Economia
Conversa Capital
"Apostar no défice público não seria uma boa ideia", avisa economista Ricardo Reis
"Apostar no défice público não seria uma boa ideia" porque Portugal tem de garantir a estabilidade das contas públicas.
Imagem e edição vídeo: Pedro Chitas
O professor, que participou esta semana, em Sintra, na reunião do Banco Central Europeu (BCE) considera que é importante dar continuidade no próximo Orçamento do Estado à descida do IRC e do IRS, mas sem comprometer as contas públicas.
Lembra que há dois fatores de risco. Por um lado, os impactos da dívida pública americana e, por outro lado, a Europa está muito endividada e a possibilidade de haver uma crise associada à divida soberana não é de excluir e, neste âmbito, "Portugal deve estar dentro dos países que são um «porto de abrigo» como acontece agora".
Considera por isso que "apostar no défice público não seria uma boa ideia", até porque não se sabe quais serão os impactos da divida norte-americana. Ricardo Reis vê o próximo Orçamento do Estado como "um ato de possibilidades" face ao cenário político que existe no Parlamento, o que faz com que as expetativas sejam moderadas. Mas lembra que, muitas mudanças, como as que estão a acontecer na Educação, não passam pelo Parlamento. O professor de Economia, que chegou a ser apontado como escolha para a liderança do Banco de Portugal, lembra que é preciso reverter a estagnação económica em que Portugal se encontra há mais de 20 anos. E defende que dizer que estamos a crescer acima da média europeia, "é uma média europeia muito fraquinha". Considera que é preciso avançar com um conjunto de reformas, entre as quais do sistema fiscal, área onde neste momento "há uma expropriação do sucesso". Lembra que com o avanço da Inteligência Artificial (IA) necessariamente o sistema fiscal vai estar orientado mais para a taxação do consumo do que para o trabalho. Diz que não gostava que Europa e Portugal se transformasse no continente que produz turismo. E deseja que existisse "um sentido de urgência maior" em fazer reformas. Considera improvável que a Europa esteja na liderança na inovação da IA, mas admite que ainda há tempo para estarmos à frente na sua adoção. Adianta que face a um Parlamento incapaz de gerar consensos, mais do que apontar o dedo ou avaliar o primeiro-ministro, é preciso discutir a necessidade de reformas e isso vai refletir-se nas escolhas políticas que as pessoas fazem. Entrevista conduzida por Rosário Lira, da Antena 1, e Paulo Ribeiro Pinto, do Jornal de Negócios.