Mais de metade dos estudantes estrangeiros em Portugal vem do espaço lusófono
Lisboa, 11 out (Lusa) -- Mais de metade dos alunos estrangeiros que escolheram Portugal para estudar em 2013 vem de outros países lusófonos, com grande predomínio do Brasil, seguido por Angola e Cabo Verde.
O estudo "Uma estratégia para a internacionalização do ensino superior português" analisou o período entre 2001 e 2013 e concluiu que existe uma "enorme expressão dos estudantes dos países da CPLP e da União Europeia" (UE) entre os estrangeiros que vêm estudar para Portugal. Juntas, estas duas geografias superam os 85 por cento do total dos alunos internacionais.
Segundo o relatório, encomendado pelo Governo, em 2013 estudavam nas instituições de ensino superior portuguesas 17.395 alunos oriundos dos oito membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP, desde julho com a Guiné Equatorial como nono membro, que ainda não entra nestas contas).
Esses 17.385 alunos representam 55,78 por cento do total dos cerca de 31 mil estrangeiros que estudam em Portugal. A UE, segunda geografia mais representativa, contava, no mesmo ano, com 9.503 estudantes, o equivalente a 30,47 por cento do total.
De acordo com o estudo, apresentado em setembro, no ano letivo de 2012/2013, o Brasil era o país de origem de quase nove mil dos alunos estrangeiros inscritos em instituições de ensino superior portuguesas, seguindo-se Angola e Cabo Verde (na ordem dos três mil cada).
O "numeroso contingente de estudantes brasileiros" tem crescido com acordos bilaterais, para doutoramentos e pós-graduações, formação de professores e reconhecimento académico das competências em engenharia e arquitetura, refere o estudo.
Porém, "o Brasil está a fazer um esforço muito grande para captar os estudantes africanos", alerta o coordenador do estudo, João Guerreiro, em declarações à Lusa.
O ex-reitor da Universidade do Algarve sugere, por isso, que Portugal encontre "uma solução" para continuar a atrair estes quadros.
Até porque, destaca o estudo, sem os estudantes provenientes da CPLP, a presença de estudantes internacionais em Portugal "é relativamente baixa", havendo "margem de progressão assinalável".
A prevalência de estudantes provenientes das ex-colónias é comum a outros países colonizadores, como a França, confirmou João Guerreiro. Dos restantes países lusófonos, São Tomé e Príncipe surge em 8.º lugar, Moçambique em 10.º, Guiné-Bissau em 13.º e Timor-Leste em 19.º, na tabela das origens dos estudantes estrangeiros.
Porém, "Portugal tem que investir noutros espaços e não exclusivamente na lusofonia", destaca João Guerreiro, referindo o aumento do interesse de alunos de regiões como Médio Oriente, Europa (fora da União Europeia), Ásia e Magrebe.
"O nosso país tem a vantagem de ser uma porta de entrada na Europa e temos que valorizar isso", sustenta.
Consoante as metodologias utilizadas, a percentagem de estudantes internacionais em Portugal varia entre os 3,4 por cento (dados da OCDE relativos a 2011) e os 8,1 por cento do total (dados da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, para ano letivo de 2012/2013).