Economia
Conversa Capital
"Diminuir a taxa de esforço? Acho muito bem", defende CEO do BCP
"Diminuir a taxa de esforço? Acho muito bem". É assim que Miguel Maya, o CEO (Presidente Executivo) do Banco Comercial Português (BCP), reage a uma eventual determinação do Banco de Portugal (BdP) de redução da taxa de esforço (DSTI) nos empréstimos à compra de habitação.
Imagem e edição vídeo: Pedro Chitas
Admite que a medida possa ter algum impacto na concessão de crédito pelo banco, mas refere que, atualmente, a média da taxa de esforço dos empréstimos à habitação no BCP é de 38 por cento, muito longe do máximo de 50 por cento que agora deverá ser reduzido.
Miguel Maya adianta que, ao abrigo da garantia pública no crédito habitação para os jovens, o BCP registou apenas seis casos de incumprimento e todos relacionados com situações de desemprego, doença ou divórcio. Afirma que não está "nada" preocupado, mesmo quando o preço do imóvel é considerado de risco elevado. Para Miguel Maya a garantia pública aos jovens deve continuar, apesar de não esperar um aumento significativo, porque para muitas famílias a casa é o seu investimento e a sua verdadeira poupança. O CEO do BCP fala de prudência por parte do Banco Central Europeu (BCE) na subida das taxas de juro, mas admite que, até ao final do ano, haja um aumento de pelo menos 25 pontos base. No entanto, considera que "é muito importante não dramatizar". Não antevê qualquer "alteração com significado" ao nível do incumprimento das famílias. O que é preciso é continuar a garantir o emprego, defende. Por outro lado, em relação ao impacto da crise do Médio Oriente, assegura que, tendo em consideração a robustez do sistema financeiro, não vai haver restrições no crédito à economia. Ainda assim revela que neste momento a inflação "já é uma preocupação". No atual cenário internacional, Miguel Maya considera que é importante manter a trajetória do equilíbrio das contas públicas, que há margem para recuperar, evitando o regresso do défice em 2026, mas não há lugar à redução dos impostos. A prioridade deve ser aumentar os salários em função dos ganhos de produtividade e libertar as empresas do excesso de burocracia. Sobre as alterações à legislação laboral, lamenta que não tenha existido acordo em sede de concertação social até porque há sinais, como por exemplo o desemprego jovem nos 19 por cento, que deviam fazer soar as campainhas. O CEO do BCP considera que "é preciso ter a coragem de tomar as medidas atempadamente". Aliás, nesta entrevista, Miguel Maya considera que "os consensos não são uma prioridade porque isso muitas vezes significa alinhar pelo menor denominador comum". Miguel Maya lembra que quem tem a responsabilidade de liderar tem de ouvir e refletir e ter a coragem de decidir mesmo com base em convicções. Sobre a intenção do Governo de taxar lucros excessivos, refere: "não tenho nenhum excessivo nem caído do céu". Sobre uma eventual saída da Fosun da estrutura acionista, Miguel Maya recusa fazer comentários, refere apenas que o que o banco precisa é de estabilidade. Entrevista conduzida por Rosário Lira, da Antena 1, e Hugo Neutel, do Jornal de Negócios.