Os 10 mais marcantes do ano
"Taxi" de Jafar Panahi consagrado em Berlim com o Leão de Ouro: um dos filmes de 2015.

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Os 10 mais marcantes do ano

O balanço Cinemax de 2015 inclui dois documentários, um filme português, uma animação e as duas obras premiados com o Urso de Ouro do Festival de Berlim e com o Óscar de melhor filme.


BIRDMAN, Alejandro Gonzáles IñarrituA pergunta é esta: será que o cinema é um parente incestuoso do teatro? Ou ainda: será que a teatralidade é a mais visceral componente da narrativa cinematográfica? Ao retratar os bastidores da vida dos actores, "Birdman" conseguiu ainda outra proeza: a de colocar o México no coração de Hollywood — isto porque quem realiza é Alejandro González Iñárritu e também porque "Birdman" conseguiu quatro Óscares, incluindo o de melhor filme de 2014.


MÍNIMOS, Pierre Coffin e Kyle Balda Ouçam bem os Mínimos a falar e experimentem essa sensação desconcertante e maravilhosa: por um lado, não sabemos em que linguagem se exprimem; por outro lado, compreendemos todos os sentidos da sua comunicação e também os valores de alegria e solidariedade que os unem. "Mínimos" pode ser um símbolo perfeito da evolução recente dos desenhos animados: ou como a sofisticação técnica não menospreza a herança essencial das fábulas.


MISSÃO IMPOSSÍVEL: NAÇÃO SECRETA, Christopher McQuarrieÉ bem verdade que, ao longo dos últimos anos, temos assistido à banalidade galopante de algumas sagas cinematográficas, enredadas em sequelas e mais sequelas. "Missão Impossível" é uma das excepções. Ou seja: um universo de espectáculo e simbolismo que tem sabido reinventar-se, reforçando o estatuto de Tom Cruise como uma das estrelas mais consistentes da actualidade — além do mais, desta vez, o ecrã gigante das salas IMAX foi decisivo para desfrutarmos o espectáculo.


A PONTE DOS ESPIÕES, Steven SpielbergA história é também a maneira como a contamos e recontamos para as novas gerações. Steven Spielberg, autor de filmes como "Amistad", Império do Sol" e A Lista de Schindler", sabe bem o que isso significa. Desta vez, ele evoca os momentos dramáticos da Guerra Fria em que a cidade de Berlim ficou dividida em duas — na prática, de novo com a colaboração do magnífico Tom Hanks, Spielberg devolve ao cinema o gosto primitivo de fazer história, literalmente, simbolicamente.


O DESAFIO, Robert Zemeckis
Eis um dos mais perturbantes filmes de 2015: uma evocação da proeza de Philippe Petit que, em 1974, num arame, caminhou entre as duas torres do World Trade Center, em Nova Iorque. O realizador Robert Zemeckis consegue devolver às imagens (e ao seu fulgor) as torres que já lá não estão, ao mesmo tempo explorando de forma absolutamente original os recursos do 3D — se é verdade que o cinema pode ser uma expressão das maravilhas da vontade humana, "O Desafio" ilustra tal poder, o seu encanto e também o seu encantamento.


MINHA MÃE, Nanni MorettiÉ um facto que, historicamente, alguns dos filmes que mais subtilmente celebram o desejo de viver, são também obras de aproximação à morte, ao silêncio da morte. "Minha Mãe", o mais recente trabalho de Nanni Moretti renova tal paradoxo, encenando o tempo em que dois adultos, um homem e uma mulher, irmãos, partilham os dias finais da sua mãe. É também mais um exemplo precioso de um cinema italiano que, militantemente, têm sabido não ceder às formatações simplistas da televisão.


TAXI, Jafar PanahiIronia cruel e saborosa: o iraniano Jafar Panahi está proibido de filmar pelos tribunais do seu país e... continua a fazer filmes. "Taxi" é a mais genial das proezas minimalistas: um retrato do dia a dia de Teerão visto a partir da experiência de um motorista de taxi, por assim dizer, descobrindo e celebrando a diversidade do povo a que pertence. Jafar Panahi interpreta o próprio motorista de taxi, como quem diz: “Estou vivo e estas são as imagens que ofereço ao mundo”.


AMY, Asif KapadiaSe é verdade que os documentários têm evoluído no sentido de desafiar os limites da intimidade humana, o retrato de Amy Winehouse assinado por Asif Kapadia constitui um exemplo precioso desse movimento. Sem cedências à demagogia do jornalismo tablóide e cor de rosa, ficamos a conhecer a trajectória trágica daquela que foi uma das vozes mais fascinantes reveladas pelo séc. XXI — o cinema documental passou a ser, afinal, uma presença obrigatória em todos os mercados cinematográficos.


ADEUS À LINGUAGEM, Jean-Luc GodardHá filmes que, realmente, abrem novos mundos para o mundo do cinema. ADEUS À LINGUAGEM, de Jean-Luc Godard, é um desses filmes. Que é como quem diz: uma aplicação dos novos recursos do 3D, não para filmar as aventuras de um qualquer super-herói, antes para celebrar a dimensão mais experimental, e também mais intimista, do cinema — o resultado é uma espécie de melodrama assombrado, sobre os prós e contras do masculino/feminino, tudo a três dimensões.


AS MIL E UMA NOITES, Miguel GomesUm filme em três partes. Ou três filmes que definem uma saga cinematográfica. Seja como for que quisermos definir o trabalho de Miguel Gomes, estamos perante uma experiência fulcral no interior do espaço português do cinema: uma colagem de deambulações fantásticas e fantasistas pelas histórias da Mil e uma Noites que, ao mesmo tempo, nos leva a pensar e repensar o nosso presente português — estreado na Quinzena dos Realizadores, em Cannes, foi também o filme português mais visto nos circuitos internacionais.

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