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Caleidoscópio II | Domingo 22h00 | Quarta 13h00 | Sábado 5h00

O Carnaval dos Animais | Ana Margarida Flor e João Chambers

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Caleidoscópio II | Domingo 22h00 | Quarta 13h00 | Sábado 5h00 Caleidoscópio II | Domingo 22h00 | Quarta 13h00 | Sábado 5h00

A Antena 2 estreia no início de Janeiro uma nova série do programa Caleidoscópio, intitulada O Carnaval dos Animais, da autoria de Ana Margarida Flor e João Chambers. Até 29 de Março.


Domingos 22h00 | 4ª feiras 13h00 | Sábados 5h00



O Carnaval dos Animais 
Um programa de Ana Margarida Flor e João Chambers


De Animalibus in Littera

Presença omnipresente no quotidiano de ricos e pobres de todos os tempos e nações, a fauna e a sua representação artística constituem uma temática preciosa e fascinante sobre a qual importa reflectir. Quer como parte integrante do tema principal, quer como meros elementos decorativos da paisagem, quer, ainda, quando não protagonistas, como encarnação de virtudes e obsessões humanas descritas em si mesmas, os animais têm sido objecto de profícua atenção nas artes, em geral, e na literatura, em particular. 

Sendo possível identificar duas grandes concepções ao nível da relação entre o homem e os animais - uma mais alegórica e simbólica e outra, sobretudo, utilitária e real - o conceito desta série de treze programas pretende abordar, de forma desenvolvida, ainda que não exaustiva, o recurso aos bichos como metáforas de comportamentos humanos com os quais, bastas vezes, se relacionam, surgindo como uma espécie de prolongamento das personagens retratadas. Através de um percurso por diversos livros produzidos com base numa matriz de forte influência judaico-cristã e incluídos num arco temporal desde a Antiguidade Clássica até ao século XX, as emissões abordarão três blocos temático-espaciais, onde se incluem animais do ar, do mar e da terra que abarcam os míticos, os selvagens e os domesticados.   
Optando por uma lógica nem sempre diacrónica, as emissões contemplarão textos emblemáticos como as fábulas "A Raposa e o Corvo" ou "A Cigarra e a Formiga", ambas atribuídas a Esopo, mitógrafo do século VI a.C., e de tradição oralizante, recontadas por Christiane Angelotti, a primeira, e Jean de La Fontaine, a segunda, "O Livro dos Gatos" de T.S. Eliot, "O Triunfo dos Porcos" de George Orwell ou "Sermão de Santo António aos Peixes" do Padre António Vieira, passando por figuras de relevo diegético menor embora, por isso, não menos conhecidas. A título de exemplo lembramos Argos, Baloo, Bonifácio, Rocinante ou Carnaval da Vitória, respectivamente um cão, um urso, um gato, um cavalo e um porco, os quais estabelecem com os seus donos uma relação deveras vital e intrincada.  
Com O Carnaval dos Animais, título de uma obra metafórica e programática de Camille Saint-Saëns, pretende-se, pois, traçar uma incursão cativante e surpreendente pelo reino dos ditos, abordando a sua relação ora difícil, ora amistosa, com os humanos em função dos quais em tão alto grau existe.   
Ana Margarida Flor/João Chambers    
[Os autores escrevem de acordo com a antiga ortografia]


“Adão nomeia os animais”, Bestiário de Aberdeen
folio 5, escrito e iluminado em Inglaterra, c. 1200.


Programas 

Prog. 1 | 5 Janeiro
“O Carnaval dos Animais”: uma sátira musical 
ilustrada, além da poesia de Francis Blanche, através de repertório oriundo da Antiga Grécia do poeta lírico Anacreonte, de Wolfgang Amadeus Mozart e de Camille Saint-Saëns.
Para ouvir, clicar aqui.

