Estreias  

"Halloween" ainda é o que era

Foi em 1978 que John Carpenter realizou o primeiro "Halloween", entretanto consagrado como filme de culto — agora, David Gordon Green assina uma continuação fiel aos valores narrativos do original.

Halloween ainda é o que era
Jamie Lee Curtis — 40 anos depois, o confronto com a mesma ameaça
Crítica de
Subscrição das suas críticas
135
Trailer/Cartaz/Sinopse:
 Halloween ainda é o que era
Halloween Jamie Lee Curtis volta a interpretar a icónica Laurie Strode, que vai confrontar pela última vez Michael Myers, a figur a mascarada que a persegue desde que conseguiu escapar da matança no Halloween há quatro décadas.
Artigo recomendado:
Halloween ainda é o que era
DVD Memória
HALLOWEEN (1978) Na história do género de terror, o nome de John Carpenter é absolutamente essencial — "Halloween", produzido ainda com escassos meios, ...

Sequela ?... Remake ?... Ou ainda essa coisa mais ou menos sugestiva, por vezes, hélas!, completamente postiça, que é um spin-off ?...

Convenhamos que o ambiente cinematográfico está saturado de filmes que tentam rentabilizar sucessos mais ou menos distantes — para o melhor e, sobretudo, para o pior...

Pois bem, o mínimo que se pode dizer do novo "Halloween" é que se assume como clara continuação do primeiro, assinado por John Carpenter, corria o ano de 1978.

Convém sublinhar: continuação. Distanciando-se das derivações produzidas ao longo destas quatro décadas, o realizador David Gordon Green propõe-nos, precisamente, o reencontro com as personagens principais... 40 anos depois.

Michael Myers, o inquietante vulto ainda e sempre representado pelo lendário Nick Castle, consegue fugir da prisão e, literalmente, regressa às origens para assombrar Laurie Strode, a personagem de Jamie Lee Curtis (que teve a sua estreia, precisamente, no filme de 1978), para sempre marcada pelo trauma do que aconteceu há 40 anos.

Trata-se de fazer valer as memórias de uma árvore genealógica cujas componentes excedem os limites mais estreitos do género de terror. Dito de outro modo: a herança de Carpenter está, obviamente, presente. Aliás, Carpenter, ele mesmo, está duplamente presente: como produtor executivo (tal como Jamie Lee Curtis) e autor da música [do] original, agora retrabalhada para uma nova e vibrante banda sonora.


O trabalho de Green — autor de títulos tão interessantes como "George Washington" (2000), "Joe" (2013) ou "O Senhor Manglehorn" (2014) — terá os limites de um exercício que nunca tenta descolar-se das referências, ambiências e estilo do próprio Carpenter, incluindo os serenos movimentos de câmara a descobrir o cenário em profundidade.

Ao mesmo tempo, esses limites definem a postura eminentemente cinéfila de quem não se remete a um labor mecânico de copista. O projecto envolve a celebração das potencialidades de uma linguagem que, como se prova, admite as mais sugestivas variações.

Nesta perspectiva, "Halloween"/2018 é um objecto algo fora de moda, prescindindo das soluções infinitamente repetidas de sequelas e afins. Não é todos os dias que uma parábola sobre a violência (des)humana se afirma através de uma hábil gestão das tensões do espaço e das ambivalências do tempo.

Crítica de João Lopes
publicado 17:35 - 25 outubro '18

Recomendamos: Veja mais Críticas de João Lopes