Cinemateca Francesa presta homenagem a Paulo Branco a partir 23 de junho

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Cinemateca Francesa presta homenagem a Paulo Branco a partir 23 de junho

O ciclo coincide com a reabertura das salas de cinema em França.

As salas de cinema em França vão reabrir e a Cinemateca Francesa acaba de anunciar que a homenagem dedicada ao produtor Paulo Branco terá lugar a partir de 23 de junho de 2021. Serão exibidos 33 filmes dos mais de trezentos que Paulo Branco produziu ao longo de uma prolífica carreira que começou entre os finais dos anos 1970 e o início dos 80. O produtor acompanhará as projecções, apresentando os filmes e conversando com diversos convidados.

Esta é a segunda vez que aquela Cinemateca presta tributo ao produtor português, depois de em 1992 lhe ter dedicado a homenagem intitulada “Bravo Branco”. Paulo Branco torna-se assim o primeiro produtor independente a ser homenageado duas vezes por aquela que é uma das mais importantes e mais prestigiadas cinematecas do mundo.

No dossier de imprensa de apresentação da temporada, os responsáveis da Cinemateca Francesa referem-se assim a Paulo Branco:

“Devemos a este produtor inspirado e audacioso, que iniciou a sua actividade no cinema em Paris, como programador e exibidor, a emergência de uma parte maior da modernidade cinematográfica na Europa a seguir ao final da década de 1970. De facto, Paulo Branco permitiu a eclosão da maior parte dos realizadores mais essenciais do cinema deste período, desde os portugueses Manoel de Oliveira, Pedro Costa ou João César Monteiro, passando pelo chileno Raúl Ruiz ou o lituano Sharunas Bartas. Produziu também alguns dos filmes mais importantes de Chantal Akerman e Werner Schroeter. Muitos dos realizadores mais representativos de toda uma geração de cineastas franceses devem-lhe o início das suas carreiras: Olivier Assayas, Christophe Honoré, Laurence Ferreira Barbosa, Valeria Bruni-Tedeschi, Mathieu Amalric, entre outros. Paulo Branco ou a produção de filmes como aventura e como arte.”

De entre os cineastas portugueses, para além dos citados no comunicado da Cinemateca Francesa – Manoel de Oliveira, João César Monteiro e Pedro Costa –, Paulo Branco produziu filmes de mais de quatro dezenas de realizadores, muitos dos quais começaram com ele as suas carreiras: António Ferreira, António Pinhão Botelho, António-Pedro Vasconcelos, Bruno de Almeida, Carlos Saboga, Catarina Ruivo, Cláudia Tomaz, Edgar Pêra, Fernando Lopes, Frederico Serra, Hugo Vieira da Silva, Inês Oliveira, Ivo Ferreira, Jaime Silva, João Botelho, João Canijo, João Guerra, João Mário Grilo, João Nuno Pinto, Joaquim Pinto, Jorge Cramez, Jorge Silva Melo, José Álvaro Morais, José Fonseca e Costa, José Nascimento, Luís Filipe Rocha, Marco Martins, Margarida Gil, Mário Barroso, Raquel Freire, Rita Azevedo Gomes, Rita Nunes, Rosa Coutinho Cabral, Ruy Duarte de Carvalho, Teresa Villaverde, Tiago Guedes e Vicente Jorge Silva.

Produziu ainda algumas das obras mais importantes de grandes nomes do cinema mundial, entre os quais o canadiano David Cronenberg, o alemão Wim Wenders, o suíço Alain Tanner ou os polacos Andrzej Żulawski e Jerzy Skolimowski. É um dos produtores com maior número de filmes seleccionados para os grandes festivais de cinema – Cannes, Veneza, Berlim, Toronto, San Sebastián e Locarno, onde foram por diversas vezes premiados.

Lista dos filmes a exibir:

  • Francisca (1980) de Manoel de Oliveira
  • Silvestre (1981) de João César Monteiro
  • A Cidade Branca (1982) de Alain Tanner
  • O Estado das Coisas (1982) de Wim Wenders
  • O Rei das Rosas (1985) de Werner Schroeter
  • Maine-Océan (1986) de Jacques Rozier
  • L’Enfant de l’hiver (1988) de Olivier Assayas
  • Vale Abraão (1993) de Manoel de Oliveira
  • As Pessoas Normais Não Têm Nada de Especial (1993) de Laurence Ferreira Barbosa
  • Fado majeur et mineur (1994) de Raúl Ruiz
  • Casa de Lava (1994) de Pedro Costa
  • O Coração Fantasma (1995) de Philippe Garrel
  • Few of Us (1996) de Sharunas Bartas
  • E Então (1997) de Michel Piccoli
  • O Tédio (1998) de Cédric Khan
  • Três Pontes Sobre o Rio (1998) de Jean-Claude Biette
  • Lila Lili (1999) de Marie Vermillard
  • O Tempo Reencontrado (1999) de Raúl Ruiz
  • Peixe Lua (2000) de José Álvaro Morais
  • Branca de Neve (2000) de João César Monteiro
  • A Cativa (2000) de Chantal Akerman
  • A Fidelidade (2000) de Andrzej Żulawski
  • Vou Para Casa (2001) de Manoel de Oliveira
  • Vai e Vem (2003) de João César Monteiro
  • Minha Mãe (2004) de Christophe Honoré
  • Body Rice (2006) de Hugo Vieira da Silva
  • Muito Bem, Obrigado (2007) de Emmanuelle Cuau
  • Quatro Noites com Anna (2008) de Jerzy Skolimowski
  • Mistérios de Lisboa (2010) de Raúl Ruiz
  • Cosmopolis (2012) de David Cronenberg
  • O Quarto Azul (2014) de Mathieu Amalric
  • Cosmos (2015) de Andrzej Żulawski
  • A Herdade (2019) de Tiago Guedes

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