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Império dos Sentidos
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Império dos Sentidos Paulo Alves Guerra / Produção: Ana Paula Ferreira

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Caleidoscópio I | Sábado 22h00 | Segunda 13h00 | Quarta 5h00

Giro 78: viagens sonoras em goma-laca | Pedro Aragão

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Caleidoscópio I | Sábado 22h00 | Segunda 13h00 | Quarta 5h00 Caleidoscópio I | Sábado 22h00 | Segunda 13h00 | Quarta 5h00

A Antena 2 apresenta a partir do início de Outubro até ao final de Dezembro, a série do programa Caleidoscópio intitulada Giro 78: viagens sonoras em goma-laca, da autoria de Pedro Aragão e Susana Sardo, numa parceria com o projeto de investigação Liber|Sound.


Sábados 22h00 | 2ª feiras 13h00 | 4ª feiras 5h00



Giro 78: viagens sonoras em goma-laca

Por Pedro Aragão e Susana Sardo


Durante toda a primeira metade do século XX, o disco de 78 rpm (ou disco de goma-laca) foi o suporte de gravação comercial mais difundido em todo o mundo. Através dos sulcos dos discos foi possível transportar – pela primeira vez na história – não apenas a representação de práticas musicais – as partituras – mas as próprias vozes e sons de instrumentos de homens e mulheres por diferentes continentes. 
No que concerne a países e territórios como Portugal, Brasil, Moçambique e Goa, o disco de 78 rpm foi o suporte utilizado para registar não apenas práticas musicais locais (como o fado português e o maxixe brasileiro) mas para estabelecer redes transoceânicas de trocas e trânsitos entre estes géneros. Parte expressiva deste património, entretanto, está hoje esquecida em acervos inacessíveis ao grande público. 
A série de 12 programas radiofónicos ora apresentada tem por objetivo principal devolver à história as vozes e os sons encerrados em sulcos de goma-laca, apresentando, de forma lúdica e fartamente ilustrada com exemplos musicais e entrevistas, a trajetória de artistas que marcaram a fonografia em espaços de herança lusófona. 
A equipa responsável pela conceção e realização da série é transnacional e transdisciplinar, formada por representantes de Brasil, Portugal, Moçambique e Índia (Goa), reunindo etnomusicólogos (Pedro Aragão, Susana Sardo, Alexsander Duarte, Timóteo Cuche, Maya Suemi Lemos), técnicos de som (Isaac Raimundo/Universidade de Aveiro), técnicos em arquivística (Cristiano Tsope/Rádio Moçambique), gestores de acervos (Felizmina Velho/Rádio Moçambique e Bia Paes Leme/Instituto Moreira Salles), especialistas em teatro musical (Ângela Reis/UNIRIO) e radialistas (Oscar Noronha/Rádio Renascença).




