Subida de juros da dívida sem impacto real no Fundo de Estabilização da Segurança Social
Lisboa, 12 fev (Lusa) - O Ministro do Trabalho e da Segurança Social afirmou hoje que a subida dos juros da dívida em Portugal tem um impacto contabilístico, mas não um impacto real no Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS)
"Já aconteceu em momentos de crise e o Fundo recuperou dessas perdas, como vai recuperar desta. Neste momento, o aumento dos juros no mercado secundário não tem impacto no FEFSS", afirmou Vieira da Silva, que está esta tarde a ser ouvido numa audição conjunta das Comissões do Orçamento e do Trabalho e Segurança Social.
As declarações do ministro da tutela surgem na sequência das questões colocadas pelo deputado do PSD Manuel Rodrigues, que quis saber o impacto da subida dos juros da dívida portuguesa a dez anos, que se aproxima já da barreira dos 5%, no FEFSS.
"O Fundo é uma almofada estratégica que tinha 14 mil milhões de euros no final do ano. Mais de 60% está investido em dívida pública. Face ao aumento da proteção de risco, e que o custo de financiamento de Portugal mais que duplicou [...] quanto já perdeu o Fundo nas últimas dez semanas", interrogou o deputado,
Vieira da Silva acusou o PSD de estar a ser alarmista, frisando que "o tom de alarmismo que [o PSD] coloca, não só é injustificável como é criticável" e teceu fortes críticas ao ex-ministro das Finanças, Vitor Gaspar.
"O FESS tem hoje uma percentagem bem acima dos 60% de dívida pública, mas sabem quem é responsável por isso. Houve alguém que há alguns anos assinou uma peça legislativa que permitia que o Fundo tivesse 90% de dívida pública e essa pessoa chama-se Vitor Gaspar", assinalou o ministro da tutela.
E acrescentou: "dizer que o fundo está a perder valor a uma dimensão nunca vista não só não corresponde à realidade, como cria alarmismo".
Os juros da dívida portuguesa estavam hoje a subir a dois, cinco e dez anos, para máximos desde março de 2014, a manter a tendência iniciada a 05 de fevereiro.
Esta manhã, os juros da dívida portuguesa a dez anos estavam a avançar para 4,285%, um máximo desde março de 2014, contra 4,084% na quinta-feira.
No prazo de cinco anos, os juros também estavam a subir, para 2,998%, um máximo desde março de 2014, contra 2,768% na quinta-feira.
No mesmo sentido, os juros a dois anos estavam hoje a subir, para 1,474%, um máximo desde março de 2014, depois de terem terminado a 1,194% na quinta-feira.
"Como todos esperamos que os juros da nossa dívida baixem exponencialmente [...] nessa altura o FEFSS até terá dívida a mais", rematou o ministro.