Luc Besson afastado da direcção da EuropaCorp
Luc Besson passou a ser apenas "director artístico" da companhia que fundou

Cinema europeu  

Luc Besson afastado da direcção da EuropaCorp

Para Luc Besson, acabou o sonho de dirigir uma companhia europeia capaz de rivalizar com os estúdios de Hollywood: o cineasta e produtor foi afastado do cargo de director geral da EuropaCorp.

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É o fim de um ciclo no cinema francês e, em boa verdade, na história do cinema europeu dos últimos vinte anos: Luc Besson foi afastado da direcção da EuropaCorp, a companhia que fundou em 2000, visando a consolidação de uma estratégia de produção capaz de concorrer directamente com os grandes estúdios americanos, em particular através de filmes de aventuras e ficção científica.

A partir do dia 1 de Setembro, o novo director geral será o franco-suíço Axel Duroux. Segundo o jornal "Libération", a sua experiência em empresas como a rádio RTL, a TF1 ou a Endemol faz com que, nos meios financeiros, seja considerado um "peso pesado" do mundo dos media. Besson passa a ser um presidente "não executivo", devendo assumir o papel de "director artístico", correndo o risco de não ter qualquer influência nas orientações globais da companhia.

Embora Besson fosse o rosto simbólico da EuropaCorp, a decisão era mais ou menos esperada, sobretudo a partir do momento em que um grupo americano, Vine Alternative Investments, passou a deter 60% do capital da empresa. A situação de Besson era tanto mais frágil quanto uma série de investimentos pouco rentáveis culminou no desastre comercial de "Valérian e a Cidade dos Mil Planetas" (2017), na altura considerada a mais cara produção de sempre do cinema europeu (com um orçamento próximo dos 200 milhões de euros).

Durante alguns anos, quase sempre explorando modelos próximos das grandes produções americanas (inclusive atraindo diversos actores de Hollywood), a EuropaCorp conseguiu gerar êxitos como "Taken" (2008), com Liam Neeson, ou "Transporter 3" (2008), com Jason Statham, além da série "Taxi" (cinco títulos, o último dos quais em 2018), especialmente forte no mercado francófono.

Na sequência do falhanço de "Valérian", a situação foi-se agravando devido à fraca performance de filmes como "Kursk" (2018), de Thomas Vinterberg, ou "Anna" (2019), dirigido pelo próprio Besson. Depois deste último, a máquina da EuropaCorp estava virtualmente parada.

Tendo em conta o comunicado oficial a anunciar o afastamento de Besson e as novas funções de Duroux, a EuropaCorp deverá adoptar uma estratégia de produção mais contida, nomeadamente através de "filmes do género 'acção-ficção-científica', de orçamentos controlados, cobertos por significativos pré-financiamentos." Sinal dos tempos: a EuropaCorp propõe-se também produzir "séries de televisão em língua inglesa com forte potencial internacional".

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publicado 19:00 - 09 agosto '20

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