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Complicações com Covid-19. Jovens adultos propensos a lesões graves

Complicações com Covid-19. Jovens adultos propensos a lesões graves

Durante o internamento em hospitais britânicos, quatro em cada dez pessoas, entre os 19 e 49 anos, tiveram complicações nos rins, pulmões ou coração, despoletadas pela Covid-19, indica um estudo recente. O trabalho foi projetado para analisar complicações de curto prazo enquanto o doente está hospitalizado. Os resultados indicam que a idade pode não garantir muita vantagem relativamente aos maiores de 50 anos. Foram observadas 302 unidades de saúde no Reino Unido.

Carla Quirino - RTP /
Royal London Hospital Toby Melville - Reuters

A primeira onda da pandemia permitiu uma investigação que contou com uma amostra de mais de 73 mil doentes em hospitais britânicos.

O documento centra-se nos pacientes internados por Covid-19 que desenvolveram complicações em vários orgãos. Cerca de metade dos doentes adultos teve uma lesão colateral. A renal é a mais comum, seguida por danos nos pulmões e lesão cardíaca.

"A mensagem é que esta não é apenas uma doença de idosos e frágeis", sublinhou o professor Calum Semple, que coordenou o estudo. Citado pela BBC, diz que "os dados reforçam o facto de que a Covid não é gripe e estamos a ver até adultos jovens no hospital que sofrem de complicações significativas, algumas das quais vão exigir monitorização adicional e potencialmente tratamento adicional no futuro".

Comparando as complicações desenvolvidas nas faixas etárias, observou-se que as pessoas com mais de 50 anos e, pelo menos, com um problema associado, chegam aos 51%.

Entre os 40 e 49 foram 44%. E no intervalo dos 30 e 39 anos, embora mais baixo, atingiu os 37% de pessoas com complicações graves.

A medicina ainda não compreendeu como a Covid-19 causa danos nos orgãos mas os investigadores inclinam-se para que esteja relacionado com a resposta do próprio sistema imunitário do corpo. A reação contra a infeção poderá danificar os tecidos saudáveis.

Esta investigação também revela que os doentes com doenças pré-existentes são os que mais riscos correm de desenvolver complicações.

Paul Godfrey já sofria de bronquiectasia pulmonar quando foi internado, com 31 anos, devido ao Sars-Cov-2. O diagnóstico era uma pneumonia que tinha provocado um colapso em parte dos pulmões.

"Foi a pior experiência da minha vida e ainda estou a lidar com isso 18 meses depois", disse Paul À BBC, que continua a sofrer de extrema fadiga e falta de ar. "Eu realmente não sei quais são os danos ao meu corpo, então estou apenas a rezar para voltar a ser o que eu era".

Com a vacinação da população idosa, a idade média dos internados com Covid-19 tem estado descer.

O estudo foi conduzido entre janeiro e agosto de 2020, antes das vacinas estarem disponíveis, mas os autores destacam a importância das campanhas de vacinação demonstrada tanto pelos números como na redução da gravidade da doença, nesta última onda de pandemia.

Investigadores de sete universidades do Reino Unido, do Departamento de Saúde e da Assistência Social e Saúde Pública da Inglaterra assinam o estudo. Foi publicado na revista The Lancet.
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