EUA multa Novartis em 390 milhões de dólares por corrupção
Nova Iorque, 20 nov (Lusa) -- O gigante farmacêutico suíço Novartis foi multado nos EUA em 390 milhões de dólares (366 milhões de euros) por envolvimento em corrupção, anunciou hoje o Departamento de Justiça norte-americano.
Esta penalização financeira, muito inferior aos 3,3 mil milhões de dólares reclamados inicialmente, encerra a investigação do Departamento, que acrescentou que a Novartis admitiu a sua responsabilidade.
O Departamento de Justiça acusava a Novartis de ter incitado as cadeias farmacêuticas a recomendar os seus medicamentos, em vez de outras indicações, quando os pacientes iam aviar receitas ou renová-las, em troca de promoções e prémios de desempenho.
As acusações estiveram focadas nos medicamentos Exjade, destinado a fazerem baixar a taxa de ferro no sangue, e Myfortic, que visa lutar contra a rejeição de órgão entre os pacientes que tenham recebido um rim.
O Departamento, estrutura que na Europa se designa por Ministério da Justiça, garantiu que recenseou 126.802 prescrições de Exjade apresentadas ao Estado pelas farmácias, que motivaram reembolsos de 493 milhões de dólares, e 39.209 de Myfortic, que envolveram reembolsos de 15 milhões de dólares.
Este sistema prejudicou os sistemas federais de seguro-doença Medicare e Medicaid, assegurou o Departamento, que exigia indemnizações correspondentes ao triplo dos reembolsos, bem como uma multa de até 11 mil dólares por cada prescrição fraudulenta.
A Novartis recusava as acusações e considerava corretas as propostas de bónus, que dizia serem legítimas e legais.
No mesmo dossiê, as cadeias de especialidades farmacêuticas Bioscrip e Accredo Health Group foram multadas num total de 75 milhões de dólares.