Aumentam as reservas na Alemanha contra o acordo comercial com os EUA

Aumentam as reservas na Alemanha contra o acordo comercial com os EUA

O presidente democrata-cristão do Bundestag, o parlamento federal alemão, declarou que este não deverá aprovar um tratado que lhe seja apresentado para pegar ou largar, elaborado em negociações secretas e sem qualquer possibilidade de intervenção dos deputados.

RTP /
Norbert Lammert, com Angela Merkel Fabian Bimmer, Reuters

Em causa está o acordo conhecido por TTIP, iniciais de Transatlantic Trade and Investment Partnership, ou Parceria Transatlântica de Comérico e Investimento. A segunda figura do Estado alemão, o presidente do parlamento, Norbert Lammert, declarou, segundo citação de Die Zeit: "Considero impossível que o Bundestag ratifique um tratado de comércio com os EUA cuja elaboração não pôde acompanhar nem influenciar através de opções alternativas".

O político do partido de Angela Merkel juntou-se aos social-democratas da coligação governante, que pela voz do ministro da Economia Sigmar Gabriel tinham emitido dentro do Governo as primeiras críticas a falta de transparência das negociações.

Lammert declarou também o seu acordo com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, sobre a necessidade de colocar todos os documentos relevantes das negociações ao alcance de governos e parlamentos de todos os Estados membros da União Europeia.

As negociações sobre o TTIP têm decorrido sob um manto de segredo pelo menos desde Julho de 2013, com vista a criar uma zona de comérico livre, mediante o desmantelamento de barreiras alfandegárias.

Até aqui, destacara-se como ponto de vista oficioso sobre as perspectivas do TTPI aquele que emitira o Instituto de Investigação Económica de Munique, ligado ao Governo. Fora um ponto de vista favorável, sublinhando principalmente a perspectiva de virem a ser criados 400.000 postos de trabalho em consequência directa e indirecta do acordo.

Nesse momento, o ponto de vista mais crítico vieram da DGB, a central sindical alemã, através de um dos seus dirigentes, Stefan Körzell, que afirmou: "É incerto que o TTIP venha a criar postos de trabalho, e quantos, e onde (...) É muitas vezes omitida a ponderação das consequências negativas que podem ter os tratados de comércio, se forem ignoradas as normas ambientais e laborais". E recordava: "Os EUA não ratificaram seis das oito normas principais da Organização Mundial do Trabalho".
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