Camille Saint-Saëns fotografado por Nadar, c. 1910

Partitura de O Carnaval dos Animais anotada por André Kostelanetz. 
Excerto da partitura do andamento “Aquarius”. 
Página inicial da partitura “Fósseis” com um desenho do próprio compositor


Prog. 2 | 12 Janeiro
A tradição animal na literatura: fábulas, bestiários e metamorfoses 
e, para lá da poesia de Jean de La Fontaine e de Ovídio, a música de Ennemond Gaultier, da milenar Bíblia, da Grécia Antiga, de Johann Sebastian Bach, de Cristóbal de Morales e do antigo canto romano.
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Pormenor de Livro de Horas de D. Leonor de la Veja, c. 1465-70. 
Biblioteca Nacional de Espanha


Prog. 3 | 19 Janeiro
A pomba e o corvo: prefigurações do bem e do mal 
e, além da poesia de John Keats, Cesário Verde e de Edgar Allan Poe, repertório de John Dunstaple, Wolfgang Amadeus Mozart, Gottfried Heinrich Stölzel, Johann Sebastian Bach, Henry Lawes, Manuel Rodrigues Coelho, William James Kirkpatrick e da simbologia de “A Árvore de Jessé”, que representa a genealogia a ligar Jesus ao Pai do Rei David.
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Prog. 4 | 26 Janeiro
A Cotovia e o Rouxinol: as aves despertam os amantes
e, para lá de poesia de William Shakespeare, Percy Bisshe Shelley e Giambattista Marino, a música de Hector Berlioz, Robert Johnson, Henry Lawes, Nuno Fernandes Torneol, Costanzo Festa, Muzio Clementi, Christopher Simpson, Jean-Philippe Rameau e de um autor anónimo.
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Prog. 5 | 2 Fevereiro
Rima do Velho Marinheiro de Samuel Taylor Coleridge: o pecado da morte do albatroz
ilustrado também com poesia de Charles Baudelaire, citações de Fernando Pessoa e Paul Valéry e repertório de Thomas Arne, William Boyce e Muzio Clementi, contemporâneos na Londres dos séculos XVIII e XIX.
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Prog. 6 | 9 Fevereiro
Fénix e Grifo: exemplos de aves mitológicas
exemplificados mediante poesia de Fernando Pessoa e John Donne e música de José Viana da Mota, Robert Johnson, Diogo Dias Melgás, Pedro de Escobar, Giovanni Pierluigi da Palestrina, de autores anónimos e da simbologia de A Árvore de Jessé, que representa a genealogia a ligar Jesus ao Pai do Rei David.
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Prog. 7 | 16 Fevereiro
Lobo em pele de cordeiro: entre a astúcia e o sacrifício
explicitado por meio de um conto dos irmãos Grimm, poesia de William Blake e repertório de Felix Mendelssohn, Ludwig van Beethoven, John Dowland, Sergei Prokofiev, Heinrich Ignaz Franz von Biber, Johannes Ockeghem, William Boyce, de um autor anónimo e do drama litúrgico “O Livro de Daniel”, em que Baltasar, o último rei da Babilónia, descreve como foi milagrosamente salvo por Deus da cova dos leões.
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Prog. 8 | 23 Fevereiro
Os cães companheiros: Argos, Niniche e Mondego
ilustrados com textos de Homero, Eça de Queirós e Vergílio Ferreira e repertório da Grécia Antiga, da milenar Bíblia, do manuscrito de Oxford, de anónimos medievais, de José Viana da Mota e de Eurico Carrapatoso.
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Prog. 9 | 1 Março
O Livro dos Gatos de T.S. Eliot: um gato não é um cão
explicitado mediante poética de sua autoria e repertório de Charles Hubert Hastings Parry, Charles Villiers Stanford, Edward Elgar, Andrew Lloyd Weber, Guillaume Dufay, Johannes Schenk e da Grécia Antiga.
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Prog. 10 | 8 Março
O porco de Frei Genebro de Eça de Queirós e o touro Miura de Miguel Torga: exemplos do sofrimento animal
explanados também através de poética de Sophia de Mello Breyner e de repertório de José Viana da Mota e Eurico Carrapatoso.
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Prog. 11 | 15 Março 
Sermão de Santo António aos Peixes do Padre António Vieira: uma visão alegórica das virtudes e dos defeitos humanos
ilustrado também através de repertório dos contemporâneos Fernando de Almeida, D. João IV, Manuel Cardoso, Filipe de Magalhães, Manuel Rodrigues Coelho, Estêvão Lopes Morago, Diogo Dias Melgás, Duarte Lobo e João Lourenço Rebelo.
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Prog. 12 | 22 Março
A Metamorfose de Kafka: uma crítica aos parasitas da sociedade
explicitada também através de poesia de William Blake e música de Nicolai Rimsky-Korsakov, Leos Janácek, Antonín Dvorák e Bohuslav Martinu.
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Prog. 13 | 29 Março 
O Triunfo dos Porcos de George Orwell: uma distopia política
explicada também mediante poesia de Nuno Júdice e repertório de Eurico Carrapatoso, Joan Ambrosio Dalza, Philip Glass, Charles Villiers Stanford, Edward Elgar, Charles Hubert Hastings Parry, Antoine Brumel e de um autor anónimo.
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Livro de horas de D. Fernando, fol. do mês de Fevereiro [c.1530-1550].
Museu Nacional de Arte Antiga



