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Aldina Duarte - "Quando Se Ama Loucamente"

Edição dia 13 de Outubro

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Aldina Duarte - Quando Se Ama Loucamente

Quando se Ama Loucamente é o novo disco de Aldina Duarte a ser editado no dia 13 de Outubro.

A cantora esteve no "Programa da Manha" onde conversou com António Macedo e interpretou canções do novo álbum.








Ouvir 1ª parte



Ouvir 2ª parte





A proposito do seu novo trabalho, Aldina Duarte conversou também com Ana Sofia Carvalhêda:


Aldina, “quando se ama loucamente”. Ou “quando se ama loucamente”, Aldina?

Há um ano, Manel Cruz (Ornatos Violeta) enviou-lhe um tema, por e-mail, feito a pensar nela, “Quando se ama loucamente”. Inesperadamente o mote para um novo disco estava dado. Aldina Duarte decide escrever uma autoficção em verso para fados tradicionais, um elogio da paixão, uma história verdadeira onde o tempo e o espaço são ficcionados a partir da obra literária de Maria Gabriela Llansol, uma das suas escritoras. Aldina faz um novo e singular disco conceptual, raro na história do fado, também por ser a primeira fadista/letrista a escrever um disco seu na íntegra: uma autoficção e simultaneamente um tributo a Maria Gabriela Llansol.


São seus cúmplices criativos, para além de Pedro Gonçalves (Dead Combo), Paulo Parreira, Rogério Ferreira, Isabel Pinto e Rui Garrido, Manel Cruz, João Barrento, Hélia Correia e Pedro Cabrita Reis.
O conhecimento da fadista sobre o repertório da história do fado é absolutamente relevante na selecção das músicas deste disco, feita
a partir de uma excelente parte do espólio de melodias do Fado Tradicional, que não foram gravadas nos últimos trinta anos, pelo
menos: “Casa do Esquecimento” no Fado Bizarro; “No Amor do teu Nome” no Fado Alexandrino Martinho d’Assunção; “Fora do
Mundo” no Fado Calixto; “Quem Me Vê” no Fado Mortalhas; “Uma Graça Antiga” no Fado das Sardinheiras; “Senhora dos Meus
Passos” no Fado Vanda. As suas interpretações e voz únicas atingem neste disco o auge da fadista, segundo a opinião de Pedro Gonçalves, que decidiu apostar na gravação em bloco da voz com os instrumentos, após cerca de seis meses de rodagem dos temas, entre ensaios, casa de fados e concertos. A sonoridade, a tensão e a interioridade das interpretações vocais e instrumentais estão mais próximas do melhor que se ouve no fado “ao vivo”, isto é, a cumplicidade e a capacidade de improviso deste trio que actua diariamente, há 12 anos, no Sr. Vinho. A assinatura de Pedro Gonçalves está, também, na originalidade da abertura deste disco, um verdadeiro “Conto de Fadas”, o qual Aldina Duarte canta acompanhada somente por uma “caixinha de música”.


Se, por um lado, a musicalidade das palavras e a subtileza da linguagem nas letras de Aldina Duarte, a par do casamento perfeito com o registo emocional das melodias, chega a fazer pensar quem ouve que estes fados sempre existiram, por outro, o seu talento
interpretativo e a sua criatividade fazem dela uma das fadistas/intérpretes mais originais e marcantes.
O único fado deste disco que não é escrito por Aldina, “Beijo Enganador”, de Maria do Rosário Pedreira, o emblemático fado Cravo, de Alfredo Marceneiro, outra melodia sabiamente escolhida pela fadista e uma das interpretações que definem o estilo “Aldina”.
Ironia do destino, ou não, Aldina grava uma composição inédita guardada há 40 anos, que lhe é oferecida pelo seu músico Rogério
Ferreira, da autoria do seu pai, José Ferreira, também ele viola, nascendo assim na voz de uma fadista em pleno século XXI um
novo fado tradicional - “Refúgio” no Fado Ferreira - um dos temas mais belos deste disco.


Se já nos habituámos às suas aparentemente improváveis parcerias artísticas, Manel Cruz excede as expectativas ao criar uma linhamelódica para “a voz inteligente”, como se diz dela, e a alma emocionante de Aldina, um novíssimo caminho que nos deixa curiosos e com vontade de vê-los percorrer juntos. Aqui está um exemplo de quando a forma faz jus ao conteúdo, enquanto objecto este CD é espantoso fotográfica e graficamente. Um conceito aproxima e contagia criativamente todos os envolvidos; os fados, os textos, um lido por João Barrento e outro escrito por Hélia Correia, ambos uma homenagem a Maria Gabriela Llansol, a aguarela de Pedro Cabrita Reis, autor da escultura “A Casa do Esquecimento”, que acaba por ser também o título de um dos grandes fados deste disco.