"Afrikando São Tomé e Princípe" nova série da RTP África estreia no final de maio

"Afrikando São Tomé e Princípe" nova série da RTP África estreia no final de maio

A apresentação da série documental "Afrikando São Tomé e Príncipe", da autoria da jornalista Alexandra Batista, realiza-se hoje no auditório da UCCLA, em Lisboa, e será exibida a partir de 23 de maio na RTP África.

Lusa /

Depois da série de 18 episódios sobre Angola, exibida o ano passado, a autora volta a abrir o mapa dos PALOP, desta vez para um mergulho nas profundezas de São Tomé e Príncipe, conhecida como "o último paraíso virgem de África".

"As ilhas são pequenas e acabámos por fazer uma série de oito episódios. Dividimos entre o norte, o sul, o centro de São Tomé e depois viajámos para o Príncipe. E, mais uma vez, tentámos mergulhar na história, na cultura, nas tradições, em lugares opostos ao turismo de massas, dando a conhecer também algumas curiosidades da cultura são-tomense, como a gastronomia e as línguas maternas também", disse a autora à Lusa.

Autora do projeto "Pérolas do Oceano", programa sobre empreendedorismo dos PALOP, Alexandra Batista confessa conhecer bem a realidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa, mas cada viagem é uma nova descoberta. E em São Tomé e Príncipe, tudo foi muito fácil.

"Foi entrar num jardim tropical e encontrar beleza, atrás de beleza, e ir descobrindo praias incríveis e lagoas e as gentes, que vêm de um passado tão violento, muito afáveis e não são zangadas com a sua história".

Das roças às praias idílicas, da biodiversidade às tradições, das línguas à gastronomia, o programa procura ir além do bilhete-postal, procurando as pessoas e a história do lugar.

"As roças são um dado importante no programa, porque nós visitámos as grandes roças de São Tomé, que estão praticamente destruídas, muitas delas ao abandono. E nós andámos ali por várias plantações de cacau, café, vimos o que é que pode acontecer a uma roça com o passar do tempo e com o desuso. Andámos por lá, visitando os velhos hospitais destruídos, as sanzalas onde os povos ainda vivem, naquelas condições. A pobreza está lá. A pobreza é visível, embora não exista a fome, a pobreza é visível", constatou a jornalista.

A exemplo do "Afrikando Angola", Alexandra Batista volta a vestir os trajes mais tradicionais do arquipélago em cada um dos oito episódios, para "homenagear a cultura e a tradição" do território.

"Eu tento sempre aproximar-me o mais possível da região, da cultura, da língua materna, tento aprender palavras da língua materna, tal como tento vestir-me também. E as pessoas reagem muito bem, com muito carinho, tipo, está a vestir a nossa roupa, a nossa roupa tradicional, que já ninguém usa, que já ninguém veste", afirmou.

Uma estratégia "carinhosamente pensada", e posta em prática no terreno: "Eu vou aos alfaiates, eu vou aos mercados comprar os panos típicos".

Com viagem já marcada para Moçambique, próxima paragem do Afrikando, a autora do programa explica o que a motiva neste projeto.

"Eu criei o Afrikando, porque surge daquela vontade de andar por África e ir desvendando África, aproximar África das pessoas. Daquelas que gostam, daquelas que partiram, e sim, começámos por Angola, fizemos um ano e meio em Angola, toda Angola de carro, e agora fizemos São Tomé e Príncipe, e esperamos este ano fazer o novo Afrikando que será, se tudo der certo, em Moçambique".

Desafiada a contar o que mais a impressionou nesta série, não hesita, em descrever a paisagem e as pessoas que a habitam.

"As caminhadas na floresta foram incríveis. A biodiversidade, a flora, principalmente, é muito rica em São Tomé e Príncipe. E depois o facto de serem estes vulcões adormecidos, ou extintos. Porque também aprendi Geologia, por incrível que pareça. Todo este manto verde que cobre São Tomé e Príncipe, acho que é aquilo que a mim me fascina mais. E depois as gentes que não são zangadas com o seu passado e que se abrem facilmente ao estrangeiro".

Hoje, ao final da tarde, no auditório da UCCLA, Alexandra Batista volta a vestir o traje `sanguê` para apresentar " Afrikando São Tomé e Príncipe", uma produção da Fogo do Sol Audiovisuais, para a RTP África, com estreia marcada para 23 de maio.

O primeiro episódio é servido com fruta pão de côco, aperitivo típico de São Tomé e Príncipe.

"É assim arredondada, e muito maçuda por dentro, parece quase pão, por isso eles chamam fruta pão, que depois eles assam e descascam e comem aquilo muito quente. E combinam normalmente com o côco. É um aperitivo que eles fazem a meio da manhã ou a meio da tarde", contou.

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