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Império dos Sentidos
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Império dos Sentidos Paulo Alves Guerra / Produção: Ana Paula Ferreira

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Ruy Coelho | 3 e 10 Junho | 14h00

Memória

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Ruy Coelho | 3 e 10 Junho | 14h00 Ruy Coelho | 3 e 10 Junho | 14h00

3 e 10 Junho (domingo) | 14h00
8 e 15 Junho (6ª feira ) | 5h00 (repetição)

O Arquivo Histórico da Rádio e Televisão de Portugal
Um programa de Alexandra Louro de Almeida


Ruy Coelho (1889?-1986)

O programa Memória dedica duas emissões à obra do compositor, professor, crítico musical e maestro português Ruy Coelho. Com transmissão no início das tardes de domingo,  3 e 10 de junho, a primeira tem como base uma gravação realizada a 30 de dezembro de 1955, e a segunda uma gravação de 26 de maio de 1957, cujo concerto contou com a interpretação ao piano de Lourenço Varela Cid. Em ambas as gravações, pode-se escutar a Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional, sob direção do maestro Ruy Coelho. 



3 Junho | 14h00
Gravação de 30 de dezembro de 1955

Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional
Direção de Ruy Coelho

Programa

Bailado D. Sebastião
Concerto para piano e orquestra, No1
Bailado Alfama

Para ouvir, clicar aqui.

Ruy Coelho, c. 1913. 



10 Junho | 14h00
Gravação de 26 de maio de 1957

Lourenço Varela Cid, piano
Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional
Direção de Ruy Coelho

Programa

Passeios de Estio
Rainha Santa
Noites nas ruas da Mouraria

Para ouvir, clicar aqui



Ruy Coelho nasceu em Alcácer do Sal, mas a sua data de nascimento difere consoante as fontes, sendo nuns casos apontada em 1889 e noutros em 1892. 
Estudou no Conservatório de Lisboa de 1904 a 1909 com Tomás Borba e Alexandre Rey Colaço, entre outros. Viajou pela Europa onde contatou e aperfeiçoou os seus estudos com compositores como Humperdinck, Paul Vidal, Max Bruch, Schoenberg, e Manuel de Falla.
As obras musicais de Ruy Coelho abarcam diversos géneros como ópera, sinfonia, música para bailado e cinema, concertos para piano e música de câmara. As suas composições têm um caráter patriótico, onde a utilização de elementos ligados ao folclore e as evocações historicistas estão muito presentes e as suas óperas são cantadas em português.
Ruy Coelho dedicou-se essencialmente à composição de ópera, sendo considerado o principal dinamizador da ópera nacional moderna, intérprete da "alma portuguesa". Fundou a Acção Nacional de Ópera em 1934, organização semi-oficial do regime, que serviu essencialmente para a divulgação da sua própria obra. Em 1940, a sua ópera D. João IV inaugurou a reabertura do Teatro São Carlos durante a Exposição do Mundo Português. Entre 1947 e 1969, durante a direção de José Figueiredo, o Teatro São Carlos assistiu a 15 produções das suas óperas.
Ruy Coelho defendeu, através de vários artigos e pequenos livros, a música erudita portuguesa e a ópera cantada em português, considerando que à semelhança do que se passava na Alemanha, França e Inglaterra, as óperas deviam ser cantadas na língua do país onde eram exibidas. Argumentava que o contrário, era não só provinciano como prejudicial aos interesses da arte e do público, que não percebia verdadeiramente o que estava a ver e ouvir. Foi considerado pioneiro, em Portugal, na música para bailado, sendo um dos compositores que mais músicas criou para a Companhia de Bailado Verde Gaio, fundada e sob direcção do SPN/SNI.
Ruy Coelho compôs várias obras para piano solo, destacando-se as Danças Portuguesas; obras para piano e canto, como o primeiro Lied português "Oh! Virgem que passais ao Sol Poente" com soneto de António Nobre; e obras para piano e orquestra, como as Noites nas Ruas da Mouraria e os dois concertos para piano. Compôs música para filmes como Alla-Arriba! de 1942 e Camões de 1946, ambos de Leitão de Barros, ou Rainha Santa, uma co-produção luso-espanhola.
Recebeu elogios de compositores como Falla, que muito admirava e com quem trocava partituras por correspondência, bem como de inúmeros críticos, e de músicos, cantores, cenógrafos, escritores que com ele colaboraram. Exibiu as suas obras por todo o país, e em vários países europeus e sul-americanos. Escreveu manifestos, livros, crónicas e críticas em jornais, a maioria no Diário de Notícias, onde colaborou durante muitos anos.
Ruy Coelho faleceu em Lisboa, a 5 de maio de 1986. O seu espólio foi doado pela família à Biblioteca Nacional de Portugal a 18 de maio de 2011.

Fontes da biografia: Wikipédia; Biblioteca Nacional; MIC - Centro de Investigação e Informação da Música Portuguesa