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A herança de Harrison Ford

Enquanto se aguarda o episódio IX de "Star Wars", os estúdios Disney lançam mais uma "variação" temática, desta vez centrada na personagem de Han Solo — Alden Ehrenreich, o novo intérprete, consegue, pelo menos, não se ficar por uma imitação banal de Harrison Ford.

A herança de Harrison Ford
Alden Ehrenreich: ser ou não ser Han Solo
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 A herança de Harrison Ford
Solo: Uma História de Star Wars Entre a bordo da Millennium Falcon e parta para uma galáxia distante, em "Han Solo: Uma História de Star Wars", uma nova aventura com o vigarista mais popular da galáxia. Depois de uma série de aventuras perigosas no submundo do crime, Han Solo faz amizade com o co- iloto Chewbacca e conhece o jogador com má reputação Lando Calrissian, numa jornada que irá definir o caminho de um dos heróis mais ...

Será que Alden Ehrenreich, o novo intérprete da personagem de Han Solo, tem condições para assumir e, de alguma maneira, recriar a herança de Harrison Ford? Convenhamos que a tarefa não seria fácil, desde logo porque através desse papel (e também da encarnação de Indiana Jones), Ford adquiriu um estatuto lendário, obviamente ligado ao poder mitológico do universo "Star Wars".

Ao assumir o papel central em "Solo: Uma História de Star Wars", Ehrenreich conseguiu, pelo menos, não ficar dependente de qualquer lógica de banal mimetismo em relação às composições que Ford iniciou com "A Guerra das Estrelas" (1977). Aliás, sabíamos já da sua subtileza de intérprete através de títulos como "Tetro" (Francis Ford Coppola, 2009) ou "Rules Don't Apply" (Warren Beatty, 2016), este um dos filmes maiores da história recente de Hollywood, infelizmente secundarizado pelo mercado português (apenas lançado no cabo).

"Solo: Uma História de Star Wars" não deixa de estar marcado pelas regras que os estúdios Disney puseram em prática desde que adquiriram a Lucasfilm e, portanto, o controle da saga "Star Wars". Trata-se de cumprir a rotina de um título por ano, de modo a manter activo um princípio de marketing que privilegia a ocupação global dos mercados (recorde-se o que o episódio IX, o derradeiro previsto no projecto inicial de George Lucas, está agendado para Dezembro de 2019). Estamos, enfim, perante um filme "de manutenção", explorando uma espécie de pré-história de Han Solo.

A competência clássica de Ron Howard, cineasta até agora ausente deste universo, consegue, pelo menos, garantir alguma empatia com as personagens — e, nessa medida, alguma possibilidade de composição dos actores, desta vez, pelo menos, não completamente afogados pela manipulação digital. Para além de Ehrenreich, destaquemos, por isso, Woody Harrelson, Beckett, o vilão simpático, sempre essencial neste tipo de aventuras.

Crítica de João Lopes actualizado às 16:09 - 24 maio '18
publicado 15:24 - 24 maio '18

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