Mundo
Reino Unido. Primeiro-ministro Keir Starmer perde apoio dos sindicatos
Numa declaração conjunta publicada esta quarta-feira, os 11 sindicatos trabalhistas filiados foram claros. "É evidente que o primeiro-ministro não irá liderar o Partido Trabalhista nas próximas eleições", afirmaram.
Keir Starmer está a tentar manter-se na liderança depois do resultado eleitoral desastroso do partido na semana passada. Já perdeu quatro membros do executivo e uma centena de deputados pediu que se demita.
Agora, perdeu declaradamente o apoio sindical, o que poderá desastabilizar ainda mais o seu governo.
"Os sindicatos filiados no Partido Trabalhista deixaram claro que o partido não pode continuar no seu caminho atual", referiram os responsáveis sindicais na sua declaração, lembrando os resultados "devastadores" nas eleições.
Mesmo reconhecendo progressos, "como em aspetos da Lei dos Direitos Laborais e do aumento do salário mínimo", consideram que "o Partido Trabalhista não está a fazer o suficiente para promover a mudança pela qual os trabalhadores votaram nas eleições gerais".
E, mesmo garantindo que o seu foco está "na mudança fundamental de rumo da política económica e da estratégia política", e afastando-se alegadamente da luta pelo poder atualmente em curso no Partido Trabalhista, não deixam de intervir.
"É evidente que o Primeiro-Ministro não irá liderar o Partido Trabalhista nas próximas eleições e, a dada altura, terá de ser implementado um plano para a eleição de um novo líder", defendem, com mais um prego no caixão de Starmer.
Em plena crise, o primeiro-ministro britânico parece estar contudo a conseguir alguma contenção de perdas, nomeadamente segurando o seu ministro da Saúde, Wes Streeting, o seu mais direto rival pela liderança do Partido Trabalhista.
Demissão nim
Nos últimos dias, e num aparente assalto ao poder do partido, alguns aliados de Streeting renunciaram a cargos ministeriais. Outros pediram publicamente a demissão de Starmer, juntando-se a uma longa lista de desagradados com os resultados eleitorais.
Mas até à noite passada Streeting ainda não tinha lançado uma candidatura formal à liderança, limitando-se a ameaçar abandonar o executivo. Em resposta, Starmer desafiou-o a "mostrar serviço ou calar-se". E, já quarta-feira, tentou desvalorizar a ameaça.

Mais tarde, no parlamento, Streeting foi visto na primeira fila da bancada trabalhista em apoio a Staremer e a tentar trocar olhares com os seus colegas de partido. A maioria evitou a interação.
Em Downing Street, depois da reunião desta quarta-feira, começa-se a acreditar que ele recuou, talvez por não ter o apoio necessário para vencer a disputa. Qualquer candidato que avance contra Starmer necessita do apoio de um mínimo de 81 deputados trabalhistas. O porta-voz do governo já disse que o primeiro-ministro mantém a "plena confiança" no ministro da Saúde.Starmer por um fio
No X, Wes Streeting, ou alguém da sua equipa, publicou uma reação ao discurso do rei Carlos, esta quarta-feira, dando uma palmada nas costas ao ministro da Saúde pelas suas conquistas: "diminuição das listas de espera" no NHS (o Serviço nacional de Saúde britânico), maior rapidez no socorro, "mais médicos de família" e "maior satisfação" dos utentes.
"Muito já foi feito, mas há muito a fazer", reconhecia o texto, falando depois de um futuro centrado no Projeto de Lei da Saúde, que visa "reduzir a burocracia".
Agora, perdeu declaradamente o apoio sindical, o que poderá desastabilizar ainda mais o seu governo.
"Os sindicatos filiados no Partido Trabalhista deixaram claro que o partido não pode continuar no seu caminho atual", referiram os responsáveis sindicais na sua declaração, lembrando os resultados "devastadores" nas eleições.
Mesmo reconhecendo progressos, "como em aspetos da Lei dos Direitos Laborais e do aumento do salário mínimo", consideram que "o Partido Trabalhista não está a fazer o suficiente para promover a mudança pela qual os trabalhadores votaram nas eleições gerais".
E, mesmo garantindo que o seu foco está "na mudança fundamental de rumo da política económica e da estratégia política", e afastando-se alegadamente da luta pelo poder atualmente em curso no Partido Trabalhista, não deixam de intervir.
"É evidente que o Primeiro-Ministro não irá liderar o Partido Trabalhista nas próximas eleições e, a dada altura, terá de ser implementado um plano para a eleição de um novo líder", defendem, com mais um prego no caixão de Starmer.
Em plena crise, o primeiro-ministro britânico parece estar contudo a conseguir alguma contenção de perdas, nomeadamente segurando o seu ministro da Saúde, Wes Streeting, o seu mais direto rival pela liderança do Partido Trabalhista.
Demissão nim
Nos últimos dias, e num aparente assalto ao poder do partido, alguns aliados de Streeting renunciaram a cargos ministeriais. Outros pediram publicamente a demissão de Starmer, juntando-se a uma longa lista de desagradados com os resultados eleitorais.
Mas até à noite passada Streeting ainda não tinha lançado uma candidatura formal à liderança, limitando-se a ameaçar abandonar o executivo. Em resposta, Starmer desafiou-o a "mostrar serviço ou calar-se". E, já quarta-feira, tentou desvalorizar a ameaça.
Chamou Streeting ao n.º 10 de Downing Street, a residência oficial do primeiro-ministro inglês, logo pela manhã. O ministro entrou e saiu, com passo decidido, em menos de 20 minutos e sem declarações aos jornalistas.
A estratégia de Starmer não passou despercebida. Jornalistas tomaram nota que o ministro foi chamado num dia que já iria ser marcado pelo discurso do rei no parlamento. Refletiram também que a audiência foi curta, durando apenas o suficiente para Streeting transmitir as suas queixas, sem qualquer compromisso por parte de Starmer.
Mais tarde, no parlamento, Streeting foi visto na primeira fila da bancada trabalhista em apoio a Staremer e a tentar trocar olhares com os seus colegas de partido. A maioria evitou a interação.
Em Downing Street, depois da reunião desta quarta-feira, começa-se a acreditar que ele recuou, talvez por não ter o apoio necessário para vencer a disputa. Qualquer candidato que avance contra Starmer necessita do apoio de um mínimo de 81 deputados trabalhistas. O porta-voz do governo já disse que o primeiro-ministro mantém a "plena confiança" no ministro da Saúde.Starmer por um fio
No X, Wes Streeting, ou alguém da sua equipa, publicou uma reação ao discurso do rei Carlos, esta quarta-feira, dando uma palmada nas costas ao ministro da Saúde pelas suas conquistas: "diminuição das listas de espera" no NHS (o Serviço nacional de Saúde britânico), maior rapidez no socorro, "mais médicos de família" e "maior satisfação" dos utentes.
"Muito já foi feito, mas há muito a fazer", reconhecia o texto, falando depois de um futuro centrado no Projeto de Lei da Saúde, que visa "reduzir a burocracia".
A publicação tanto pode indicar que Streeting desistiu da demissão como uma aposta na sua própria futura liderança.
A decisão do atual ministro da Saúde está prevista para
quinta-feira. Poderá ser vital saber se terá o apoio dos sindicatos que agora abandonaram Keir Starmer.
Se Streeting se demitir, dando o tiro de partida na corrida à liderança, a ala mais à esquerda do Partido Trabalhista poderá igualmente avançar com o seu candidato. Andy Burnham é um dos nomes prováveis e conta com o apoio de grande parte da esquerda e da ala moderada do Partido.