Receios das petrolíferas são “maior elogio” para Greta Thunberg

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O secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) criticou, esta semana, os ataques dos ambientalistas contra a indústria petrolífera. Em resposta aos comentários de Mohammed Barkindo, Greta Thunberg e outros ativistas agradeceram a “honra” de considerarem as suas campanhas a “maior ameaça” para o setor de combustíveis fósseis.

Mohammed Barkindo referiu-se, em Viena após uma reunião com os países membros e parceiros da OPEP, às campanhas sobre as alterações climáticas como ataques “não-científicos” contra as petrolíferas e aos ativistas como “talvez a maior ameaça à nossa indústria daqui para a frente”.

O responsável pela OPEP disse ainda que com a crescente frequência das catástrofes climáticas, maioritariamente associadas às alterações climáticas, tem havido “uma crescente mobilização de massa da opinião mundial (…) contra o petróleo”.

"A sociedade civil está a ser enganada ao acreditar que o petróleo é a causa das alterações climáticas”, acrescentou.


Para os ativistas, estas críticas foram recebidas como um elogio e uma prova de que a opinião pública está a virar-se contra os combustíveis fósseis.

“A OPEP referiu-se ao movimento grevista e aos ativistas climáticos como a sua ‘maior ameaça’. Obrigado! É o maior elogio que recebemos até agora!”, escreveu no Twitter a ativista sueca de 16 anos, Greta Thunberg.



Holly Gillibrand, uma das primeiras estudantes britânicas a juntar-se às greves pelas alterações climáticas, respondeu também aos comentários da OPEP, sublinhando que tais críticas provam que as campanhas estão a ter “impacto” e que não vão acabar.



O problema, para o secretário-geral da OPEP, é que esta campanha contra indústria do petróleo está a pôr em causa a reputação das empresas do setor petrolífero e começa “a ditar políticas e decisões das empresas, incluindo investimentos na indústria”.

No entanto, no seu comunicado, Mohammed Barkindo disse que a organização considera que “esta indústria é parte da solução para o flagelo das alterações climáticas".

Os cientistas têm alertado, a nível mundial, para a urgência da redução drástica de emissões de gases com efeito estufa, que em grande parte são resultado da queima de combustíveis fósseis para energia, incluindo o petróleo.

A OPEP é composta por 14 países com 80 por cento das reservas de petróleo do mundo, e ainda 10 países parceiros, e pretende expandir a produção, o que não contribui para reduzir, ou desacelerar, o aquecimento global.

Se por um lado a OPEP continua a insistir que o petróleo não é uma das causas para o aquecimento global, por outro, os ativistas começam a ter mais impacto e a ganhar mais força na opinião pública.

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