Mundo
Mais dois homens negros abatidos por polícias nos Estados Unidos
As mortes violentas de dois afro-americanos abatidos por polícias nos últimos dois dias estão a provocar novos protestos nos Estados Unidos, em cidades como Ferguson, no Missouri, Baltimore, no Ohio, e Nova Iorque.
Ambos os incidentes, ocorridos um em Baton Rouge, Louisiana, e outro em Falcon Heights, Minneapolis, foram filmados por testemunhas e o vídeo de um deles, o da morte de Alton Sterling, abatido terça-feira com cinco tiros no peito, é especialmente brutal.
A morte de Alton Sterling já está sob investigação do Departamento de Justiça. Tanto o mayor de Baton-Rouge como o chefe da polícia local, Carl Dabadie, se mostraram satisfeitos com a investigação.
Centenas de pessoas juntaram-se nas últimas duas noites para vigílias pacíficas no local da morte de Sterling, um parque de estacionamento em Baton Rouge, com um artista a pintar um retrato da vítima numa parede em frente.
Os participantes acenderam velas e apelaram na primeira noite a manifestações pacíficas, à justiça e à unidade perante o uso da "força excessiva" usada pela polícia contra a comunidade negra.
"Se estivermos divididos, já fomos derrotados", afirmou o bispo Gregory Cooper de Baton Rouge à multidão, que incluiu famílias com crianças e encheu o parque de estacionamento e ruas adjacentes. A polícia vigiou de longe a manifestação. As pessoas mantiveram-se no local durante horas e uma banda de metais participou igualmente da vigília.
"Não somos anti-polícia, somos anti-injustiça", afirmou à CNN Arthur Reed, durante uma das manifestações.
A candidata presidencial Hillary Clinton reagiu em comunicado: "Há algo profundamente errado quando tantos americanos têm razões para acreditar que o nosso país não os considera tão preciosos como outros devido à cor da sua pele".

Operação-stop fatal
A morte mais recente deu-se a noite passada, em Minneapolis durante uma operação-stop, um polícia de trânsito do Departamento da Polícia de St. Antony disparou sobre um condutor em Falcon Heights, cerca das 9h00 da noite. O homem, identificado pelo jornal Minneapolis Star como Philando Castille, de 32 anos, foi transportado para o hospital onde veio a morrer, informou a polícia.
Os momentos após o disparo foram filmados por uma testemunha, a namorada do homem abatido e identificada como Lavish Reynolds. Encontrava-se no lugar do passageiro quando tudo sucedeu e o seu vídeo publicado no YouTube, e visto e partilhado milhões de vezes, não foi ainda oficialmente autenticado. A polícia diz que foi encontrada uma arma no local.
De acordo com a namorada, Castille estava a tentar tirar do bolso a sua identificação. "Ele disse ao agente que tinha uma arma e que ia buscar a sua carteira e o polícia atirou-lhe sobre o braço". Castille terá recebido quatro tiros.
"F... Eu disse-lhe para não a ir buscar...", ouve-se um homem a dizer - provavelmente o polícia, que foi suspenso entretanto. "Por favor, Jesus, não. Por favor, não! Por favor, não. Não o deixes ir", reage Lavish Reynolds.
Reynolds é depois obrigada a sair do carro e a levantar os braços antes de ser detida, enquanto se ouve uma criança a chorar. "Ele não merecia isto", diz a mulher. "Era um bom homem, não tinha cadastro, nem pertencia a um gang."
Castille era supervisor de uma cantina escolar no distrito de S. Paulo, de acordo com o mesmo jornal. Terá afirmado ao polícia que tinha licença de porte de arma e que trazia uma escondida.
Cinco tiros à queima-roupa
Blane Salamoni e Howie Lake II, os dois polícias envolvidos no incidente de terça-feira e que responderam a uma chamada sobre um homem negro armado e ameaçador naquelas imediações, estão suspensos.
"Quando os agentes chegaram, Sterling estava armado e a altercação que se seguiu resultou na sua morte", afirmou Carl Dabadie, chefe da polícia de Baton Rouge em conferência de imprensa.

Sterling, de 37 anos, foi confrontado no parque de estacionamento de um restaurante Triple S em Baton Rouge, Lousiana, por dois polícias brancos, que lhe ordenaram que se deitasse. Os dois agentes deitaram-no então ao chão, com um deles a retirar a arma do coldre e a apontá-la a Sterling.
Um dos vídeos, gravado por Abdullah Muflahi, dono do Tripel S e amigo de Sterling, mostra ambos os polícias em cima do homem. Um deles grita "ele tem uma arma!". O vídeo desvia-se da cena quando se ouvem os primeiros dois disparos. Ouvem-se mais três, antes da câmara voltar e mostrar um dos agentes a retirar algo do bolso de Sterling.
De acordo com Muflahi, os agentes dispararam pistolas taser contra Sterling antes ainda de o atirarem contra o capot de um carro e depois ao chão. Afirma ainda que Sterling perguntava o que se estava a passar e que ia retirar do bolso uma identificação quando foi abatido. Entrevistada pela CNN, a tia de Sterling garante que ele não tinha arma nenhuma.
Sterling tinha um cadastro extenso, incluindo por roubo e por ofensas sexuais, pelas quais cumpriu pena. Vendia CD e DVD à porta do Triple S e tinha cinco filhos.
Investigação em curso
O governador John Bel Edwards mostrou-se "muito preocupado" e considerou um dos vídeos "especialmente perturbador".

