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Paul Badura-Skoda (1927-2019)

Um grande Pianista do nosso tempo

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Paul Badura-Skoda (1927-2019) Paul Badura-Skoda (1927-2019)

© Jorge Carmona / Antena 2

Por diversas vezes, o público português teve o privilégio de escutar um dos principais pianistas de nosso tempo, o austríaco Paul Badura-Skoda, presença regular na Semana Internacional de Piano de Óbidos (SIPO), de quem a Antena 2 gravou alguns recitais.


Paul Badura-Skoda (1927-2019)

Pianista, maestro, musicólogo 


Paul Badura-Skoda nasceu a 6 de outubro de 1927 em Viena, na Áustria. Cedo começou a sua aprendizagem musical, tendo como professores os pianistas Viola Thern e Otto Schulhof que muito o marcaram. Os seus estudos continuam na Suíça, com Edwin Fischer, pianista e maestro suíço, um dos grandes intérpretes de J.S. Bach e Mozart do século XX. Ganha o primeiro prémio no Austrian Music Competition, em 1947. No ano seguinte conclui Conservatório da Cidade de Viena (Konservatorium der Stadt Wien), com a distinção quer na execução de piano quer na direção de orquestra.
Desde 1949, apresenta-se com maestros importantes, como Wilhelm Furtwängler e Herbert von Karajan, e grava com maestros como Hans Knappertsbusch, Hermann Scherchen e George Szell.
Em 1950, no Festival de Salzburgo, Badura-Skoda substituiu Edwin Fischer, por doença, o que projeta a sua carreira para uma dimensão internacional. 




As suas primeiras gravações em LP, então um novo meio de registo em vinil, começaram também em 1950, trazendo-lhe reconhecimento mundial, tanto que no seu primeiro recital em Nova York, um público qualificado já o conhecia através das suas gravações. 


A sua carreira internacional começa com três grandes digressões de concertos, na Austrália em 1952, nos EUA e Canadá em 1952–53, e na América Latina - do México ao Brasil e Argentina - em 1953. 
Em 1956, dirige o agrupamento de câmara da Orquestra Sinfónica de Viena, numa digressão de grande sucesso por toda a Itália, seguindo-se concertos e gravações nas quais dirige a Orquestra de Câmara de Viena. Em 1959–60 faz a sua primeira digressão pelo Japão, país ao qual regressa inúmeras vezes, e, 1964, realiza a sua primeira digressão pela União Soviética. Paul Badura-Skoda foi o primeiro pianista ocidental a se apresentar na China após o final da Revolução Cultural. Também tocou no Quênia, Tanzânia, África do Sul e Egito. 


Durante o bicentenário de Beethoven, em 1970, interpreta as 32 sonatas completas nos principais centros musicais do mundo: Paris, Londres, Viena, Berlim, Chicago, México, e outros. No ano de Mozart, em 1991, realiza 140 concertos e recitais em todo o mundo, incluindo Viena, Paris, Madrid e Tóquio, interpretando composições do génio de Salzburgo.




Tem inúmeras gravações, de Bach a Frank Martin; foi o único pianista a gravar as sonatas completas de Mozart, Beethoven e Schubert, em pianos modernos e de época. 
Vários álbuns seus, com obras de Bach, Haydn, Brahms, Chopin, Schumann, Debussy, Ravel e outros, ganharam diversos prémios da crítica. 



Foi autor de vários livros e ensaios sobre a interpretação da música de piano de Mozart e a música de teclado de Johann Sebastian Bach, traduzidos para diversas línguas.
A par desta carreira internacional, também foi professor de várias gerações de estudantes de piano. Aliás, nos últimos anos, Paul Badura-Skoda considerou como a sua principal tarefa a "transmissão da tocha", sobretudo através de palestras e masterclasses, onde comunicava os seus conhecimentos e experiência a jovens artistas talentosos selecionados. Tinha especial apreço pelas orquestras juvenis, quer no Oriente como no Ocidente, inspirando-as através do seu amor pela música. Como dizia, a música cria comunidade e é a nossa maior esperança de um mundo melhor.



Paul Badura-Skoda recebeu muitas distinções e galardões, entre os quais, o Österreichisches Ehrenkreuz für Wissenschaft und Kunst, Grosses Silbernes Ehrenzeichen mit dem Stern für Verdienste um die Republik Österreich, Goldenes Ehrenzeichen für die Verdienste hum das Land Wien; foi distinguido como Chevalier de la Légion d'honneur, em 1993, e Commandeur des Arts et des Lettres, em 1997. É o atual titular do anel Bösendorfer. Recebeu os títulos de Doutor Honoris Causa pela Hochschule School for Music and Darstellende Kunst Mannheim (2006), pela Pontifícia Universidade Católica do Peru (2010) e pela Academia Muzycznej w Krakowie - Academia de Música de Cracóvia, 2013.


O pianista Paul Badura-Skoda, um dos maiores representantes do classicismo da Escola de Viena, faleceu a poucos dias de completar 92 anos, na capital da Áustria, no passado dia 25 de setembro.





Paul Badura-Skoda na Semana Internacional de Piano de Óbidos (SIPO) , no Auditório Municipal da Casa da Música em Óbidos, a 19 de julho de 2016.



Fotos Jorge Carmona / Antena 2
na SIPO 2017


Fontes: 
Sítio oficial de Paul Badura-skoda (http://www.badura-skoda.cc/index.html)
Entrevista a Paul Badura-Skoda (http://www.iplaythepiano.com/piano-mag/paul-badura-skoda-interview.html)
Wikipédia