apesar do conflito — e durante o conflito —, franceses e alemães pudessem conviver através de uma espécie de neutralidade elegante. Daí a importância da personagem do oficial alemão, interpretado pelo lendário Eric von Stroheim. Ei-lo, dialogando com um oficial francês (Pierre Fresnay).


São dois oficiais, um alemão, outro francês, dialogando sobre o absurdo da guerra e aquilo que parecia ser (e seria, de facto), o fim de uma época, de uma maneira de fazer a guerra e pensar a política — afinal de contas, o fim de uma maneira de conceber a vida e a morte. Por alguma razão, o título resume um reconhecimento amargo, ou seja, o esgotamento de uma grande ilusão.

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publicado 20:06 - 28 janeiro '20

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