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Império dos Sentidos Paulo Alves Guerra / Produção: Ana Paula Ferreira

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Ana Luísa Amaral (1956-2022)

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Ana Luísa Amaral (1956-2022) Ana Luísa Amaral (1956-2022)

© Jorge Carmona / ed. LDS / Antena 2


Ana Luísa Amaral (1956-2022)

Do Som que os Versos fazem com a Vida

Ana Luísa Amaral morreu esta sexta-feira, 5 de Agosto. 
Esta é a sentida homenagem de Luís Caetano e da Antena 2 à grande poeta portuguesa, vencedora do Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana, entre tantos outros.
Para ouvir a emissão especial de A Força das Coisas, aqui.


A Antena 2 teve o privilégio de emitir semanalmente, durante cinco anos e meio, poemas abertos pela voz da poeta em O Som que os Versos fazem ao Abrir.
Uma profunda viagem pela poesia, que começou em Emily Dickinson, passou por tantos autores que usaram palavras e imagens simples para nos falar das verdades mais fundas da vida, do mundo e do ser humano, e numa estranha coincidência de fecho de ciclo, quase finaliza com a poetisa americana de sua eleição, no passado dia 22 de junho. 
Apenas e para fechar a 6ª temporada - e sabemos agora, estas conversas com Luís Caetano -, Ana Luísa Amaral quis deixar-nos Poemas de Amor, de Lorca, Sophia, Tamen, E. B. Browning e de Eugénio de Andrade.


Ana Luísa Amaral com Luís Caetano,
no Festival Antena 2, em 2017


Pela mão de Luís Caetano, Ana Luísa Amaral esteve presente nos últimos dez anos na rádio pública. Desde uma já longínqua conversa numa das Correntes d'Escritas, às intervenções esporádicas em vários programas, incluindo o Festival Antena 2.


Ana Luísa Amaral com Luís Caetano,
no Folio 2021, em Óbidos

A 15 de Julho foi transmitida a última conversa de Ana Luísa Amaral com Luís Caetano, aquando da apresentação da sua poesia completa, na Galeria da Biodiversidade, no Porto. São 32 anos de criação poética, 17 livros reunidos no volume O Olhar Diagonal das Coisas, publicado pela Assírio & Alvim.
Uma Ronda da Noite, de despedida, para escutar aqui.


Ana Luísa Amaral com Luís Caetano,
no Festival Antena 2, no Porto, em 2022 



Ana Luísa Amaral no Folio 2021, em Óbidos


Ana Luísa Amaral (Lisboa, 5 de Abril de 1956 - Porto, 5 de Agosto de 2022)
Autora de uma obra literária extraordinária, da Poesia, ao teatro, à ficção, à literatura infantil, ao ensaio, foi uma exímia e dedicada tradutora, em particular de poetas de língua inglesa. 
Os seus livros de poesia estão editados em vários países como Estados Unidos da América, França, Brasil, Suécia, Holanda, Venezuela, Itália, Colômbia, México, Reino Unido e na Alemanha.
O seu doutoramento, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, versou sobre a poesia de Emily Dickinson, e as suas áreas de investigação de eleição eram acerca das Poéticas Comparadas, Estudos Feministas e Estudos Queer. Professora Associada daquela Faculdade, integrava também a direção do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa.

Ana Luísa Amaral com Luís Caetano Carlos Quiroga,
nas Correntes d'Escritas, em 2017


Foi agraciada em inúmeros momentos pela sua obra literária e de cidadania: o Prémio Literário Casino da Póvoa/Correntes d’Escritas (2007) e o Prémio de Poesia Giuseppe Acerbi, Mantua, Itália (2008), com o livro A génese do amor, o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, com o livro Entre Dois Rios e Outras Noites (2008), o Prémio Rómulo de Carvalho/António Gedeão, 1ª edição, com o livro Vozes (2012)[, o Prémio PEN de Narrativa da Associação Portuguesa de Escritores, com o romance Ara (2014), a 
Medalha de Ouro de Mérito da Câmara Municipal de Matosinhos (2015), a Medalha de Mérito - Grau Ouro da Câmara Municipal do Porto (2016), o Premio Internazionale Fondazione Roma: Ritratti di Poesia (2018), o Prémio de Ensaio Jacinto do Prado Coelho, da Associação Portuguesa de Críticos Literários (2018), com o livro Arder a palavra e outros incêndios (2018), Prémio Literário Guerra Junqueiro (2020), o Prémio Livro do Ano de Poesia do Grémio de Librerias de Madrid, com o livro What's in a Name (2020), o Prémio Leteo (2020), o Prémio Literário Francisco Sá de Miranda, com o livro Ágora (2021), o Prémio Virgílio Ferreira, atribuído pela Universidade de Évora (2021), e o XXX Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-americana (2021), e o grau de Comendador da Ordem de Sant’Iago da Espada, pelo Estado Português (Abril 2022).

 
Ana Luísa Amaral no Folio 2021, em Óbidos



Fotos Jorge Carmona / Antena 2
exceto em Correntes d'Escritas