Veneza 2017  

A bela e monstro por Guillermo de Toro

O realizador mexicano entra na competição de Veneza com uma variante da fábula clássica.

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Veneza 2017: "The Shape of Water", Guillermo del Toro
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Há mais um monstro no cinema de Guillermo del Toro mas não é uma besta igual a outras que vimos em filmes anteriores – embora seja semelhante a uma das criaturas de "Hellboy"...

No seu décimo filme, o realizador mexicano prossegue no território da fábula e dos contos de fadas apropriando-se da história clássica da bela e do monstro.

A variante é simples: a bela é muda (interpretada por Sally Hawkins) e estabelece contacto afetivo com um monstro que foi capturado num lago sul americano e que está aprisionado num complexo militar norte-americano.

A história é criada em plena guerra fria, envolvendo espiões russos e cientistas norte-americanos que pretendem controlar e estudar a criatura.

Guillermo del Toro escolheu esta época porque entende que o sonho americano cristalizou com a morte de John F. Kennedy e grande parte das questões políticas continuam atuais.

O filme tem uma dimensão política – o realizador mexicano entende o conto de fadas é a resposta adequada aos tempos cínicos que vivemos porque encontra neste género de histórias respostas narrativas através do amor.

Mas Guillermo del Toro propõe-se realizar uma nova versão clássica de uma história que foi sendo contada de forma demasiado infantil e pueril. "The Shape of Water" propõe uma relação romântica entre dois seres solitários por razões diferentes e que se reconhecem nessa condição de exclusão.

O conto é desenvolvido de forma previsível e demasiado afetada, sendo uma citação de uma época clássica do cinema com um tom fotográfico, visual e musical que procura criar o mesmo efeito de "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain".

Curiosamente, Guillermo del Toro assume que é o seu filme mais francês porque é romântico e cinéfilo. Este mexicano também filma em Hollywood, com recursos de estúdio, e espreita os Óscares, tal como os compatriotas Alfonso Cuáron e Alejandre González Iñárritu. O filme poderá ser um competidor em algumas categorias, sendo evidente que Sally Hawkins dificlmente falhará a nomeação para melhor atriz.

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publicado 14:00 - 01 setembro '17

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