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Christiane Taubira abandona Governo francês contra reforma anti-terrorista
Christiane Taubira era ministra da Justiça de França, mas acaba de se demitir em plena contestação contra os planos governamentais de alterar a lei por forma a retirar a cidadania francesa a culpados de terrorismo, em determinadas circunstâncias.
O anúncio foi feito em comunicado da Presidência francesa.
O Presidente da República, François Hollande, e a ministra da Justiça, Christiane Taubira, "concordaram na necessidade de pôr um fim às funções [de Taubira] no momento em que o debate sobre a revisão constitucional se inicia na Assembleia Nacional, hoje, em sede de comissão parlamentar", explicou o Eliseu esta manhã.
A demissão terá sido decidida no sábado, antes de uma visita oficial de Hollande à Índia, mas só agora foi anunciada.
"O Presidente da República exprimiu a Christiane Taubira o agradecimento pelo seu desempenho. Ela liderou com convicção, determinação e talento a reforma da Justiça e desempenhou um papel crucial na adoção do casamento para todos", prosseguiu o comunicado.
Apesar do seu passado, Taubira não conseguiu vencer esta batalha. Sempre exprimiu reservas sobre os planos de reforma da lei sobre terrorismo, mesmo recentemente, a 7 de janeiro, na rede social Twitter.
Também na i-Telé, a 7 de janeiro, a ministra demonstrou a sua oposição à lei que ela mesma deveria defender. "A retirada da nacionalidade não é desejável" para os franceses com dupla nacionalidade, afirmou, criticando uma medida de eficácia "absolutamente ridícula".
A 22 de dezembro Taubira havia anunciado a retirada desta parte da reforma constituicional muito contestada pela esquerda, provocando uma autêntica tempestade, antes de ser desmentida por François Hollande em Conselho de Ministros.
Toda a oposição exigia há semanas ao Presidente que pusesse ordem no Governo. A ministra acabou por se afastar.
"Por vezes, resistir é partir", tweetou esta quarta-feira. "Por fidelidade a si mesmo, a todos. Pela última palavra de ética do direito"
"Orgulhosa. A Justiça ganhou em solidez e em vitalidade. Como estas e estes que se lhe devotam a cada dia, sonho-a sem estar vencida," refere a ex-ministra num primeiro tweet.
Taubira vai ser substituída por Jean-Jacques Urvoas, até agora presidente da Comissão dos Assuntos Constitucionais na Assembleia francesa e próximo do primeiro-ministro Manuel Valls, também conhecido defensor das reformas governamentais apresentadas pelo Governo de Hollande.
O deputado, especialista em questões de segurança, acabava aliás de ser nomeado defensor do "projeto de lei constitutional de proteção da nação". Tinha sido a ele que o primeiro-ministro Manuel Valls havia confiado a tarefa praticamente impossível de encontrar um compromisso sobre a questão. Paulo Dentinho, diretor de informação da RTP e antigo correspondente em França, faz a análise desta mudança governativa no Executivo de Hollande.
A questão da retirada da nacionalidade tem dividido profundamente o Partido Socialista francês.O projeto de lei constitucional deverá ser defendido esta quarta-feira de manhã perante a Comissão dos Assuntos Constitucionais pelo próprio primeiro-ministro. Foi, de resto, Manuel Valls quem, a 23 de dezembro, apresentou a legislação.
Para parte dos ecologistas e da esquerda radical, a saída da ministra simboliza a perda de valores do Partido Socialista francês.
Já a demissão de Christiane Taubira foi aplaudida por toda a direita francesa.
Guillaume Larrivé, porta-voz dos Republicanos (Les Republicans, LR), considerou mesmo Taubira como "a pior ministra da Justiça da história da 5ª República", cujas reformas do sistema penal encorajaram a "deliquência e a reincidência".
Também para a UMP (União por um Movimento Popular), de Nicolas Sarkozy, a ministra era símbolo de "laxismo" em matéria de deliquência e um alvo a abater desde o início do seu mandato.
A presidente da Frente Nacional considerou a demissão de Taubira "um alívio" e "uma boa notícia para a França". O desempenho público da ex-ministra foi "completamente desastroso para o nosso país", afirmou ainda Marine Le Pen, em comunicado.
O Presidente da República, François Hollande, e a ministra da Justiça, Christiane Taubira, "concordaram na necessidade de pôr um fim às funções [de Taubira] no momento em que o debate sobre a revisão constitucional se inicia na Assembleia Nacional, hoje, em sede de comissão parlamentar", explicou o Eliseu esta manhã.
