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Para onde vai "Star Wars"?

Agora com chancela dos estúdios Disney, a saga de "Star Wars" prolonga-se através de um "desvio" à numeração dos seus nove episódios — "Rogue One" revela novos protagonistas, interpretados por Felicity Jones e Diego Luna.

Para onde vai Star Wars?
"Rogue One" é o primeiro desvio da saga aos episódios numerados de "Star Wars"
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 Para onde vai Star Wars?
Rogue One: Uma História de Star Wars Num momento de conflito, um grupo de heróis improváveis une-se numa missão para roubar os planos da Estrela da Morte, uma nova arma de destruição do Império.
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Seja qual for a nossa perspectiva sobre os filmes de "Star Wars" existentes, com a estreia de "Rogue One: Uma História de Star Wars", dirigido por Gareth Edwards, não podemos deixar de questionar o que significa este desvio aos episódios numerados da saga. Com esta pergunta: para onde vão as aventuras galácticas da Aliança Rebelde?

Não é uma pergunta à procura de uma resposta banalmente valorativa. A sua formulação nasce de uma dúvida metódica gerada pela própria mudança de contexto de produção. Este é, de facto, o segundo título da saga com chancela dos estúdios Disney (depois de terem adquirido a Lucasfilm, em 2012, pela soma astronómica de 4 mil milhões de dólares).

A nova "era" começou em 2015, com "O Despertar da Força" (episódio VII), dirigido por J. J. Abrams, uma consistente revisitação da herança de Lucas que, além do mais, sabia que era fundamental não confundir as "acções" espectaculares com um fim em si mesmo — importava preservar a definição cuidada das personagens, em especial na sua dimensão heróica, de modo a garantir as intensidades dramáticas da narrativa (afinal de contas, o legado de Lucas podem também ler-se como uma grande parábola familiar & política).

É isso que começa por faltar ao trabalho de Edwards. Apesar dos esforços dos novos intérpretes, Felicity Jones e Diego Luna (respectivamente como Jyn Erso e Cassian Andor), as personagens são "bonecos" unidimensionais, algo perdidos nas atribulações de muitas cenas que, sem grande brilhantismo, "copiam" as matrizes visuais criadas por Lucas na primeira trilogia que produziu (de 1977 a 1983: "A Guerra das Estrelas", "O Império Contra-Ataca" e "O Regresso de Jedi").

Paradoxalmente, o filme arranca de forma subtil e sugestiva, com a infância dramática de Jyn Erso, valorizando uma elaborada concepção cenográfica e, em particular, permitindo-nos perceber, desde logo, que a música de Michael Giacchino (assumindo com sobriedade a herança de John Williams) é o elemento mais consistente, e também mais brilhante, de todo este projecto — são componentes que, infelizmente, não vão ser devidamente sustentadas ao longo das mais de duas horas que "Rogue One" dura.

Fica-se, enfim, com a sensação de que quase tudo foi gerido através de uma "estética" de jogo de video algo maniqueísta. Os meios de produção impressionam e, num plano estritamente técnico, o filme revela, como é óbvio, uma sofisticação que o coloca na linha da frente da grande indústria. Mas fica por esclarecer como, sobretudo com que lógica dramática e dramatúrgica, é que a marca Disney pretende gerir a pluralidade da herança de Lucas.

Uma nova resposta, por certo essencial, estará seguramente no episódio VIII, assinado por Rian Johnson — ainda não tem título, mas já se sabe que vai estrear nos ecrãs de todo o planeta no dia 15 de Dezembro de 2017.

Crítica de João Lopes actualizado às 21:58 - 15 dezembro '16
publicado 01:02 - 15 dezembro '16

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