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Alterações climáticas. Cientistas receiam catástrofe até 2050

Alterações climáticas. Cientistas receiam catástrofe até 2050

As alterações climáticas criam uma ameaça ao futuro da humanidade muito pior do que a maioria dos estudos aponta. Se não atuarmos imediatamente, o mundo como o conhecemos pode tornar-se o “caos total” ou mesmo colapsar até 2050, alerta um estudo recente.

RTP /
Susana Vera - Reuters

Queda drástica dos ecossistemas, 20 dias por ano de temperaturas elevadas e letais para os seres vivos, degelo dos glaciares, cidades submersas e um terço do planeta desertificado, e largos milhões de refugiados - tais são alguns dos potenciais cenários que podem devastar as sociedades até 2050.

Por isso é necessário tomar medidas urgentes e “dramáticas”, de acordo com as previsões do estudo "Risco de segurança existencial relacionado com o clima: uma abordagem de cenário".

Publicado pela Breakthrough - National Centre for Climate Restoration de Melbourne, na Austrália, este artigo científico diz que as alterações climáticas representam uma verdadeira “ameaça existencial de curto e médio prazo para a civilização humana”.

Se na próxima década não houver ações e comportamentos de mudança radicais, rápidos e à escala global, a probabilidade de as civilizações entrarem em colapso é muito maior e mais assustadora do que se tem dito até hoje.

O artigo é, mais do que um estudo científico, uma tentativa de prever e modelar cenários futuros com base em investigações existentes, evitando restringir-se, como muitos investigadores, apenas a abordagens sobre como as alterações climáticas vão afetar o planeta.

Este relatório pretende, assim, com base no “planeamento dos cenários”, prever que, se as temperaturas globais subirem 3 graus Celsius até 2050, cerca de 55 por cento da população mundial viverá mais 20 dias por ano de calor além do limiar possível à sobrevivência humana.

Os investigadores argumentam que os estudos sobre o aquecimento global e as ameaças à existência humana dependem, antes de mais, da compreensão tanto dos pontos fortes como das limitações das investigações climáticas e das suas projeções. Além disso, consideram que muitos dos estudos científicos de “política climática” são “conservadores e reticentes”.
Mais do que um estudo, é um alerta para um “futuro sombrio”

A crise climática a que assistimos, indica o estudo, é maior e muito mais complexa do que os seres humanos acreditam possível ou já viveram até à data. Na verdade, o futuro previsto neste relatório é uma potencial catástrofe global.

Considerando as novas investigações, os “modelos climáticos” como o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC) de 2018 – que apontava para um aumento de até 2 graus Celsius e para uma ameaça à sobrevivência de milhões de pessoas – falham por não explicarem, entre outras coisas, os processos geológicos decorrentes das alterações climáticas e, por isso, não conseguem prever adequadamente a escala das potenciais consequências.

Esta investigação australiana alerta para um “futuro sombrio” em que mais de mil milhões de pessoas serão obrigadas a abandonar os territórios onde sempre viveram, devido à seca extrema ou à subida do nível do mar, e tornando-se “refugiados”; a produção de alimentos diminuirá e o acesso à água potável será limitado; e muitas das cidades mais populosas no mundo serão parcialmente abandonadas.

Como exemplo de cenário possível, no relatório lê-se que, se "o nível do mar subir 0,5 metros até 2050, o aumento pode ser de 2 a 3 metros até 2100" e "que o mar pode eventualmente subir em mais de 25 metros".

Chris Barrie, um almirante reformado e antigo chefe da Força de Defesa Australiana, escreveu no prefácio do artigo que “depois da guerra nuclear, o aquecimento global provocado pelo Homem é a maior ameaça à vida humana no planeta”.

“Sem ação drástica e imediata, as nossas perspetivas são pobres. Nós devemos agir coletivamente. Precisamos de liderança forte e determinada no governo, nos negócios e nas nossas comunidades para garantir um futuro sustentável para a humanidade”, conclui no prefácio.

As consequências do aquecimento global e a ameaça para a nossa sobrevivência podem afetar e acelerar a instabilidade social, como crises sociais e humanas, grandes conflitos (e até guerras) entre nações e migrações forçadas.

Os avisos são claros. A compreensão e a previsão de potenciais cenários catastróficos "dependem crucialmente de uma apreciação das forças e limitações reais das projeções da ciência climática e da aplicação de estruturas de gestão de riscos" bem diferentes das convencionais.
O mundo pode acabar?
“Os impactos das alterações climáticas nos sistemas de alimentos e de água, no declínio das colheitas e no aumento dos preços alimentados pela seca, pelos incêndios florestais e pelos fracassos nas colheitas, já se tornaram catalisadores de colapsos sociais e de conflitos no Médio Oriente, no Maghreb e no Sahel, contribuindo para a crise migratória na Europa”, alegam os cientistas.

A verdade é que os autores descrevem o futuro na Terra como particularmente “sombrio”, acusando os governos mundiais de “ignorarem educadamente” os avisos e os conselhos dos cientistas, acrescentando que, em resultado da inação global das sociedades, a temperatura global poderá aumentar até 3 graus Celsius por ano e prevendo consequências mais graves e riscos maiores para a humanidade e para todo o planeta.

Este é um cenário previsto até 2050, baseado na aceleração do impacto das alterações climáticas e das grandes consequências negativas para o nosso mundo e que podem ser irreversíveis.

As principais camadas de gelo do mundo vão desaparecer. O calor extremo e as secas brutais vão destruir árvores e florestas inteiras. E as condições climáticas serão cada vez mais inadequadas à sobrevivência dos seres humanos, sendo cada vez mais quentes e, consequentemente, mais mortíferas.

Cerca de "35 por cento da área terrestre global e 55 por cento da população global estão sujeitos a mais de 20 dias por ano de condições letais de calor, além do limiar de sobrevivência humana", afirmam os autores.

Para além das secas, das inundações e dos incêndios florestais cada vez mais regulares, as previsões apontam para que um terço da superfície terrestre do mundo se transforme em deserto, para que ecossistemas inteiros desapareçam – a começar pelo recifes de corais que se vão extinguir quase por completo do planeta – assim como as florestas tropicais, como a Amazónia, ou os “lençóis de gelo” do Ártico.

As zonas mais atingidas pelas temperaturas extremas serão os trópicos, onde a agricultura será destruída e os habitantes se tornarão migrantes forçados. Nesse sentido, a migração em massa de refugiados, a juntar à diminuição das costas, com a subida do mar e a escassez de comida e de água, propiciam conflitos armados, e até uma guerra nuclear.

De acordo com este novo estudo, se não agirmos já o resultado é “o caos total” e talvez “o fim da civilização mundial como a conhecemos”. "Neste cenário, a mudança climática provoca uma mudança permanente na relação da humanidade com a natureza."

Para reduzir esses riscos e sustentar a civilização humana, é essencial construir um sistema industrial de emissões zero muito rapidamente. Isso requer a “mobilização global de recursos com caráter de emergência, semelhante a um nível de resposta (...) da Segunda Guerra Mundial”.

Os autores apelam a que as pessoas tomem consciência das consequências do aquecimento global e comecem a atuar de forma a travar o acelerado processo das mudanças climáticas.



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