Alice Vieira lança romance juvenil em Coimbra
"O Casamento da Minha Mãe", o novo romance juvenil de Alice Vieira, vai ser lançado dia 04 de Março nas Galerias AtriumSolum, em Coimbra, estando a apresentação a cargo da docente Leonor Riscado.
No dia seguinte, a 05 de Março, terá lugar no mesmo local uma sessão de autógrafos da obra, editada pela Caminho e que marca o regresso ao romance da escritora infanto-juvenil, após uma longa ausência.
Em "O Casamento da Minha Mãe", o tema principal é a indisponibilidade dos pais para os filhos na agitada vida moderna, onde o trabalho é muitas vezes prioritário.
O livro conta a história de Vera, uma menina colocada pela mãe, uma manequim em início de carreira, em casa de uns parentes afastados que não param de a confrontar com o facto de estar num lar emprestado.
"Coloco sempre as minhas personagens em situações actuais e reais e é um facto que existem pais que não dão apoio aos filhos nem lhes facultam um ambiente estável, podendo essa carência de afectividade lesar mais do que a falta de bens materiais", declarou Alice Vieira à Lusa em Janeiro a propósito da nova obra.
O livro, "o último escrito à máquina, antes da rendição às vantagens do computador", como assinalou a escritora, marca "o final de um período de bloqueio", tendo sido criado em apenas três semanas.
Após este romance, a autora já escreveu um conto cuja trama decorre no Museu do Brinquedo e que terá ilustrações de André Letria.
"Este trabalho nasceu de um pedido da Câmara de Sintra, que solicitou a seis autores seis histórias independentes sobre cada um dos museus municipais da vila", adiantou ainda a autora.
Alice Vieira nasceu em 1943 em Lisboa, licenciou-se em Germânicas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1958 iniciou a sua colaboração no suplemento Juvenil, do Diário de Lisboa, e, a partir de 1969, dedicou-se ao jornalismo profissional.
Desde 1979, quando se estreou com "Rosa, Minha Irmã Rosa", tem vindo a publicar regularmente obras literárias, com mais de três dezenas de títulos publicados actualmente, alguns dos quais também no estrangeiro.
Recebeu o Prémio de Literatura Infantil Ano Internacional da Criança (1979), o Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura Infantil (1983) e o Grande Prémio Gulbenkian pelo conjunto da sua obra (1994), tendo sido indicada pela secção portuguesa do IBBY (International Board on Books for Young People) para o Prémio Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da literatura infanto-juvenil.
Entre a sua obra contam-se os títulos "Chocolate à Chuva" (1982), "Graças e Desgraças da Corte de El-Rei Tadinho" (1984), "Viagem à Roda do Meu Nome" (1987), "às Dez a Porta Fecha" (1988) e "Se Perguntarem Por Mim, Digam que Voei" (1997).
Em 2004 foi publicada uma versão cartonada de "Rosa, Minha Irmã Rosa", com ilustrações de Evelina Oliveira, para assinalar o 25º aniversário da primeira edição do livro, e o volume "Bica Escaldada", que reúne crónicas publicadas no Diário de Notícias e no Jornal de Notícias.
A escritora também já assinou teatro e álbuns ilustrados e reanimou histórias tradicionais portuguesas como "Corre, Corre Cabacinha", "Rato do Campo, Rato da Cidade", "Maria das Silvas", "A Bela Moura" ou "O Coelho Branquinho e Formiga Rabiga".