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Uma tragédia do século XXI

"Valor da Vida" recorda a destruição do World Trade Center a partir de um universo pouco conhecido: protagonizado por Michael Keaton, o filme segue a acção do Fundo de compensação das vítimas do 11 de setembro.

Uma tragédia do século XXI
Michael Keaton num drama desencadeado pelos atentados de 11 de setembro de 2001
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Revelado no passado mês de janeiro, no Festival de Sundance, "Valor da Vida" (título original: "Worth") surge no mercado português por ocasião do 20º aniversário dos atentados do 11 de setembro. Em qualquer caso, será importante sublinhar que não estamos perante um mero "filme-efeméride".

Trata-se, aliás, de abordar um processo pouco conhecido, muito delicado e, em vários aspectos, perturbante. A saber: a acção do Fundo de compensação das vítimas do 11 de setembro e, muito em particular, o trabalho desenvolvido pelo seu presidente, Kenneth Feinberg.

Interpretado por Michael Keaton, num registo de salutar contenção, Feinberg enfrenta uma tarefa que está muito para lá da experiência acumulada como advogado de situações litigiosas de compensação. Como avaliar (mais especificamente: como quantificar) o modo de assistir os familiares daqueles que foram vitimados por um acto terrorista?


Com argumento de Max Borenstein, o filme dirigido por Sara Colangelo — realizadora de "A Professora de Infância" (2018), com Maggie Gyllenhaal — respeita as matrizes de uma dramaturgia clássica em que o entendimento das dinâmicas colectivas não dispensa, antes sublinha, as singularidades de cada personagem.

Acompanhamos, assim, a saga de Feinberg — por um lado, deparando com a complexidade humana da sua tarefa; por outro lado, tentando lidar com a pressão das companhias aéreas que querem evitar ser alvo de processos por parte dos familiares das vítimas. "Valor da Vida" é, afinal, um filme na melhor tradição liberal do classicismo de Hollywood, agora lidando com uma tragédia do século XXI.

Crítica de João Lopes
publicado 18:22 - 12 setembro '21

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