Episódios

Ep. 1 | 1 Outubro
Música gravada, comunidades conectadas
Um pouco da história dos discos de goma-laca, ou discos de 78 rotações por minuto, em quatro territórios da lusossonia: Moçambique, Portugal, Brasil e Goa. Através de depoimentos de especialistas sobre a história da fonografia, aprenderemos um pouco mais sobre o fantástico mundo dos fonógrafos e dos discos de goma laca, os primeiros suportes que permitiram que o som fosse “congelado” em sulcos de cera, rompendo barreiras geográficas e temporais.
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Ep. 2 | 8 Outubro
Discografias em trânsito: Brasil, Portugal, Moçambique e Goa
A história e as estórias por trás de alguns dos principais acervos de discos de goma-laca em territórios lusófonos. Através de depoimentos de colecionadores e especialistas em discos de 78 rpm, vamos conhecer um pouco da história das vidas humanas, das paixões e do fascínio que estão por trás de coleções que guardam parte do património musical em territórios da lusofonia.
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Ep. 3 | 15 Outubro
Ester de Abreu e o programa Paisagens de Portugal
A história da cantora e atriz portuguesa Ester de Abreu, radicada no Brasil na década de 1940, onde obteve imenso sucesso comercial, tendo estreado num programa da Rádio Nacional do Rio de Janeiro intitulado “Paisagens de Portugal”. Ao ritmo do fado, do samba-canção, do bolero e da marchinha de carnaval, vamos escutar as histórias de uma artista que, além de gravar dezenas de discos de 78 rpm no Brasil, também atuou no teatro, na rádio e no cinema.
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Ep. 4 | 22 outubro
Releituras transatlânticas
Releituras – através de intérpretes da atualidade – de antigas músicas que estavam esquecidas em antigos discos de 78 rpm. Durante toda a primeira metade do século XX os discos de goma-laca estabeleceram pontes sonoras e vínculos afetivos entre diferentes países e territórios da lusofonia. Este vasto património sonoro, longe de se confinar ao passado, também serve para iluminar o presente. O episódio é inteiramente dedicado às releituras atuais de músicas originalmente gravadas em discos de 78 rpm e que expressam diálogos musicais entre Brasil, Portugal e Moçambique.
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Ep. 5 | 29 outubro
As cores do som: representações da África no Brasil e em Portugal através da indústria fonográfica
Durante toda a primeira metade do século XX, sons oriundos da diáspora africana no Brasil e em Portugal foram sistematicamente silenciados pela opressão das elites brancas e pela herança do passado esclavagista destes países. Este programa tem por objetivo mostrar como os diferentes processos de representação sonora de uma África imaginada no Brasil e em Portugal. Aborda ainda o processo de construção de estereótipos raciais através do som e as estratégias de inserção de músicos e sonoridades negras no âmbito da indústria fonográfica.
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Ep. 6 | 5 novembro
Fadistas pelo mundo
A indústria fonográfica representou uma porta de entrada para cantores e instrumentistas de fado portugueses em Moçambique, Brasil e Goa. Reconhecidos e apreciados pelas comunidades portuguesas fora do país, tais cantores tiveram expressivo sucesso comercial como “embaixadores portugueses” em “terras de além-mar”. Este programa apresenta um panorama destes cantores e cantoras que tiveram papel de destaque na divulgação do fado em âmbito internacional.
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Ep. 7 | 12 novembro
O teatro no disco: paisagens cênicas e sonoras impressas em goma-laca entre Brasil, Portugal e Goa
A segunda metade do século XIX é marcada pela ascensão do teatro musical (ou teatro de revista) como elo fundamental na construção de sistemas de entretenimento transnacionais. Formado por “esquetes” que conjugavam números musicais com enredos cómicos ou satíricos, as peças de teatro de revista conectavam diferentes territórios da lusossonia, transformando géneros musicais locais (como o fado e o maxixe) em géneros transnacionais. No início do século XX o disco de 78 rpm passa a integrar este sistema de entretenimento, levando para os sulcos dos discos as representações dos palcos. Este programa é focado na história destas gravações que registaram os sons dos palcos entre Portugal, Brasil e Goa entre os anos de 1900 e 1930, e no papel das companhias de teatro portuguesas na criação de rede e corredores transatlânticos formadas por artistas, cantores, cenógrafos e autores teatrais.
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Ep. 8 | 19 novembro
O disco sob a ótica colonial
Para além de um sistema de entretenimento, a fonografia também foi utilizada para fins políticos, através do uso de práticas musicais e de artistas do rádio e do disco como ferramentas de dominação cultural e colonial. Este programa tem como foco a Rádio Moçambique e a antiga Emissora de Goa: através de um passeio histórico sobre seus acervos sonoros, pretende-se mostrar os usos políticos destes meios de comunicação como instrumentos de dominação portuguesa.
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Ep. 9 | 26 novembro
As mulheres no contexto da lusossonia: representações femininas em discos de 78 rpm
Ao longo de todo o século XX a indústria fonográfica teve papel preponderante na criação de estereótipos sonoros através da criação de caricaturas raciais, coloniais e de género. Este programa mostra o papel das mulheres no contexto da lusossonias e suas representações na fonografia em diferentes países e territórios.
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@ Museu RTP


