O cinema como experiência sensual
Tilda Swinton filmada por Apichatpong Weerasethakul: tudo é sonho

CANNES 2021  

O cinema como experiência sensual

Já vencedor de uma Palma de Ouro, o tailandês Apichatpong Weerasethakul está de regresso a Cannes com um labirinto de sonhos intitulado "Memoria" — foi rodado em cenários colombianos.

Trailer/Cartaz/Sinopse:
 O cinema como experiência sensual
Memoria Drama desconcertante sobre uma escocesa, que, após ouvir um estrondo ao amanhecer, começa a experimentar uma misteriosa síndrome sensorial enquanto atravessa as selvas da Colômbia.

A maneira mais imediata de caracterizar o cinema de Apichatpong Weerasethakul será através de um axioma metafísico: tudo o que vemos ou vivemos no quotidiano está à beira de se deslocar para o mundo dos sonhos... O filme que lhe valeu a Palma de Ouro em 2010, "O Tio Boonmee que se Lembra das Suas Vidas Anteriores", pode ser um bom exemplo.

Agora de novo na competição do festival, com "Memoria", o cineasta tailandês não deixa os seus créditos por mãos alheias. Que é como quem diz: o seu retrato da personagem errante (a errância é mesmo um valor essencial da sua dramaturgia) interpretada por Tilda Swinton funciona como um "passaporte" para mundos alternativos que vão desde a crónica arqueológica a uma sugestão de ficção científica.
Tradicionalmente, as ficções em que uma personagem é, por assim dizer, convocada pelo universo onírico desembocam numa espécie de "moral" mais ou menos apaziguadora: a personagem regressa ao seu estado anterior. No caso de Apichatpong Weerasethakul, tudo se passa como se esse regresso ficasse para sempre suspenso, ou em suspense, pondo em causa a evidência natural das coisas... Sem esquecer, a esse propósito, que uma parte significativa do filme nasce da contemplação da natureza.

Artista da Tailândia, Apichatpong Weerasethakul estreia-se, aqui, em língua espanhola. "Memoria" foi rodado na Colômbia, espelhando, afinal, o poder universal das ficções "surreais" do seu realizador. "Surreal", entenda-se, não em relação com o surrealismo, antes nessa encruzilhada em que o poder de amostragem do cinema parece atrair as "formas" do invisível — como se tudo estivesse banhado por uma sensualidade sem fronteiras.

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publicado 01:11 - 17 julho '21

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