LADRÕES DE BICICLETAS (1948)
Itália, 1948 — Vittorio De Sica encenava as agruras da vida das classes populares

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LADRÕES DE BICICLETAS (1948)

Na afirmação do neo-realismo, Vittorio De Sica foi, a par de Roberto Rossellini, um nome fundamental: "Ladrões de Bicicletas" ficou como um dos títulos lendários do movimento, encenando as ruas e os que nelas lutam pela sobrevivência.

O regresso da obra de Roberto Rossellini às salas portuguesas conduz-nos de novo ao cinema italiano de meados da década de 40 e, muito em particular, à eclosão do movimento neo-realista. Era sua preocupação principal dar conta das condições de vida das classes populares durante e após a Segunda Guerra Mundial — um dos seus títulos principais chamou-se "Ladrões de Bicicletas" e tinha assinatura de Vittorio De Sica.

A história de "Ladrões de Bicicletas" resume-se em poucas palavras — Antonio Ricci é um homem pobre, a viver em Roma, uma cidade marcada por muitas formas de miséria nos tempos que se seguem ao final da Segunda Guerra Mundial; consegue um emprego de distribuição de cartazes de publicidade, mas para isso precisa de uma bicicleta; resta saber como poderá encontrar esse precioso meio de sobrevivência...

Muitas vezes se diz que o neo-realismo soube trazer para a rua a história do seu próprio presente, filmando de maneira quase documental os mais pobres e desfavorecidos. É verdade, mas este não é um cinema de reportagem. Há nele um trabalho muito elaborado, e também muito delicado, de escrita de argumento — e neste caso, além do próprio Vittorio de Sica, trabalharam também personalidades emblemáticas do cinema italiano como Cesar Zavattini e Suso Cecchi D’Amico.

"Ladrões de Bicicletas" surgiu em 1948, numa altura em que, como é óbvio, para além das cinematografias nacionais, eram os próprios países que se empenhavam em dramáticos processos de reconstrução. Para a história, a par de títulos como "Ossessione" (1943), de Luchino Visconti, ou "Roma, Cidade Aberta" (1945), de Roberto Rossellini, ficou como um momento decisivo de reinvenção da linguagem cinematográfica e da sua ligação às personagens mais esquecidas ou marginalizadas — quase 70 anos depois, é o que se pode chamar um clássico absoluto.

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publicado 19:41 - 18 abril '15

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