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Lina & Raül Refree - Disco Antena1

Nomeado aos prémios Music Moves Europe 2021

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Lina & Raül Refree - Disco Antena1

O projeto Lina_Raül Refree, que junta a cantora portuguesa Lina e o músico espanhol Raül Refree, está entre os nomeados dos prémios Music Moves Europe 2021, da Comissão Europeia, destinados a artistas emergentes na Europa.
A edição de 2021 decorre no âmbito do Festival Eurosonic (ESNS), em Groningen (Holanda), entre 13 e 16 de janeiro. Nomeados estão 16 nomes da nova música europeia e além deste lote nomeado por júri há agora a grande votação do público que escolhe o Prémio Especial do ano e onde todos podem participar.
Lina_Raúl Refree é o projeto com marca nacional, depois de marcarem presença em Groningen, na edição de 2020 do festival.
A fadista Lina e o músico e produtor catalão Raül Refree, que já trabalhou com artistas como Lee Ranaldo, Sílvia Perez Cruz e Rosalía, são Lina_Raül Refree. A dupla explora temas de Amália Rodrigues, dando-lhe uma nova sonoridade eletrónica. 
Em 2020, editaram um álbum homónimo, que inclui canções como “Foi Deus”, “Medo” ou “Gaivota”.
Todos os vencedores dos Music Moves Europe 2021 serão anunciados a 15 de janeiro, no Festival Eurosonic.
A votação decorre até 7 de janeiro através do site do Music Moves Europe Talent Awards.
O vencedor do Public Choice Award 2021 recebe um prémio adicional de 5.000€. Os 16 nomeados serão recompensados com apoios para a promoção e um showcase no ESNS. Dos 16 nomeados, o júri selecionará 8 vencedores. Cada vencedor recebe um prêmio no valor de 10.000 € para promoção internacional.
Na última edição dos prémios Music Moves Europe Talent Awards, a artista Pongo foi uma das vencedoras anunciadas.

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Ouça Ana Sofia Carvalheda à conversa com Lina e Raul Refree.

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Ao vivo no dia 16 de Janeiro 2020 em Groningen, Paises Baixos, no EUROSONIC:






Raul Refree encontrou Lina em Lisboa, numa viagem que fez para procurar a alma do fado de que tanto tinha ouvido falar. A ideia de se juntarem num estúdio ocorreu depois de a ouvir cantar no Clube de Fado e pouco depois, mercê de amigos comuns, cruzaram-se ambos numa sala especial, nos arredores da capital. Rodeado de sintetizadores vintage, de Moogs e Arps, de Oberheims e Rolands, mas também com o piano muito perto, Raul emoldurou a voz de Lina em névoa analógica, deixando as guitarras do fado na nossa imaginação, mas retendo toda a força de uma garganta carregada de verdade. A abordagem de Raul, entre o instinto e o improviso, fez-se sem conhecimento prévio dos arranjos originais do reportório que a fadista se propôs abordar, clássicos canónicos que conhecia muito bem.

E Lina mostrou-se à altura do desafio. Estudante atenta da obra de Amália, escolheu uma série de pérolas do reportório da Diva com o intuito de as usar como base de comunicação. Como se este projecto nascesse de uma busca do assombro, da essência. Já com um percurso dentro do fado muito sólido, mas também com estudos de canto lírico que lhe moldaram a entrega séria que possui, Lina partiu para esta aventura com uma bagagem muito funda, com plena noção do que a sua voz consegue transmitir.

Os arranjos resultaram extraordinários. Refree, que tem uma longa carreira na pop mais desafiante e que como produtor já assinou dezenas de trabalhos, de Sílvia Perez Cruz a El Niño de Elche ou Lee Ranaldo, além da já mencionada Rosalía, é um artista de extraordinária intuição. Desconhecendo a dimensão das peças a que Lina deu voz naquelas sessões, sentado ao piano acústico ou no Wurlitzer, socorrendo-de de algum dos sintetizadores do seu arsenal analógico, Raul partiu para estas sessões livre de dogmas, de limites, sem outra coisa para o guiar que não fosse a sua própria vontade de explorar e, claro, a luz que reconhecia na voz e na entrega da sua companheira de aventura.

Lina, com voz maturada pelas noites nas casas de fado, pela sua própria devoção por Amália e por todas as grandes vozes que ouviu, sentiu e estudou, é uma artista verdadeiramente especial: soa como se tivesse nascido no meio da história, a ouvir as divas a ecoarem nas vielas da sua imaginação. Soa autêntica e comovente. E por isso conquistou Refree.



Em temas como “Barco Negro” ou “Foi Deus”, “Ave Maria Fadista”, “Medo” ou “Gaivota”, qualquer um deles um monumento maior da memória do fado, Lina mostra-se artista completa, verdadeira e de um talento capaz de nos assombrar a todos. As suas interpretações são sobretudo humanas, emocionantes, preferindo arrancar as palavras ao coração do que moldá-las com a técnica que também estudou. Essa entrega oferece uma outra luz ao fado nos arranjos que Raul Refree imaginou naqueles momentos de partilha. Sem truques ou filtros, mas com arte e com uma abordagem nunca antes tentada vestindo o fado com uma inédita roupagem electrónica que ao invés do o desvirtuar só lhe reforça a condição universal.

Raul Refree encontrou um novo desafio em Lisboa. Essa busca do que é novo e sem tempo e do que estremece e que o mundo precisa de ouvir foi o principal impulso para este encontro. Mesmo que para tanto fosse necessário desafiar as regras. É assim, afinal de contas, que se faz história.

Alinhamento

  • 01-Medo
  • 02-Cuidei que tinha morrido
  • 03-Sta Luzia A Mulher que já foi tua
  • 04-Destino
  • 05-Gaivota
  • 06-Quando eu era Pequenina
  • 07-Maldição
  • 08-Foi Deus
  • 09-Barco Negro
  • 10-Fado Menor Os meus olhos são dois círios
  • 11-Ave Maria Fadista
  • 12-Voz Amália de nó