André Letria e Ricardo Henriques lançam um "atividário" dedicado ao Teatro
Lisboa, 25 mar (Lusa) - O que é um proscénio, onde fica a régie e quem foi Gil Vicente são algumas das perguntas às quais os autores Ricardo Henriques e André Letria respondem no livro "Teatro", um "atividário" a pensar nos leitores mais novos.
A convite do Teatro Nacional Maria Matos, o escritor Ricardo Henriques e o ilustrador André Letria fizeram um livro temático dedicado ao teatro.
"Teatro" é o segundo `atividário` - um abecedário e um livro de atividades - que Ricardo Henriques e André Letria publicam, depois do premiado "Mar" (2012). É editado esta semana pela Pato Lógico, coincidindo com o Dia Mundial do Teatro, que se celebra na sexta-feira.
De A a Z, os autores percorrem vários caminhos relacionados com o teatro, sobre o seu funcionamento, aspetos técnicos, superstições, protagonistas e géneros, sendo ainda deixadas propostas para fazer adereços, um teatrinho e marionetas.
Para este livro, Ricardo Henriques contou à agência Lusa que fez alguma pesquisa em teatros, conversou com pessoas do meio artístico e consultou sobretudo bibliografia, juntamente com André Letria, que trabalhou como cenógrafo em Lisboa.
"Queríamos um livro o mais universal possível, que tocasse várias épocas, os teatros e algumas das figuras mais marcantes", explicou Ricardo Henriques.
A primeira entrada do livro diz respeito ao teatro absurdo, com referências a Ionesco e à peça "A cantora careca" (1950) e, ao longo de setenta páginas, são ainda abordados Samuel Beckett, Augusto Boal, Luigi Pirandello, Almeida Garrett ou Gil Vicente.
Os autores explicam ainda o que é uma pateada, porque é que se deseja "muita merda" aos atores numa estreia, para que serve um intervalo e o que significa ser canastrão.
Ricardo Henriques reconheceu que ficaram muitas palavras de fora do livro - "só sobre superstições dava para fazer outro" -, mas foram ficando as que dessem uma visão global da prática do teatro, desde o tempo dos gregos até à atualidade.
"Na verdade, este livro dá para todos. É um livro para ir descobrindo, não tem necessariamente que ser lido de seguida. É um livro bom para fomentar a ligação da família e a ligação ao teatro", defendeu Ricardo Henriques.
No texto introdutório do livro, os autores resumem: "O teatro é a estranha química que acontece num sítio qualquer entre quem faz e quem vê".
"Teatro" contou com o apoio dos teatros municipais Maria Matos, São Luiz, ambos de Lisboa, os municipais do Porto, da Guarda, de Torres Novas e de Ponta Delgada, do Teatro Nacional São João, do Centro Cultural Vila Flor, do Teatro Académico Gil Vicente, d`O Espaço do Tempo e da Rede 5 Sentidos.
O livro será apresentado oficialmente no sábado em simultâneo em Lisboa (Teatro Maria Matos), Porto (Teatro Rivoli), Ponta Delgada (Teatro Micaelense), Torres Novas (Teatro Virgínia) e Guarda (Teatro Municipal da Guarda).
Ricardo Henriques e André Letria levarão também o livro, na próxima semana, para a Feira do Livro Infantil de Bolonha, em Itália.
"Mar", que recebeu uma menção especial nos prémios daquela feira, foi editado no Brasil e em Itália e está a ser preparada a edição na Polónia e em Espanha, com possibilidade de edição na América do Sul.
Os autores estão a terminar um "atividário" sobre o "Futuro" e André Letria tem em mãos, juntamente com o escritor José Jorge Letria, outro sobre a Revolução de 25 de Abril de 1974, ambos com possível edição ainda este ano.