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Efeitos pouco especiais

Apesar do seu sugestivo ponto de partida, "Passageiros" resulta uma variação menor sobre temas clássicos da ficção científica; nos papéis principais, Jennifer Lawrence e Chris Pratt bem se esforçam...

Efeitos pouco especiais
Jennifer Lawrence e Chris Pratt — passageiros à deriva...
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 Efeitos pouco especiais
Passageiros Jennifer Lawrence e Chris Pratt são dois passageiros a bordo de uma nave espacial que os transporta para uma nova vida noutro planeta. A viagem sofre uma reviravolta mortal quando as cápsulas de hibernação os acordam 90 anos antes da chegada ao seu destino. À medida que Jim e Aurora tentam desvendar o mistério por trás desta falha, apaixonam-se, sendo incapazes de negar a sua intensa atração... ...

Há toda uma mitologia beata que tende a canonizar os efeitos especiais... Normalmente, parte-se do princípio que tais efeitos constituem, por si só, uma ideia narrativa (como se fosse possível explicar o impacto de "2001: Odisseia no Espaço" apenas porque Stanley Kubrick teve milhões de dólares para gastar). Além do mais, quase sempre, ignora-se a complexa história das técnicas cinematográficas (na verdade, os primeiros efeitos especiais têm mais de cem anos e devem ao génio de Georges Méliès).

Vem isto a propósito da vulgaridade de um filme como "Passageiros". Trata-se, de facto, de uma ideia curiosa: uma viagem inter-galáctica de 120 anos numa nave que transporta alguns milhares de seres humanos adormecidos — só que alguém acorda cedo demais, ainda com 90 anos para viajar... Resta saber o que se faz com tal ideia.

Acontece que cedo o filme revela não ter qualquer sentido de construção dramática, para mais aplicando de forma redundante uma banda sonora musical que parece querer sugerir, à força (?), elementos mais ou menos irónicos. Aliás, nesse aspecto, também não se percebe muito bem como e porquê se quis encenar a relação do par central como uma variante de uma banal comédia romântica.

Enfim, nos papéis centrais, Jennifer Lawrence e Chris Pratt bem se esforçam, mas as suas personagens são frágeis bonecos de cartão a que falta um pingo de humanidade. Além do mais, o realizador Morten Tyldum parece ter querido aplicar doutra maneira o título do seu filme anterior, "O Jogo da Imitação" (2014): de "2001" a "Shining" (as cenas do bar), as referências são tentadoras, mas a cópia resulta sempre menor. 

Crítica de João Lopes actualizado às 01:35 - 22 dezembro '16
publicado 01:32 - 22 dezembro '16

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