Região de Coimbra critica falhas generalizadas na recolha de resíduos pela ERSUC
A Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIMRC) criticou hoje falhas recorrentes da ERSUC na recolha de resíduos, com contentores cheios e municípios a terem de se substituir ao operador.
"A situação é inenarrável. Num período em que há um aumento exponencial da população flutuante, que há muito mais resíduos para recolher, os contentores ficam rapidamente cheios e a ERSUC não está a recolher com a regularidade habitual", denunciou o presidente da Câmara de Góis, Rui Sampaio, que falava hoje durante o conselho intermunicipal da Região de Coimbra, que decorreu hoje em Cantanhede.
A ERSUC -- Resíduos Sólidos do Centro é detida pela EGF, empresa do grupo Mota-Engil, que assegura o sistema de tratamento e recolha de resíduos em 36 municípios dos distritos de Coimbra, de Aveiro e de Leiria.
Rui Sampaio disse que o município tem reportado a situação "todos os dias", mas que raramente recebe uma resposta e, numa situação, o esclarecimento aconteceu nove dias depois de um caso ter sido denunciado.
"A maior parte dos ecopontos que conheço em Góis estão cheios e eles não estão a recolher. Tem de haver uma tomada de posição", vincou o autarca, considerando que está em causa a salubridade do espaço público.
Já o presidente da Câmara da Mealhada, António Jorge Franco, afirmou que a situação "está pior".
No caso do seu concelho, o vidro "não é recolhido desde maio" e o município tem optado por se substituir à ERSUC e tem recolhido os resíduos que se vão acumulando junto aos contentores.
Para aquele autarca, os municípios não devem apenas reclamar à empresa que detém a concessão, mas também à Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), que "tem de saber o que está a acontecer no território, em que o serviço público não está a ser cumprido".
"Partilhamos das mesmas dores", notou o presidente do município da Lousã, Victor Carvalho, assim como o vereador da Câmara de Coimbra, Luís Filipe, que também falou de "contentores cheios" e de falta de pessoal da ERSUC para a recolha.
A presidente da CIMRC e da Câmara de Cantanhede, Helena Teodósio, referiu que, no caso do concelho que lidera, tem sido a empresa municipal a "substituir-se à ERSUC em algumas situações".
Perante as várias críticas ao serviço prestado, o conselho intermunicipal concordou em avançar com uma exposição à ERSUC, para "manifestar desagrado profundo" com a atual situação e "solicitar, com caráter de urgência, medidas para retificar a situação", disse Helena Teodósio.
As comunidades intermunicipais abrangidas pela operação da ERSUC têm sido críticas do serviço prestado, estando em vista um pedido ao Tribunal de Contas de fiscalização à concessão do sistema de tratamento e recolha de resíduos.