Ep. 10 | 3 dezembro
Artistas em trânsito
O desenvolvimento da tecnologia de gravação sonora propiciou o surgimento de um star system, composto por artistas que desenvolveram carreiras ligadas ao disco e também ao rádio. Para além daqueles que obtiveram reconhecimento nacional nos seus respetivos países, houve artistas que cruzaram fronteiras nacionais e tornaram-se agentes de disseminação de práticas musicais locais em terras estrangeiras. Este programa apresenta um passeio sonoro pela discografia de artistas que tiveram papel de destaque na criação de pontes musicais entre os diferentes territórios da lusossonia.
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Ep. 11 | 10 dezembro
Retratos da sociedade: crítica social através da música em discos de goma-laca
O século XX foi um período social, político e económico conturbado, que se pautou pela mudança de dinâmicas antigas para dinâmicas novas através de regimes políticos diferentes, guerras, revoltas, opressão, clandestinidade, censura, colonialismo, emigração, entre outros, até um passado algo recente. A música (e as artes, em geral) refletiram - quando o sistema de censura o permitia - o clima social em países como Brasil, Portugal, Moçambique e Índia. Este programa aborda a crítica social através da música, mostrando o papel satírico, irónico e disruptivo com que as vozes contrafeitas aos regimes políticos e sociais se manifestaram através da arte.
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Ep. 12 | 17 dezembro
Trânsitos sonoros na música de Cabo Verde
Ainda que focado no estudo dos trânsitos sonoros em Portugal, Brasil, Moçambique e Goa, o projeto LiberSound também inclui na sua equipa investigadores especializados na música de Cabo Verde. Este programa representa um “bônus” no escopo da série, e apresenta um pouco das sonoridades em trânsito que compõem a musicalidade cabo-verdiana.
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Ep. 13 | 24 dezembro
Memórias sonoras em goma-laca
O disco de 78 rpm fez parte do quotidiano de milhões de pessoas ao longo da primeira metade do século XX. O último programa da série apresenta depoimentos de músicos, colecionadores e investigadores de diferentes territórios da lusossonia sobre as suas respetivas memórias sonoras e afetivas a partir de discos de 78 rpm.
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Pedro Aragão | Investigador Equiparado a Auxiliar da Universidade de Aveiro. Os seus interesses de pesquisa incluem música popular brasileira, arquivos sonoros, relações entre indústria fonográfica e música popular e lusofonia. 
É autor do livro Alexandre Gonçalves Pinto e 'O Choro', que recebeu em 2012 o Prémio Silvio Romero IPHAN – MINC (2ª colocação) e o Prémio Funarte de Produção Crítica em Música 2013. É organizador (com Bia Paes Leme, Paulo Aragão e Marcilio Lopes) dos livros Pixinguinha, Inéditas e Redescobertas, Pixinguinha: Outras Pautas e Carnaval de Pixinguinha reunindo arranjos orquestrais desse compositor brasileiro para a rádio nas décadas de 1940 e 1950. 
Atuou como Professor Visitante na Universidade de Aveiro entre 2015 e 2016, onde desenvolveu pesquisa pós-doutoral sobre acervos sonoros em 78 rpm em Portugal e Brasil. 
É também bandolinista, tendo realizado concertos e workshops sobre música brasileira em países como França, Espanha, Bélgica, Dinamarca, Peru e Colômbia.



Susana Sardo | Professora Associada de Etnomusicologia na Universidade de Aveiro e Professora Visitante da Cátedra Cunha Rivara na Universidade de Goa /India. É doutorada em Etnomusicologia pela Universidade Nova de Lisboa. 
Desde 1987 tem desenvolvido trabalho de investigação sobre Goa e sobre música e lusofonia. Os seus interesses de investigação incluem música e pós-colonialismo, música no espaço lusófono, incluindo Portugal onde tem igualmente desenvolvido trabalho de investigação sobre processos de folclorização, música e pós-ditadura e arquivos de som e imagem. 
É autora do livro Guerras de Jasmim e Mogarim: Música, Identidade e Emoções em Goa (Texto, 2010) que recebeu, em 2012, o Prémio Cultura da Sociedade de Geografia de Lisboa. As suas outras publicações incluem a coordenadora da colecção "Viagem dos Sons" (Tradisom, 1998), e a co-edição de Historical Sources of Ethnomusicology in Contemporary Debate (Cambridge Scholars Publishing, 2017). 
Em 2008 foi nomeada representante de Portugal no Conselho de Curadores na Fundação Cultural Europamusicale, com sede em Munique. E em 2017 foi eleita co-chair do Study Group of Historical Sources do International Council for Traditional Music. 
É coordenadora, na Universidade de Aveiro, do pólo do Instituto de Etnomusicologia (INET-md).



A série de programas radiofónicos Giro 78: viagens sonoras em goma-laca surge como uma parceria entre a Antena 2 e o projeto de investigação científica Liber|Sound: práticas inovadoras de arquivamento para a libertação da memória sonora. Música gravada, experiências transcontinentais, comunidades conectadas.


Desenvolvido pela Universidade de Aveiro e pelo Instituto de Etnomusicologia – Centro de Música e Dança (polo Aveiro), o projeto é financiado pela Fundação para Ciência e Tecnologia de Portugal e por fundos europeus. 
Tem por objetivo o estudo transatlântico de práticas musicais registadas pela indústria fonográfica em países e territórios que compartilham entre si um contacto histórico com Portugal e que hoje jazem esquecidas em suportes obsoletos de registo como discos de 78 rpm. 
Para além disso, pretende promover a recuperação deste património sonoro com foco especial em quatro acervos específicos: a Discografia Brasileira em 78 rpm, organizada pelo Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro, e que reúne cerca de 60.000 fonogramas gravados no Brasil entre 1902 e 1964; a Coleção José Moças da Universidade de Aveiro, uma das maiores coleções de discos 78 rpm em Portugal, reunindo cerca de 6795 fonogramas; o Acervo da Rádio Moçambique, criada em 1932 e que reúne uma coleção de 22.000 fonogramas; o Acervo da All India Radio, antiga Emissora de Goa, composta por cerca de 400 discos de 78 rpm.