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O "thriller" e a sua retórica

Apresentado na secção competitiva de Cannes, "Good Time", dos irmãos Safdie, é um filme dominado pelo esforço de Robert Pattinson no sentido de superar a sua imagem "Juvenil" — esforço meritório, resultados algo retóricos.

O thriller e a sua retórica
Robert Pattinson em "Good Time" — à procura de outra imagem profissional
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 O thriller e a sua retórica
Good Time Um assalto corre mal. Connie consegue escapar, mas o seu irmão Nick foi apanhado. Enquanto Connie tenta reunir o dinheiro para pagar a fiança de Nick, este toma a opção de se evadir. Começa então uma noite repleta de adrenalina, passada no submundo de Nova Iorque.

Por onde vai, ou para onde vai, a carreira de Robert Pattinson?... Digamos que, aos 31 anos (celebrados no passado dia 13 de Maio), o actor inglês ainda não parou de tentar demarcar-se da pesada herança da saga "Twilight" — como se a sua condição de vampiro "juvenil" fosse um assombramento dramático de difícil superação. A sua participação em "Good Time", dos irmãos Benny e Josh Safdie, é mais um passo nesse processo de libertação profissional.

Em boa verdade, este não é, obviamente, o "primeiro" filme de Pattinson depois de "Twilight" — lembremos apenas a sua notável participação no prodigioso "Cosmopolis" (2012), de David Cronenberg. Acontece que "Good Time" será, por certo, um dos seus desafios mais sensíveis, quanto mais não seja pela transfiguração física a que o papel o obriga.

Trata-se de contar a história nova-iorquina de Connie Nikas (Pattinson) e do seu angustiado esforço para ilibar o irmão Nick (interpretado pelo próprio Benny Safdie) de uma série de atribulações em torno de um roubo, de algum modo agravadas pela sua imensa fragilidade emocional. Estamos perante um drama íntimo, literalmente fraternal, que se vai transfigurando num "thriller" urbano encenado sem grandes surpresas.

É pena que este cinema de evidente e sofisticada competência de execução confunda a intensidade dramática com a acumulação de efeitos mais ou menos "confusos", sempre com a câmara a assumir uma velocidade (?) cúmplice das próprias acções físicas. Pattinson safa-se como pode, por vezes confundindo representação com ostentação, mas o certo é que o filme, apesar da convicção que o anima, nunca consegue superar uma retórica fechada sobre si mesma.

Crítica de João Lopes actualizado às 19:38 - 01 outubro '17
publicado 19:21 - 01 outubro '17

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