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Açordas continuam a ser marca da identidade do Alentejo - antropólogo

Açordas continuam a ser marca da identidade do Alentejo - antropólogo

Portel, Évora, 06 Mar (Lusa) - Um antropólogo e professor da Universidade de Évora, Francisco Ramos, destacou hoje a "ligação afectiva do alentejano às sopas de pão", garantindo que as açordas continuam a ser um prato popular e uma marca da identidade do Alentejo.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

"Há uma ligação afectiva do alentejano às sopas de pão, que ajudaram sempre a ultrapassar os tempos difíceis. A açorda, que antigamente não tinha quase acompanhamento, era uma comida popular e ainda hoje continua a ser", afiançou o antropólogo.

Francisco Martins Ramos, professor de Antropologia na Universidade de Évora, falava hoje à agência Lusa na véspera do arranque, em Portel (Évora), do 2/0 Congresso das Açordas, que decorre até domingo.

A iniciativa, promovida pela Câmara Municipal de Portel, pretende valorizar as açordas, enquanto parte da gastronomia tradicional da região, e engloba colóquios, uma feira gastronómica e de produtos regionais, exposições, apresentação de livros e actuações musicais.

O antropólogo Francisco Ramos, que tem diversas obras publicadas, nomeadamente "Tratado das Alcunhas Alentejanas" e "Breviário Alentejano", é um dos oradores do congresso, logo no primeiro dia, onde vai discorrer sobre "A Açorda do Nosso Contentamento".

"Vou abordar a variedade da alimentação alentejana e a sua riqueza cultural e, depois, situo a açorda como uma prática habitual e tradicional do Alentejo", adiantou.

Essa comida típica, de mil variantes, mas sempre com sopas de pão, acrescentou, está bem vincada "na identidade dos alentejanos" e, de "prato de pobres", passou a marca gastronómica regional.

"Até a sopa de cação, que hoje é tão conceituada, era a sopa dos pobres. As açordas foram sempre uma comida popular e essa popularidade mantém-se, mas hoje é transversal a todas as classes sociais", afiançou.

Mesmo na cintura industrial de Lisboa, para onde migraram, há décadas, muitos alentejanos, as açordas continuam "de pedra e cal".

"Há uns anos, até ia pão do Alentejo para essas zonas para os alentejanos que aí vivem poderem fazer a chamada açorda da saudade", aludiu.

Num mundo marcada por crescente globalização, segundo o antropólogo, é importante que os alentejanos mantenham estes traços de identidade regional, marcadamente rural, como "a gastronomia, os cantares alentejanos, o sotaque ou o estilo de vida".

"O mundo rural está em vias de extinção, mas ainda há marcas rurais que são de preservar, embora lhes possamos acrescentar também inovações que sejam úteis", defendeu, acrescentando que o Congresso das Açordas contribui, precisamente, para a "preservação de alguns traços distintivos do Alentejo".

Em declarações à Lusa, Norberto Patinho, presidente do município de Portel, garantiu também que o congresso dedicado às açordas é uma iniciativa para prosseguir, anualmente, e com tendência a crescer, dado o "sucesso" da primeira edição, no ano passado.

"É um espaço de reflexão sobre a importância da gastronomia, até para o turismo, que está em desenvolvimento no Alentejo e aqui, nesta zona de Alqueva. A nossa gastronomia é excelente e é essencial para a dinamização turística", argumentou.


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