Cannes 2022: cinco dias para a edição 75

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Cannes 2022: cinco dias para a edição 75

O mais mediático dos festivais de cinema arranca terça-feira com Tom Cruise, Cronenberg e guerra na Ucrânia na mente de todos.

Um desfile de estrelas incluindo Mads Mikkelsen e Tom Cruise, cineastas de culto como Cronenberg e James Gray: o Festival de Cinema de Cannes abre a 75ª edição na terça-feira com a nata do cinema mundial e a guerra na Ucrânia como pano de fundo.

Após uma incursão por julho em 2021, devido à Covid, os festivaleiros voltam às datas habituais, em maio e sem restrições sanitárias pela primeira vez desde que a epidemia começou.

Tom Cruise apresenta o novo "Top Gun", Idriss Elba e Tilda Swinton acompanham George Miller numa história de génios que saem de garrafas, Léa Seydoux, Viggo Mortensen e David Cronenberg mostram como serão os crimes do futuro, e o promissor Austin Butler, interpreta o "Rei" numa biopic de Elvis Presley assinada por Baz Luhrman.

Forest Whitaker, que ganhou o prémio de melhor actor em 1988 pelo retrato do músico de jazz Charlie Parker em "Bird", realizado por Clint Eastwood, também estará presente, para receber uma Palma de Ouro honorária.

A acolher a cerimónia de abertura na terça-feira à noite estará a atriz Virginie Efira (que apareceu em "Revoir Paris", fora de competição, uma dolorosa memória dos ataques terroristas na capital francesa). Segue-se "Coupez!", uma paródia sangrenta aos filmes de zombies assinada por Michel Hazanavicius - o rei do pastiche que ganhou um Óscar por "O Artista".

Na competição, 21 filmes competem para suceder a "Titane", Palma de Ouro no ano passado, da francesa Julia Ducournau, a segunda mulher a ganhar o festival na história de Cannes.

Se o júri e as secções paralelas avançam para a paridade de género, o concurso ainda oferece apenas um pequeno lugar às mulheres realizadoras: cinco estão em competição, incluindo Claire Denis que se reúne com Robert Pattinson para "Stars at Noon".

James Gray ("Ad Astra") apresentará "Armageddon Time", ambientado na Nova Iorque dos anos 80, durante a ascensão da família Trump.

Vários directores premiados estão na corrida: Os belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne ("Rosetta") com "Tori e Lokita", o cineasta sueco Ruben Östlund ("A Praça") com "Triangle of Sadness", o japonês Hirokazu Kore-eda ("A Family Affair"), que filmou "Broker" com a estrela sul-coreana de "Parasite", Song Kang-ho, e o romeno Cristian Mungiu ("4 meses, 3 semanas, 2 dias"), com o seu último filme, "RMN".

Serebrennikov livre

Para além da competição, que permanece fechada ao streaming, há mais obras muito aguardadas. Do regresso de Marco Bellocchio, ao ás espanhol do thriller Rodrigo Sorogoyen, ou ao reportório de truques de Lee Jung-jae, estrela de "Squid Game", a Jesse Eisenberg ("A rede social"). Do lado francês, há novos trabalhos de Léa Seydoux, Louis Garrel e Sandrine Kiberlain a apresentar.

Pano de fundo desta programação, a guerra na Ucrânia estará inevitavelmente "na mente de todos", como sublinhou o diretor do festival, Thierry Frémaux.

Duas gerações de cineastas ucranianos estarão presentes, com o habitual Sergei Loznitsa e "A História Natural da Destruição", sobre a devastação das cidades alemãs pelos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial, mas também o jovem Maksim Nakonechnyi com "Bachennya Metelyka" (na secção "Un certain regard").

Espera-se também que Cannes receba Kirill Serebrennikov, transformado num símbolo dos artistas russos que romperam com o regime desde que pôde entrar legalmente na Europa após o início da guerra.

O realizador foi impedido de deixar o seu país para acompanhar os seus filmes anteriores em competição, "Leto" e "Petrov's Flu", mas está agora livre para defender "A Esposa de Tchaikovsky", o primeiro título a ser exibido na competição principal.

Sinal de que nem tudo voltou à normalidade no planeta do cinema, só três semanas antes da abertura é que o Festival conseguiu finalmente constituir o júri, presidido pelo actor francês Vincent Lindon, vencedor do prémio de melhor interpretação em 2015 e que integrou o elenco de "Titane". Sucede ao norte-americano Spike Lee. Ao seu lado estarão a actriz e realizadora anglo-americana Rebecca Hall ("Vicky Cristina Barcelona"), a actriz sueca Noomi Rapace ("Millenium") e os realizadores Asghar Farhadi, Ladj Ly ("Les Miserables", Prémio do Júri 2019) e Joachim Trier ("A Pior Pessoa do Mundo", filme que valeu o prémio de melhor atriz em 2021 a Renate Reinsve).

Continua por revelar o título do filme de encerramento.

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