Economia
Conversa Capital
"Ou Governo dá mais dinheiro às empresas, ou empresas, a prazo, vão ter que reduzir serviço ou deixar de o prestar", avisa a ANTROP
A ANTROP (Associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Pesados de Passageiros) deixa ficar o aviso: se nada mais for feito, para além da redução de 10 cêntimos no gasóleo profissional, as empresas de transportes públicos, a prazo, podem ter de reduzir o serviço.
Imagem: RTP / Edição vídeo: Pedro Chitas
Em entrevista ao programa Conversa Capital, da Antena 1 e do Jornal de Negócios, o presidente da ANTROP, Luís Cabaço Martins defende a necessidade de compensações financeiras diretas como aconteceu com a guerra da Ucrânia.
Lembra que as empresas estão a absorver os custos, sem nenhuma capacidade de alterar a situação porque não podem repercutir esses custos no preço ao consumidor e ainda assim têm de continuar a garantir o serviço público. Luís Cabaço Martins revela que o aumento dos custos das empresas no último mês foi de seis milhões de euros em gasóleo e, por isso, não tem dúvidas: ou o Governo reforça as medidas ou, a prazo, as empresas vão ter de reduzir o serviço. Luís Cabaço Martins lembra, no Conversa Capital, que esta situação é agravada pelo facto de o Estado estar a dever, às empresas de transportes públicos, 70 milhões de euros, sendo 60 milhões do reembolso dos passes para menores de 23 anos e 10 milhões dos passes dos antigos combatentes. A esta situação acrescem os impactos do aumento do gasóleo profissional, o que faz com que algumas empresas tenham de pedir empréstimos para pagar salários. O presidente da ANTROP diz que nalguns casos as margens já são negativas e fala mesmo em "milagres de gestão" para manter as empresas a funcionar. Neste âmbito, defende que os novos concursos prevejam aumentos que acomodem, não apenas o valor da inflação, mas outros custos que as empresas têm. Sobre um aumento da procura resultante do aumento dos preços dos combustíveis refere que pode "ser difícil suportar grandes variações". Acerca do terminal de Sete Rios e o diferendo entre a Rede Expressos e a FlixBus, Luís Cabaço Martins pede bom senso, diz que a ANTROP não acha mal que haja uma separação entre o gestor de terminal e o operador, mas diz que a resolução tem de passar pela existência de um novo terminal em Lisboa porque o terminal de Sete Rios não tem capacidade para todos os operadores. Em simultâneo chama também a atenção, no programa Conversa Capital, para a necessidade de não serem permitidas licenças em zonas onde existe serviço público, numa concorrência clara que tem de ser regulada. Entrevista conduzida por Rosário Lira, da Antena 1, e Maria João Babo, do Jornal de Negócios.