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Universidade do Porto questiona impacto da Barragem do Alto Tâmega na extração de lítio

Universidade do Porto questiona impacto da Barragem do Alto Tâmega na extração de lítio

Porto, 17 ago (Lusa) - Investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto estão a estudar os impactos da construção da barragem do Alto Tâmega, no Norte do país, na extração do lítio necessário para as indústrias vidreiras, de cerâmica e químicas.

Lusa /

"O que está em causa é pôr em risco uma atividade que já existe na atualidade com quatro empresas (indústria cerâmica e vidreira) e matar à nascença uma que poderia ser de mais-valia, que é o caso da extração de minérios de lítio (por exemplo, espodumena) para a produção de concentrados de litiniferos, usados para criar derivados essenciais na fabricação de baterias para os carros híbridos ou elétricos", explicou à Lusa o investigador Alexandre Lima.

De acordo com o geólogo, Portugal é considerado um dos dez maiores produtores a nível mundial de minérios de lítio, material que é também aplicado nas tecnologias para gerar e armazenar energia, fabricação de lubrificantes e produção farmacêutica e de ar condicionado bem como produção de ligas leves para a indústria aeroespacial.

Com o aumento do preço deste metal, "que triplicou nos últimos meses", "empresas de vários países contactaram a Universidade do Porto para verificar a possibilidade de desenvolver projetos de prospeção e avaliação em alguns dos depósitos de lítio portugueses para a indústria química".

Um desses exemplos é a indústria automóvel, em que a utilização deste material vai aumentar "de modo especial" devido à substituição do parque automóvel atual por carros híbridos e elétricos e ao crescente armazenamento de energia em baterias gigantes para resolver problemas de fornecimento, referiu Alexandre Lima.

Segundo o investigador, o lítio vai ser ainda "estratégico", num futuro a médio e longo prazo, na área dos combustíveis para energia nuclear.

Há, no entanto, situações "que não podem ser controladas", como é o caso do ordenamento de território. "Neste momento estão a ocorrer alguns conflitos de interesse a nível de áreas que vão ser ocupadas por outras indústrias, nomeadamente para a construção das barragens previstas para o Norte de Portugal, que põem em causa este potencial".

"A fauna e flora têm mecanismos de proteção e de adaptação, mas os recursos geológicos só podem ser explorados no local onde se encontram", explicou, acrescentando que se forem inviabilizados alguns dos depósitos minerais de lítio em Portugal "pode-se condicionar o negócio na totalidade do território nacional, pois são necessários consideráveis volumes para que exista viabilidade económica deste tipo de projeto".

O investigador defende que uma das possibilidades para resolver esta questão é explorar primeiro os depósitos minerais que vão ser afetados, utilizando, posteriormente, o material que não servir para a indústria química na construção da barragem.

"Estamos na vanguarda em termos de investigação e em conseguir atrair a indústria mundial do lítio para o nosso país, mas vejo nuvens negras neste potencial se não houver salvaguarda dos recursos geológicos", concluiu o investigador.

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