Coreia do Norte acusada de matar oficial sul-coreano para conter Covid-19

por RTP
Damir Sagolj - Reuters

A Coreia do Sul informou, esta quinta-feira, que um oficial desaparecido na fronteira entre os dois países, foi morto de "forma brutal" pela Coreia do Norte. O sul-coreano terá sido morto e queimado, alegadamente para conter os surtos de Covid-19, mas Seul já pediu explicações ao regime de Kim Jong-un.

A Coreia do Sul acusou as autoridades norte-coreanas de terem abatido um funcionário do Ministério sul-coreano das Pescas e dos Oceanos e de terem queimado o corpo, "ato brutal" que Seul condena, exigindo explicações a Pyongyang.

O oficial estava desaparecido desde segunda-feira, a bordo de um barco do Ministério das Pescas que se encontrava na altura perto da ilha de Yeonpyeong, a cerca de dez quilómetros da fronteira marítima ocidental - a disputada Linha Limite do Norte.

Segundo refere um comunicado do Ministério, os militares norte-coreanos dispararam sobre o oficial e depois regaram-no com óleo e incendiaram-no, acabando por o atirar ao mar, alegadamente numa medida para conter a pandemia. Esta zona de fronteira entre as duas Coreias é vigiada militarmente, e Seul acredita que a Coreia do Norte tenha uma política de "atirar para matar" de forma impedir que a Covid-19 entre no país.

Segundo as investigações do Ministério sul-coreano, o homem foi capturado pelas autoridades norte-coreanas, que o interrogaram com máscaras de gás, à distância, e que depois receberam ordens para o executar.

As tropas norte-coreanas "encontraram o homem nas suas águas e cometeram um ato brutal ao dispararem sobre ele e incineraram o seu corpo, de acordo com a exaustiva análise militar que fizemos de vários dados de inteligência", lê-se na nota do Ministério. A embarcação sul-coreana estava a verificar uma possível pesca não autorizada perto da fronteira marítima inter-coreana, local onde já ocorreram vários incidentes navais entre os dois países e ataques mortais atribuídos à Coreia do Norte.

"Os nossos militares condenam tal ato brutal e pedem urgentemente ao Norte que dê explicações e puna os responsáveis", acrescenta.

Pyongyang, no entanto, ainda não respondeu às acusações.

O sul-coreano terá deixado sapatos e pertences em terra, levando apenas um colete salva-vidas, o que levas as autoridades sul-coreanas a acreditarem que estaria a tentar fugir para a Coreia do Norte.

O presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, já reagiu e considerou tratar-se de um incidente "chocante" que não pode ser tolerado, exigindo que a Coreia do Norte assuma "responsabilidades" por este ataque.

O Conselho de Segurança Nacional também afirmou que a Coreia do Norte não pode "atirar e queimar" o cadáver de um cidadão sul-coreano "desarmado que não mostrou nenhum sinal de resistência".

"Esta ação militar viola os regulamentos internacionais"
, disse Suh-Choo-suk, Secretário-Geral do Conselho de Segurança Nacional. "Vamos responder com firmeza a qualquer ação da Coreia do Norte que ameace a vida e a segurança de nosso povo".

Esta foi a primeira morte de um sul-coreano na Coreia do Norte desde 2008, quando uma mulher de 53 anos foi morta a tiro depois de ultrapassar uma zona restrita. Mas com a morte deste oficial da Coreia do Sul espera-se que as tensões aumentem entre os dois países.
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