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Ciclo Granville Bantock | 7 Fevereiro a 21 Março | Domingos | 6h00

Notas Finais

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Ciclo Granville Bantock | 7 Fevereiro a 21 Março | Domingos | 6h00 Ciclo Granville Bantock | 7 Fevereiro a 21 Março | Domingos | 6h00

A partir de Fevereiro, nas madrugadas de Sábado para Domingo, entre as 6h00 e as 7h00, o programa Notas Finais inicia o primeiro ciclo dedicado a compositores que, por várias razões, têm sido esquecidos ou não tiveram o devido reconhecimento. 


Granville Bantock (1868-1946)

por João Pedro


Por razões diversas, muitos compositores caíram no esquecimento ou nunca obtiveram o devido reconhecimento. A partir de Fevereiro, as Notas Finais levantam o véu sobre alguns desses compositores, revelando obras nos géneros musicais em que mais se distinguiram.
O primeiro ciclo é dedicado a Granville Bantock (1868-1946), criador de obras orquestrais e corais inspiradas na poesia de autores ingleses e em temas celtas, orientais e da mitologia grega.
Nenhum compositor britânico da 1ª metade do séc. 20 tem sido, provavelmente, tão negligenciado como este contemporâneo de Elgar e Vaughan Williams.
Amigo do primeiro, que o elogiou como “o cérebro mais fértil e imaginativo do nosso tempo”, enquanto o segundo lamentou “não ter sido seu aluno”, Granville Bantock nasceu em Londres em 1868, filho de um eminente ginecologista escocês e de uma mãe liberal com origens numa família Quaker.
Contra a vontade do pai, desistiu de frequentar o Indian Civil Service e um curso de Engenharia Química, decidindo-se pelo estudo no Trinity College e na Royal Academy of Music. Descobriu assim as primeiras paixões musicais (Liszt e Wagner), começando a revelar também a sua imaginação criativa em obras prontamente apresentadas no prestigiado Crystal Palace.
George Bernard Shaw, dramaturgo, romancista e critico musical, viu nele uma “estrela a nascer”.
O espírito empreendedor e o carácter enérgico do jovem compositor levam-no a fundar um periódico (The New Quarterly Musical Review), publicado entre 1893 e 1896. Por essa altura, inicia a actividade de maestro numa companhia de teatro musical que lhe permite viajar e realizar digressões pelos Estados Unidos e Austrália durante 15 meses.
A composição para peças teatrais torna-se desde então regular e antes do final do século dirige obras suas em concertos no Queen’s Hall.
Depois de se casar com uma poeta fixa-se temporariamente perto de Liverpool, recebendo o convite para dirigir a orquestra da recente New Brighton Tower, anunciada em 1897 como o edifício mais alto do Reino Unido. Tchaikovsky, Wagner, Rubinstein, Elgar e jovens compositores britânicos são ali ouvidos pela primeira vez sob a batuta de Bantock.
Passados 3 anos é nomeado diretor da Birmingham and Midland Institute School of Music (futuro Conservatório), cidade onde passará a maior parte da vida e a que ficará para sempre ligado ao apoiar a criação da City of Birmingham Symphony Orchestra, em 1920.
A reputação de Bantock não cessa de crescer entre os ingleses. Nas duas primeiras décadas do séc. 20 vai tornar-se num dos nomes mais sonantes da música britânica, notado não só pela qualidade e originalidade das obras que compõe, pela proficuidade e energia constantes ou pela diversidade de cargos e tarefas que assume (incluindo a sucessão de Elgar como professor da Universidade de Birmingham), mas também por alguma excentricidade e inconformismo nem sempre bem aceites.
Homem de vasto conhecimento filológico (aprendeu Latim, Grego, Árabe e Persa) demonstrou na sua música o fascínio pela poesia inglesa, pela literatura da Antiguidade Clássica, pelo exotismo oriental e pela cultura Celta.
Das dezenas de partituras orquestrais e coral-sinfónicas destaca-se Omar Khayyam para solistas, coro e orquestra. Com duração aproximada de 3 horas, esta obra monumental foi inspirada no épico Rubaiyat do poeta persa (traduzido para Inglês por Edward Fitzgerald).
A morte de Bantock, em 1946, fê-lo cair num longo esquecimento do qual só começou a ser lentamente retirado mais de meio século depois.
João Pedro





Programação

Obras orquestrais de Granville Bantock
Direção de Vernon Handley


Prog. 1 | 7 Fevereiro
Pierrot of the Minute (“A comedy overture to a dramatic phantasy of Ernest Dowson”)
Fifine at the fair (sobre poema de Robert Browning)
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Prog. 2 | 14 Fevereiro
“Prelude” e “Camel Caravan” de Omar Khayyam
Processional (Cena Orquestral Nº 1)
A Celtic Symphony para Orquestra de Cordas e 6 Harpas
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Prog. 3 | 21 Fevereiro
Poema Sinfónico Thalaba the Destroyer (sobre poema de Robert Southey)
Poema Sinfónico The Witch of Atlas (sobre poema de Shelley)
Chuchullan’s Lament (Balada Heróica Nº 1)
Kishmul’s Galley (Balada Heróica Nº 2)
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Prog. 4 | 28 Fevereiro
“Prelude” do Ciclo de Canções Sappho
Sapphic Poem para Violoncelo e Orquestra
The Cyprian Goddess (Sinfonia Nº 3)
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Prog. 5 | 7 Março
A Hebridean Symphony
Caristiona (Hebridean Sea Poem Nº 1)
The Sea Reivers (Hebridean Sea Poem Nº 2)
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Prog. 6 | 14 Março
Overture to a Greek Tragedy
Pagan Symphony (“Et ego in Arcadia vixi”)
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Prog. 7 | 21 Março
The Helena Variations (Orchestral Variations on a theme)
Dante and Beatrice (Poem for Orchestra)
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