BERGMAN, Ingmar
Ingmar Bergman durante a rodagem de "Sarabande" (2003)

DVD Memória  

BERGMAN, Ingmar

No centenário do nascimento de Ingmar Bergman, vale a pena revisitarmos alguns dos seus títulos através da música — melodia e ritmo, cor e silêncio, são elementos fundamentais do seu universo fílmico.

Não é, evidentemente, por acaso que a música de Bach pontua vários filmes de Ingmar Bergman (1918-2007). Não se trata, de modo algum, de preencher as cenas com a chamada "música de fundo". Nada disso: o sueco Bergman encontra na música do alemão Bach as ideias e as sensações que podem rimar com os temas e as emoções dos seus filmes — não é uma colagem formal, mas sim uma fusão artística.
 

Esta é a Sarabande da Suite nº 5 de Bach para violoncelo — são sons de uma transparência tão radical que parecem renovar a vibração da vida tanto mais, ou quanto mais, se aproximam da morte. São sons que ouvimos em “Lágrimas e Suspiros”, de 1972, retrato de quatro mulheres assombradas pela morte iminente de uma delas — Bergman filmou-as numa casa de paredes vermelhas porque, segundo ele, as paredes da alma são vermelhas. Escutemos outra melodia, outros ritmos...
 

... neste caso, um quinteto para piano de Schumann incluído em “Fanny e Alexandre”, de 1983, filme pessoalíssimo, revisitando memórias e traumas de infância — filme que, além do mais, ilustra a relação descomprometida que Bergman sempre manteve com a televisão. Convém não esquecer, por exemplo, que um dos seus trabalhos mais elaborados sobre o mundo do teatro, intitulado “Ritual”, tem data de 1969 e foi inicialmente produzido para televisão. Ou que essa referência exemplar que é “Cenas da Vida Conjugal”, de 1973, começou por ser, tal como “Fanny e Alexandre”, uma série de televisão — nesse caso, com a bênção irónica de Tomaso Albinoni.
 

Há, de facto, uma musicalidade muito especial na obra de Bergman. E tanto mais quanto se trata de uma obra de fascinantes contrastes: do drama intimista de “Luz de Inverno” (1963) ao humor de “A Força do Sexo Fraco” (1964); dos fantasmas religiosos de “O Sétimo Selo” (1957) à perturbante abstracção de “O Silêncio” (1963). Sem esquecer que, pelo menos uma vez, o objectivo foi mesmo celebrar a música em estado puro — Mozart, mais precisamente, “A Flauta Mágica”, num filme de 1975.
 

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publicado 23:25 - 19 dezembro '18

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