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Autarca de São Pedro da Cova, Gondomar, exige remoção imediata dos resíduos perigosos

Autarca de São Pedro da Cova, Gondomar, exige remoção imediata dos resíduos perigosos

Gondomar, Porto, 22 abr (Lusa) - O presidente da Junta de São Pedro da Cova, Gondomar, considerou hoje "urgente" que o Ministério do Ambiente estude "medidas imediatas" para remover os resíduos perigosos existentes na freguesia, rejeitando a espera por fundos que "não sabem quando chegam".

Lusa /

"Não podemos aceitar que nos digam que a efetiva resolução do problema está dependente da aprovação de candidaturas e de fundos comunitários. Tem de ser encontrada uma solução rapidamente. Não vamos permitir que comecem a desmontar o estaleiro, que se vão embora e que daqui por dois ou três anos voltem se houver fundos", disse o presidente da União de Freguesias de Fânzeres e São Pedro da Cova, Daniel Vieira.

O autarca falava à agência Lusa na sequência da reunião de terça-feira que juntou, na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), representantes do Ministério do Ambiente e outras entidades ligadas ao processo, na qual foi confirmada a existência de mais do que as 105.600 toneladas de resíduos industriais perigosos estimadas até aqui.

Após a reunião, à Lusa, o vice-presidente da CCDR-N, Carlos Neves, apontou que a solução poderá passar pelo Portugal 2020, através do Programa Operacional da Sustentabilidade e Eficiência no Uso dos Recursos (POSEUR), ou seja por uma nova candidatura a financiamento que permita iniciar uma segunda fase de remoção, mas esta explicação não convence Daniel Vieira.

"Depois de se gastarem aqui milhões de euros na remoção de 105 mil toneladas, a remoção da totalidade está dependente de uma segunda fase? Não podemos admitir que um problema destes fique a meio", disse o autarca, acrescentando que "a população está mobilizada" e exige "medidas imediatas".

"Sai da reunião sem garantias. Não fiquei convencido, pelo contrário. As explicações que foram dadas deixam-me preocupado", completou.

Quando se refere a "milhões de euros", Daniel Vieira fala do concurso público feito com vista ao processo de remoção que está no terreno desde outubro de 2014, prevendo-se que termine em maio, o que motiva "preocupação" ao autarca dada a possibilidade do estaleiro de obras ser levantado: "Há questões de segurança por assegurar", disse.

A empreitada está adjudicada à empresa ECODEAL, sendo monitorizada pela CCDR-N, com base em estudos feitos pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e o investimento atual é superior a 13 milhões de euros.

O autarca lamentou ainda que esta confirmação sobre a existência de mais resíduos surja agora, quando, citou, num relatório da CCDR-N datado de 27 de fevereiro, se lê que "na evolução dos trabalhos de remoção foi recentemente detetado de forma totalmente imprevisível a existência de resíduos depositados para além da área de intervenção previamente definida e colocada a concurso".

A 16 de março Daniel Vieira solicitou uma reunião "urgente" ao Ministério do Ambiente com a finalidade de clarificar quantas toneladas de resíduos perigosos existiam no local, um pedido que não chegou a concretizar-se mas agora o presidente da Junta promete "ainda esta semana" dirigir uma carta a todos os grupos parlamentares, à Comissão Parlamentar do Ambiente, ao Ministério do Ambiente, aos eurodeputados e a instituições europeias dando nota das preocupações da população.

"Não foi a junta de freguesia que disse que existiam em São Pedro da Cova resíduos perigosos que podiam ter consequências ao nível da saúde e do meio ambiente. Quem o disse foi o estudo do LNEC. Houve uma decisão política [de remover os resíduos] e perante isso, não podemos admitir que o problema fique a meio", concluiu o autarca.

Em causa estão milhares de toneladas de resíduos industriais provenientes da Siderurgia Nacional e depositados nesta freguesia do distrito do Porto entre maio de 2001 e março de 2002.

 

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