O incidente em Lousiana já está a ser investigado pelo Departamento da Justiça norte-americano, ao qual foram entregues as gravações das câmaras corporais dos polícias. Ambas se deslocaram durante o confronto com Sterling mas mesmo assim registaram áudio e vídeo.
Também os vídeos gravados por testemunhas e aparentemente mais claros quanto à ocorrência do que os dos dois polícias serão usados nas investigações.
Centenas de pessoas juntaram-se nas últimas duas noites para vigílias pacíficas no local da morte de Sterling, um parque de estacionamento em Baton Rouge, com um artista a pintar um retrato da vítima numa parede em frente.
Os participantes acenderam velas e apelaram na primeira noite a manifestações pacíficas, à justiça e à unidade perante o uso da "força excessiva" usada pela polícia contra a comunidade negra.
"Se estivermos divididos, já fomos derrotados", afirmou o bispo Gregory Cooper de Baton Rouge à multidão, que incluiu famílias com crianças e encheu o parque de estacionamento e ruas adjacentes. A polícia vigiou de longe a manifestação. As pessoas mantiveram-se no local durante horas e uma banda de metais participou igualmente da vigília.
"Não somos anti-polícia, somos anti-injustiça", afirmou à CNN Arthur Reed, durante uma das manifestações.
A candidata presidencial Hillary Clinton reagiu em comunicado: "Há algo profundamente errado quando tantos americanos têm razões para acreditar que o nosso país não os considera tão preciosos como outros devido à cor da sua pele".
Operação-stop fatal
A morte mais recente deu-se a noite passada, em Minneapolis durante uma operação-stop, um polícia de trânsito do Departamento da Polícia de St. Antony disparou sobre um condutor em Falcon Heights, cerca das 9h00 da noite. O homem, identificado pelo jornal Minneapolis Star como Philando Castille, de 32 anos, foi transportado para o hospital onde veio a morrer, informou a polícia.
Os momentos após o disparo foram filmados por uma testemunha, a namorada do homem abatido e identificada como Lavish Reynolds. Encontrava-se no lugar do passageiro quando tudo sucedeu e o seu vídeo publicado no YouTube, e visto e partilhado milhões de vezes, não foi ainda oficialmente autenticado. A polícia diz que foi encontrada uma arma no local.
De acordo com a namorada, Castille estava a tentar tirar do bolso a sua identificação. "Ele disse ao agente que tinha uma arma e que ia buscar a sua carteira e o polícia atirou-lhe sobre o braço". Castille terá recebido quatro tiros.
"F... Eu disse-lhe para não a ir buscar...", ouve-se um homem a dizer - provavelmente o polícia, que foi suspenso entretanto. "Por favor, Jesus, não. Por favor, não! Por favor, não. Não o deixes ir", reage Lavish Reynolds.
Reynolds é depois obrigada a sair do carro e a levantar os braços antes de ser detida, enquanto se ouve uma criança a chorar. "Ele não merecia isto", diz a mulher. "Era um bom homem, não tinha cadastro, nem pertencia a um gang."
Castille era supervisor de uma cantina escolar no distrito de S. Paulo, de acordo com o mesmo jornal. Terá afirmado ao polícia que tinha licença de porte de arma e que trazia uma escondida.
Cinco tiros à queima-roupa
Blane Salamoni e Howie Lake II, os dois polícias envolvidos no incidente de terça-feira e que responderam a uma chamada sobre um homem negro armado e ameaçador naquelas imediações, estão suspensos.
"Quando os agentes chegaram, Sterling estava armado e a altercação que se seguiu resultou na sua morte", afirmou Carl Dabadie, chefe da polícia de Baton Rouge em conferência de imprensa.
Sterling, de 37 anos, foi confrontado no parque de estacionamento de um restaurante Triple S em Baton Rouge, Lousiana, por dois polícias brancos, que lhe ordenaram que se deitasse. Os dois agentes deitaram-no então ao chão, com um deles a retirar a arma do coldre e a apontá-la a Sterling.
Um dos vídeos, gravado por Abdullah Muflahi, dono do Tripel S e amigo de Sterling, mostra ambos os polícias em cima do homem. Um deles grita "ele tem uma arma!". O vídeo desvia-se da cena quando se ouvem os primeiros dois disparos. Ouvem-se mais três, antes da câmara voltar e mostrar um dos agentes a retirar algo do bolso de Sterling.
De acordo com Muflahi, os agentes dispararam pistolas taser contra Sterling antes ainda de o atirarem contra o capot de um carro e depois ao chão. Afirma ainda que Sterling perguntava o que se estava a passar e que ia retirar do bolso uma identificação quando foi abatido. Entrevistada pela CNN, a tia de Sterling garante que ele não tinha arma nenhuma.
Sterling tinha um cadastro extenso, incluindo por roubo e por ofensas sexuais, pelas quais cumpriu pena. Vendia CD e DVD à porta do Triple S e tinha cinco filhos.
Investigação em curso
O governador John Bel Edwards mostrou-se "muito preocupado" e considerou um dos vídeos "especialmente perturbador".
O incidente em Lousiana já está a ser investigado pelo Departamento da Justiça norte-americano, ao qual foram entregues as gravações das câmaras corporais dos polícias. Ambas se deslocaram durante o confronto com Sterling mas mesmo assim registaram áudio e vídeo.
Também os vídeos gravados por testemunhas e aparentemente mais claros quanto à ocorrência do que os dos dois polícias serão usados nas investigações.