Drama judicial na abertura de Cannes
Catherine Deneuve, a juíza do tribunal de menores em "La Tête Haute".

Cannes 2015  

Drama judicial na abertura de Cannes

Catherine Deneuve destaca-se no filme de Emannuelle Bercot. O festival de Cannes começou com um filme menos festivaleiro

O festival de Cannes sabe valorizar os filmes com temas relevantes e criar os momentos festivos que se justificam em função das propostas de entretenimento puro e mais popular.

Normalmente o filme que tem a honra de inaugurar o festival é um filme de grande espetáculo, aguardado com expectativa planetária - veja-se o que sucedeu nos anos mais recentes com "Monrise Kingdom", de Wes Anderson, "Up - Altamente, da Pixar/Disney, "O Grande Gatsby" de Baz Luhrmann e "Grace do Mónaco" de Olivier Dahan.

Desta vez o festival optou por um melodrama francês, realizado por Emmanuelle Bercout, valorizando o facto do filme de abertura ser de uma mulher, algo que não sucedia há décadas.

Catherine Deneuve foi a estrela mais cintilante desta primeira noite de gala, mas o seu brilho na passadeira vermelha e o seu desempenho consistente no papel de uma juíza de um tribunal de menores em Lille que acompanha os casos de crianças e adolescentes delinquentes, não chegam para alcançar a dimensão que se espera de um filme de abertura de um grande festival.

"La Tête Haute" é um drama competente e que tem a originalidade de abordar com uma perspetiva positiva o problema da integração dos jovens socialmente desenquadrados ou que vivem em famílias com problemas financeiros e que são capazes de os enquadrar e educar.

É um filme com soluções simplistas e evidentes nos caminhos narrativos que toma, um drama que se fica pelas boas intenções face aos problemas graves que aborda.



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publicado 00:29 - 14 maio '15

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