A Torre de Belém como nunca a viu reabre após obras de um milhão de euros

A Torre de Belém como nunca a viu reabre após obras de um milhão de euros

As ações de conservação e restauro não se limitaram ao exterior, como aconteceu em 1998. Não há memória de ter havido em 500 anos uma intervenção de limpeza da pedra como esta no interior da Torre de Belém.

Arlinda Brandão - RTP Antena 1 /
Fotografias: Arlinda Brandão - RTP Antena 1

A Torre de Belém reabre com um acesso limitado a 900 visitantes por dia. E após a cerimónia oficial de reabertura esta terça-feira volta a receber visitantes na quarta-feira com um modelo de acesso por horários definidos, em intervalos de meia hora.

O ex-libris da cidade de Lisboa e de Portugal esteve cerca de um ano encerrado para obras.

A repórter Arlinda Brandão da Rádio Pública já visitou o monumento, a convite da Associação de Turismo de Lisboa, a entidade que ficou responsável pela concretização deste investimento de mais de um milhão de euros, financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência.

A empreitada de conservação e restauro foi promovida pela Associação de Turismo de Lisboa (ATL), com execução da empresa N-Restauros, Conservação e Restauro, Lda., e coordenação do Património Cultural, I.P.
"Com esta cara lavada vai promover ainda mais a cidade de Lisboa"
André Duque, da Associação de Turismo de Lisboa considera que com "esta cara lavada vai promover ainda mais a cidade de Lisboa e o turismo" e explica a valorização conseguida com a requalificação das caixilharias, rebocos, tetos, sistema eletrico, internet, etc.
Obras na Torre de Belém, decorreram em quatro pisos, um terraço e 93 escadas em caracol
Teresa Silveira, coordenadora dos trabalhos de conservação e restauro da N-Restauros, a empresa que executou a obra diz que foram realizados trabalhos na pedra, mas também na madeira e nos rebocos. E explica que antes desta intervenção "havia fungos, líquenes com uma forte colonização biológica; havia muitas juntas degradadas para tratar, com argamassas que foram desaparecendo, e fissuras para colar".

"Toda a sujidade traz esse ruído visual"  
Ao desaparecer a "sujidade" o visitante vai poder prestar atenção a detalhes que passavam antes despercebidos, e acrescenta Teresa Silveira que "todos os simbolos que têm a ver com a navegação, com o manuelino (estilo) esses elementos decorativos voltam-se a mostrar(...). Quem está virado para o rio e vê a fachada vê novamente as esferas armilares, os escudos com detalhes que era impossível ver".

A Torre de Belém é um monumento nacional classificado como Património Mundial da UNESCO desde 1983 e construída entre 1514 e 1520, "a sua decoração ostenta a simbologia própria do Manuelino - calabres que envolvem o edifício, rematando-o com elegantes nós, esferas armilares, cruzes da Ordem Militar de Cristo e elementos naturalistas", lê-se na informação disponível na página da Comissão Nacional da UNESCO.
Novo Sistema de acesso à Torre de Belém
Segundo a Museus e Monumentos de Portugal a Torre de Belém reabre com um sistema semelhante ao que foi implementado no Mosteiro dos Jerónimos, com o acesso a ser feito por slots, ou seja, em horários definidos com intervalos de 30 minutos. 

A afluência diária será limitada a cerca de 900 visitantes.

Pretende-se uma distribuição equilibrada ao longo do dia, reduzindo picos de afluência, melhorando a conservação do monumento e oferecendo uma experiência de visita mais sustentável.
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