Para redescobrir o mundo felliniano
Marcello Mastroianni e Anita Ekberg — Roma, 1960, sob o olhar de Fellini

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Para redescobrir o mundo "felliniano"

Título exemplar da dinâmica do cinema europeu no começo da década de 1960, "La Dolce Vita" regressa às salas: é o primeiro de seis títulos para assinalar o centenário do seu autor, Federico Fellini.

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São seis filmes para redescobrir a herança de Federico Fellini (1920-1993): a Festa do Cinema Italiano e a distribuidora Alambique associam-se, assim, à celebração do centenário do nascimento do cineasta que conseguiu essa proeza rara de gerar o seu próprio adjectivo — felliniano.

Três salas acolherão esta mini-retrospectiva: Espaço Nimas (Lisboa), Cinema Trindade (Porto) e Cinema da Villa (Cascais). A abertura faz-se com "La Dolce Vita / A Doce Vida" (1960), escolha tanto mais adequada quanto, de facto, se trata de um símbolo exemplar de toda uma conjuntura cinematográfica e cinéfila que, tendo a ver com a produção italiana, envolvia todo o espaço cultural europeu.

"La Dolce Vita" ficou como símbolo exemplar de um cinema que ultrapassava a herança clássica (no caso de Fellini, superando definitivamente as matrizes dramáticas herdadas do neo-realismo), ao mesmo tempo que se distinguia por uma observação metódica da transformação das "sociedades de consumo" e, em particular, das suas cidades — recorde-se que, em 1959, Jean-Luc Godard tinha filmado Paris no revolucionário "À Bout de Souffle / O Acossado" e que, em 1963, Lisboa seria a paisagem emblemática de "Os Verdes Anos", de Paulo Rocha.

A personagem de Marcello Mastroianni, toda a sua deambulação pelos cenários humanos de Roma e, em particular, o envolvimento com a star interpretada por Anita Ekberg, são o espelho desencantado do estado das coisas. Com ressonâncias fortíssimas aqui e agora, 60 anos depois: afinal de contas, Marcello, jornalista de escândalos, é testemunha e sintoma de uma vivência de futilidade, iludida pela sua auto-representação libertadora, esgotada no seu esvaziamento moral.


Os seis filmes a exibir surgirão em cópias restauradas, um por semana, até meados de Setembro — eis o calendário:

* 6 de Agosto: LA DOLCE VITA (1960)

* 13 de Agosto: A ESTRADA (1954)

* 20 de Agosto: OITO E MEIO (1963)

* 27 de Agosto: JULIETA DOS ESPÍRITOS (1965)

* 3 de Setembro: OS INÚTEIS (1953)

* 10 de Setembro: A VOZ DA LUA (1990)


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publicado 01:51 - 05 agosto '20

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