A demissão terá sido decidida no sábado, antes de uma visita oficial de Hollande à Índia, mas só agora foi anunciada.
"O Presidente da República exprimiu a Christiane Taubira o agradecimento pelo seu desempenho. Ela liderou com convicção, determinação e talento a reforma da Justiça e desempenhou um papel crucial na adoção do casamento para todos", prosseguiu o comunicado.
Apesar do seu passado, Taubira não conseguiu vencer esta batalha. Sempre exprimiu reservas sobre os planos de reforma da lei sobre terrorismo, mesmo recentemente, a 7 de janeiro, na rede social Twitter.
"On n'imagine pas qu'un grand pays comme la France se mette à fabriquer des apatrides." #TirsCroisés
— Christiane Taubira (@ChTaubira) January 7, 2016
"Não se imagina um grande país como a França pôr-se a fabricar apátridas", afirmou então.Também na i-Telé, a 7 de janeiro, a ministra demonstrou a sua oposição à lei que ela mesma deveria defender. "A retirada da nacionalidade não é desejável" para os franceses com dupla nacionalidade, afirmou, criticando uma medida de eficácia "absolutamente ridícula".
A 22 de dezembro Taubira havia anunciado a retirada desta parte da reforma constituicional muito contestada pela esquerda, provocando uma autêntica tempestade, antes de ser desmentida por François Hollande em Conselho de Ministros.
Toda a oposição exigia há semanas ao Presidente que pusesse ordem no Governo. A ministra acabou por se afastar.
"Por vezes, resistir é partir", tweetou esta quarta-feira. "Por fidelidade a si mesmo, a todos. Pela última palavra de ética do direito"
Parfois résister c'est rester, parfois résister c'est partir. Par fidélité à soi, à nous. Pour le dernier mot à l'éthique et au droit.
ChT
— Christiane Taubira (@ChTaubira) January 27, 2016
Fière. La Justice a gagné en solidité et en vitalité. Comme celles et ceux qui s'y dévouent chaque jour, je la rêve invaincue.
ChT
— Christiane Taubira (@ChTaubira) January 27, 2016
"Orgulhosa. A Justiça ganhou em solidez e em vitalidade. Como estas e estes que se lhe devotam a cada dia, sonho-a sem estar vencida," refere a ex-ministra num primeiro tweet.
Taubira vai ser substituída por Jean-Jacques Urvoas, até agora presidente da Comissão dos Assuntos Constitucionais na Assembleia francesa e próximo do primeiro-ministro Manuel Valls, também conhecido defensor das reformas governamentais apresentadas pelo Governo de Hollande.
O deputado, especialista em questões de segurança, acabava aliás de ser nomeado defensor do "projeto de lei constitutional de proteção da nação". Tinha sido a ele que o primeiro-ministro Manuel Valls havia confiado a tarefa praticamente impossível de encontrar um compromisso sobre a questão. Paulo Dentinho, diretor de informação da RTP e antigo correspondente em França, faz a análise desta mudança governativa no Executivo de Hollande.
A questão da retirada da nacionalidade tem dividido profundamente o Partido Socialista francês.O projeto de lei constitucional deverá ser defendido esta quarta-feira de manhã perante a Comissão dos Assuntos Constitucionais pelo próprio primeiro-ministro. Foi, de resto, Manuel Valls quem, a 23 de dezembro, apresentou a legislação.
Para parte dos ecologistas e da esquerda radical, a saída da ministra simboliza a perda de valores do Partido Socialista francês.
Já a demissão de Christiane Taubira foi aplaudida por toda a direita francesa.
Guillaume Larrivé, porta-voz dos Republicanos (Les Republicans, LR), considerou mesmo Taubira como "a pior ministra da Justiça da história da 5ª República", cujas reformas do sistema penal encorajaram a "deliquência e a reincidência".
Também para a UMP (União por um Movimento Popular), de Nicolas Sarkozy, a ministra era símbolo de "laxismo" em matéria de deliquência e um alvo a abater desde o início do seu mandato.
A presidente da Frente Nacional considerou a demissão de Taubira "um alívio" e "uma boa notícia para a França". O desempenho público da ex-ministra foi "completamente desastroso para o nosso país", afirmou ainda Marine Le Pen, em comunicado.