Atitudes de Taiwan estão a "agravar seriamente" tensão entre duas margens

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A China advertiu hoje o Presidente de Taiwan, Chen Shui-bian, para cessar as actividades independentistas da ilha, acusando-o de estar a "agravar seriamente" a tensão entre as duas margens do estreito.

"As actividades independentistas de Chen Shui-bian não param de aumentar", denunciou o porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan, Li Weiyi, em conferência de imprensa.

O porta-voz criticou a reforma educativa em Taiwan, anunciada na semana passada, que trata a China como um país estrangeiro nos livros de história, considerando-a uma acção para transformar a educação na ilha "em educação de pensamento político".

Pequim rejeitou também as ofertas negociais de Taipé, avançadas também na semana passada, para estabelecer ligações áreas directas entre as duas margens.

Outra oferta de Chen Shui-bian avançada nos últimos dias, uma proposta de dez pontos para a instituição de um código de conduta militar entre a ilha e o continente, foi também recusada por Pequim.

A China duvida da "sinceridade" das propostas de Chen Shui-bian, considerando que o objectivo de Chen é "enganar" a opinião publica local e a comunidade internacional.

"Os factos têm demonstrado que o desejo de Chen Shui-bian de melhorar as relações entre as duas margens é falso, a atitude de confronto é que tem sido a realidade", denunciou o responsável, reiterando que a China "nunca tolerará a independência de Taiwan".

"A política de Chen Shui-bian de «um país em cada margem do Estreito» e o aumento de actividades separatistas (...) agravou seriamente as relações e criou um clima de tensão e confronto entre as duas margens", declarou.

O vice-ministro do Gabinete para os Assuntos de Taiwan, Wang Zaixi, disse segunda-feira que um conflito armado poderá acontecer se a ilha continuar a aumentar a tensão e a ultrapassar o limite aceite pela China.

A República Popular da China defende uma política de "reunificação pacífica", mas prevê o cenário de recurso à força das armas, se necessário.

O governo chinês diz que as propostas de diálogo de Chen são vazias, uma vez que Taipé continua a rejeitar o princípio de que Taiwan faz parte da China.

"Se Chen Shui-bian reconhecer o princípio de «uma só China» e cessar as actividades separatistas, as duas margens de certeza que podem reatar o diálogo", declarou Li.

O porta-voz chinês afirmou ainda que a intenção declarada por Taipé de avançar com uma candidatura da ilha à entrada nas Nações Unidas, sob a designação de Taiwan, está votada ao fracasso.

"Este é mais um grave acto de separatismo das autoridades de Taipe, lideradas por Chen Shui-bian, que nunca receberá o apoio da maior parte dos países membros das Nações Unidas", afirmou Li Weiyi.

A soberania de Taiwan é reconhecida por 27 países, a maior parte nações pequenas e pobres, como São Tomé e Príncipe.

O continente chinês e a ilha, separados por estreito de 160 quilómetros, vivem como territórios autónomos desde 1949, após a fuga do antigo governo republicano chinês para Taiwan, na sequência da derrota frente às forças comunistas, na guerra civil.

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