Ana Margarida Flor | Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas na variante de Português/Inglês e Mestre em Literatura Portuguesa com a dissertação "Mistérios da Virgem ao Espelho: (Des)graça, Presunção e Misericórdia em autos de Gil Vicente às Matinas do Natal". Colaboradora ocasional de Musica Aeterna de João Chambers e, com este, co-autora da série O Espelho de Cristina apresentada em 2017, tem focado a sua atenção no estudo comparatista entre as literaturas inglesa e portuguesa, nomeadamente entre as obras dos dramaturgos Gil Vicente e William Shakespeare, com a publicação de diversos artigos neste âmbito. 
A par da investigação literária, dedica, como docente há três décadas, a actividade profissional ao ensino, à formação de professores e à construção de materiais no âmbito da avaliação externa no Instituto de Avaliação Educativa (IAVE). 
No projecto que agora se apresenta, pretende aliar estas duas valências curriculares, trilhando a reflexão literária através da didactização de leituras textuais que permitam compreender a figura dos animais como prefiguração do comportamento humano.


João Chambers | Nascido no seio de uma família de melómanos lisboetas e portuenses, foi naturalmente muito cedo que a paixão pela arte dos sons nele despertou. Enquanto criança acompanhava os pais aos recitais e concertos promovidos pelo Círculo de Cultura Musical, instituição que antecedeu a Fundação Calouste Gulbenkian na vida artística da capital, os quais tinham lugar, sobretudo, no antigo cinema Tivoli e nos Teatros da Trindade e Nacional de São Carlos.
Os ciclos e os festivais um pouco por todo o país, e, em particular, o programa radiofónico Em Órbita do há pouco falecido Jorge Gil, formaram-lhe, anos volvidos, o gosto pelos repertórios pré-românticos mais esquecidos e pouco divulgados.
Em 1985 rumou a Bruxelas para ali exercer funções no Conselho de Ministros da então denominada Comunidade Económica Europeia (actual União Europeia). Tal mudança levou a que a centralidade da cidade lhe permitisse, de perto, tomar contacto com novos agrupamentos estrangeiros que desenvolviam projectos inovadores no âmbito da música antiga de acordo com desempenhos cuidados pelo saber e informados pela pesquisa e, em consequência, fazer amizades com intérpretes de grande craveira internacional.
De regresso a Lisboa e ao serviço da Antena 2, o gosto pela História da Arte e os temas com ela relacionados propiciaram que, entre 2007 e 2017, realizasse, como mentor e numa simbiose entre as artes plásticas, a dos sons e a literatura, cinco séries de emissões intituladas Divina Proporção, A Herança de Atena, As Idades do Mundo, O Fio de Ariadne e O Espelho de Cristina, esta última em parceria com a agora co-autora Ana Margarida Flor.
A 21 de Março do corrente ano foi convidado pelo director da Antena 2 – João Almeida – a colaborar nas comemorações do Dia Europeu da Música Antiga, iniciativa que, em articulação com a REMA-Rede Europeia de Música Antiga, congrega vários países transcontinentais em torno da divulgação do património pré-romântico segundo preceitos genéricos de reconstituição histórica. Para esse efeito, concebeu um programa radiofónico especial, dividido em duas partes, intitulado Música Antiga: definição, âmbito cronológico e recriação e apresentou o concerto alusivo pelo Grupo Musical Olisipo que teve lugar na Igreja do Convento de S. Pedro de Alcântara. Em Junho moderou, na Biblioteca Nacional, com Paulo Lourenço e Eurico Carrapatoso, uma conversa sobre a ante-estreia da obra Linhagem deste último.
Colabora no jornal Público em artigos dedicados ao património avito e tem vindo a proferir comunicações em colóquios e conferências, onde aborda temas relacionados com a História da Música Ocidental e com as práticas harmónicas que, todas as semanas, desde Julho de 2001, defende e divulga aos microfones do seu programa Musica Aeterna.