Sociedade

Venezuela: Onze mandados de detenção relacionadas com reservas de ouro

A Venezuela emitiu hoje mandados de detenção e a confiscação dos bens de 11 cidadãos, assessores do líder opositor Juan Guaidó, a quem acusa de pretender apropriar-se das reservas de ouro venezuelanas, depositadas no Banco de Inglaterra.

Venezuela: Onze mandados de detenção relacionadas com reservas de ouro

© DR

O anúncio foi feito pelo procurador-geral da Venezuela, designado pela Assembleia Constituinte, Tarek William Saab, durante uma conferência de imprensa transmitida pela televisão estatal venezuelana.

Cinco desses cidadãos, Ricardo Adolfo Villasmil, Giacoma Cuius, Manuel Rodríguez, Nelson Lugo e Carlos Suárez, são acusados de usurpar as funções da Junta de Direção do Banco Central da Venezuela.

Outros três, José Ignácio Hernández, Irene De Lourdes Loreto e Geraldine Afiuni são acusados de se fazerem passar por falsos funcionários do inexistente Escritório do Procurador Especial nomeado por Juan Guaidó.

Os restantes, Vanessa Neuman, Júlio Borges e Carlos Vecchio, são também acusados de se fazerem passar por “falsos representantes de Venezuela” para a “apropriação do ouro venezuelano”.

Estas 11 pessoas são ainda acusadas de traição à pátria, associação para cometer delito e de se unirem a interesses de potências estrangeiras.

O Governo venezuelano ordenou, quinta-feira, uma “investigação penal” local para determinar os alegados responsáveis pelo que diz ser “o roubo de ouro venezuelano” que se encontra no Banco Central da Inglaterra.

O anúncio tem lugar depois de o Tribunal Comercial de Londres decidir que é o líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, e não o Presidente, Nicolás Maduro, quem tem autoridade sobre as reservas de ouro depositadas naquele banco.

“Querem entregar as nossas riquezas a potências estrangeiras, em vez de que serem usadas para comprar medicamentos e alimentos necessários para o país (…) a desculpa foi criar um governo interino, um parapeito que (Donald) Trump encontrou para retirar os ativos da Venezuela no exterior”, disse o procurador venezuelano.

Segundo Tarek William Saab a ação do governo britânico foi planejada pelos EUA em 2019, na Casa Branca “e incorporou ativamente vários países da União Europeia, entre eles a Inglaterra”.

O procurador acusou a Embaixada de Espanha na Venezuela de estar envolvida e acusou o fundador do partido Vontade Popular, Leopoldo López (refugiado na embaixada espanhola) de fazer parte da conspiração.

“Lepoldo López e a sua família são responsáveis por um plano nacional de saque do nosso país, a troco de migalhas dos EUA e dos seus governos satélites da União Europeia”, acusou.

Segundo Tarek Saab a Venezuela deixará de reconhecer estsatuto diplomático ao atual embaixador da Inglaterra em Caracas, Andrew Soper.

Uma sentença do Tribunal Comercial de Londres, que pertence ao Tribunal Superior de Justiça, emitida quinta-feira reconhece o poder de decisão à administração interina do Banco da Venezuela nomeada pelo presidente da Assembleia Nacional e líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó.

Depois de ouvir as partes, o juiz Nigel Teare concluiu que o Governo do Reino Unido reconheceu "inequivocamente" Guaidó como "Presidente constitucional interino" do país latino-americano e, portanto, são os administradores por ele indicados para o Banco Central da Venezuela quem tem autoridade sobre as reservas.

Em causa estava a decisão sobre se era a administração do Banco Central da Venezuela presidida por Calixto Ortega, nomeado por Maduro, ou o conselho interino, nomeado por Guaidó, quem tem o direito de gerir as reservas de 31 toneladas de lingotes de ouro depositadas no banco central britânico.

A crise na Venezuela agravou-se desde janeiro de 2019, quando o presidente da Assembleia Nacional (parlamento), o opositor Juan Guaidó, jurou publicamente assumir as funções de Presidente interino do país, até afastar Nicolás Maduro do poder, convocar um Governo de transição e eleições livres.

Desde o reconhecimento de Guaidó, como Presidente interino pelo Governo britânico, que o Banco de Inglaterra recusou sistematicamente a Caracas devolver parte das reservas de ouro que o país sul-americano possui em seu nome.

C/Lusa