A NOITE DOS MORTOS VIVOS (1968)
Duane Jones era um dos resistentes à vaga de zombies encenada por George A. Romero

DVD Memória  

A NOITE DOS MORTOS VIVOS (1968)

Muitas ramificações do cinema de terror no último meio século estão marcadas pelo trabalho de George A. Romero — na evolução temática e narrativa do género, o seu primeiro filme com zombies é uma referência incontornável.

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Realizador, argumentista, produtor, o brilhante Jordan Peele tem-se afirmado como um genuíno explorador das regras clássicas do género de terror — primeiro com o filme “Foge”, que em 2018 lhe valeu um Oscar de melhor argumento original, em 2019 com o perturbante “Nós”.

Daí que seja muitas vezes sublinhada a sua contribuição para ligar a evolução do género de terror com a representação dos afro-americanos. Seja como for, importa não esquematizar a história — a história dos filmes e a história das representações culturais. Dito de outro modo: faz sentido recordar o valor simbólico do protagonismo do afro-americano Duane Jones em “A Noite dos Mortos Vivos”.

Estava-se em 1968. O realizador George A. Romero (1940-2017), à parte algumas pequenas produções publicitárias e industriais, pois bem, ainda não era um realizador... A ideia para “A Noite dos Mortos Vivos” surgiu do diálogo com alguns amigos e era muito simples: um grupo de cidadãos refugia-se numa quinta tentando proteger-se de uma vaga de zombies que ameaça a costa Leste dos EUA...


O filme impôs-se como uma proeza de austeridade financeira e minimalismo formal. Feito com escassos meios de produção, “A Noite dos Mortos Vivos” encena um confronto violento entre zombies e humanos, num delírio que lhe vai conferindo a dimensão de uma parábola sobre a própria sobrevivência da raça humana — tudo isso filmado em imagens a preto e branco com um estranho e envolvente apelo onírico.

Para compreendermos os temas viscerais da América dos anos 60/70, para ligarmos as suas componentes de medo, paranóia e utopia, “A Noite dos Mortos Vivos” é, continua a ser, um objecto fundamental — aliás, em 1999, foi integrada na colecção oficial da Biblioteca do Congresso dos EUA.

Na trajectória criativa de Romero, tornou-se um emblema do seu próprio estilo, de tal modo que ele viria dirigir cinco sequelas do original. Com muitas sugestões mais ou menos macabras e, sempre, um desconcertante sentido de humor. Por exemplo, em “A Maldição dos Mortos Vivos” (1978), os zombies invadiam um centro comercial ao som desta música.

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publicado 23:48 - 26 abril '19

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